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O que procuramos?
Já
parou um pouco para se questionar sobre o que procura em
sua reencarnação?
Sejamos
religiosos ou não, será que não procuramos todos a mesma
coisa?
O que
procura um religioso? Não será a paz e a felicidade?
E o que
procura o ateu? Não será o mesmo? Talvez possamos
retirar a paz dessa equação, mas a felicidade parece ser
o verdadeiro objetivo da vida para todos.
A forma
como a procuramos é que é diferente: uns tentam
alcançá-la de maneira espiritual, outros de forma
material.
Será que
está de acordo comigo? Mesmo os religiosos de
determinadas crenças, que não conseguem encontrar a paz
e a felicidade aqui na Terra, mantêm a esperança de
encontrá-las em um paraíso após a morte.
A
tentativa de encontrar a felicidade é comum a todos.
O Mestre
Jesus nos dá indicações para essa busca. Ela deve ser
feita de forma prática, por meio do desenvolvimento da
indulgência, da resignação, da compaixão, do amor e do
perdão — em resumo, pela busca do Reino de Deus dentro
de nós.
Será que é
assim tão difícil?
Temos
breves instantes em nossa vida, quase todos os dias, em
que largamos tudo mentalmente e entramos nesse estado.
Como temos
muita dificuldade em perceber isso, imagine viver sua
vida normal sem formar ideias negativas sobre ninguém,
olhando para as coisas como se fosse a primeira vez que
acontecessem.
Sem
qualquer mau sentimento, deixando a vida fluir — porque,
na verdade, ela flui independentemente de nossos
pensamentos e emoções.
O que
aconteceria se olhássemos para a vida dessa forma, sem
qualquer imagem negativa sobre ela e sobre as pessoas?
A vida
decorreria da mesma forma, apenas sem o peso negativo
que transportamos dentro de nós — com mais paz e mais
felicidade.
O peso
negativo da maneira como olhamos a vida é nosso. O ódio
que sentimos por alguém vive em nós; não tem relação com
a outra pessoa. Muitas vezes imaginamos isso para
justificar nossos próprios sentimentos.
Deus
coloca o véu do esquecimento em cada reencarnação para
que possamos recomeçar sem o peso das experiências
passadas.
Mesmo
assim, os maus sentimentos podem ser tão profundos que
os transportamos, como tendências de comportamento, de
uma vida para outra.
A
felicidade nos escapa porque colocamos entre nós e ela
todo esse peso emocional que acumulamos ao longo da
vida.
A bondade
de Deus nos oferece, no início de cada reencarnação, a
felicidade própria da infância. Porém, com hábitos de
milhares de anos e com a educação de uma sociedade que
vive presa à ilusão de que a felicidade vem do acúmulo
de bens, acabamos nos afastando dela por nós mesmos.
Chamamos
as crianças de ingênuas — mas talvez essa ingenuidade
seja, na verdade, uma virtude que perdemos ao longo da
vida.
O que
precisamos para alcançar os ensinamentos de Cristo?
Amor, paz,
serenidade, resignação, indulgência, humildade e
compaixão.
Quais
ensinamentos precisamos para adquirir essas virtudes?
Esses são
os ensinamentos mais importantes da vida. São eles que
poderão nos tirar da autodestruição e da destruição do
planeta. Na visão espírita, são também os que conduzirão
à evolução planetária, pois esta depende da evolução
moral do ser humano.
Será que
precisamos de três ou quatro anos de faculdade para
aprendê-los, já que esse talvez seja o aprendizado mais
difícil para nós?
Esses
ensinamentos transformam o ser humano, inclusive na
maneira como desenvolvemos o planeta tecnologicamente.
Imagine um
médico indulgente, humilde e possuidor das demais
virtudes mencionadas, e outro médico sem essas
qualidades — arrogante, orgulhoso e egoísta. Por qual
deles você gostaria de ser atendido?
Ambos
conhecem medicina, mas as virtudes mudam a forma como
utilizam o conhecimento.
Um povo
virtuoso não desenvolve armas. Ou será que nos mundos
felizes também existem guerras?
Uma
humanidade virtuosa desenvolverá tecnologia voltada para
melhorar a vida na Terra para todos, erradicando a fome,
a falta de água em determinadas regiões do planeta e os
problemas sociais que hoje nos afetam, pois não haverá
egoísmo nem orgulho.
Para
existir virtude, não podem prevalecer as más tendências.
Quando estas dominam, a virtude não se manifesta. Cada
um de nós escolhe o que cultiva dentro de si.
Essa
escolha individual é o caminho coletivo para um mundo
mais feliz.
Se nós,
estudantes da evolução espiritual, compreendermos para
onde queremos ir, conseguiremos perceber o que nos faz
mal.
Os seres
mais evoluídos que nós parecem semelhantes
exteriormente, mas diferem em seu interior, na forma
como vivem.
O que
precisamos mudar dentro de nós?
Volto a
perguntar: o que procuramos?
Se um
homem procura riqueza, o que precisa fazer? Trabalhar
para alcançá-la.
Se um
homem procura felicidade e paz, o que precisa fazer?
Trabalhar para conquistá-las.
Mas como
trabalhamos pela paz e pela felicidade?
Quando
vamos ao centro espírita e esquecemos o mundo exterior,
sentimos uma energia de paz e serenidade; experimentamos
paz e alguma felicidade.
Isso
mostra que a paz e a felicidade existem dentro de nós.
Elas se manifestam quando abandonamos mentalmente nossos
problemas, nossa negatividade e nossas ansiedades —
movimentos da mente com os quais ainda temos dificuldade
em lidar.
A vida
acontece a cada momento. Mantenha em seu coração o
desejo sincero de ser feliz e procure compreender o que
o afasta desse desejo.
Deposite
em Deus, por meio de sua fé, seus problemas, suas
ansiedades, seus maus sentimentos sobre a vida, sobre os
outros e seus medos.
Quando
fizer isso, retire-os também de sua mente. Não podemos
entregá-los a Deus e, ao mesmo tempo, continuar
carregando-os dentro de nós.
Seja feliz
— se é isso que realmente deseja.
Bruno Abreu reside em Lisboa, Portugal.
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