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por Bruno Abreu

O que procuramos?


Já parou um pouco para se questionar sobre o que procura em sua reencarnação?

Sejamos religiosos ou não, será que não procuramos todos a mesma coisa?

O que procura um religioso? Não será a paz e a felicidade?

E o que procura o ateu? Não será o mesmo? Talvez possamos retirar a paz dessa equação, mas a felicidade parece ser o verdadeiro objetivo da vida para todos.

A forma como a procuramos é que é diferente: uns tentam alcançá-la de maneira espiritual, outros de forma material.

Será que está de acordo comigo? Mesmo os religiosos de determinadas crenças, que não conseguem encontrar a paz e a felicidade aqui na Terra, mantêm a esperança de encontrá-las em um paraíso após a morte.

A tentativa de encontrar a felicidade é comum a todos.

O Mestre Jesus nos dá indicações para essa busca. Ela deve ser feita de forma prática, por meio do desenvolvimento da indulgência, da resignação, da compaixão, do amor e do perdão — em resumo, pela busca do Reino de Deus dentro de nós.

Será que é assim tão difícil?

Temos breves instantes em nossa vida, quase todos os dias, em que largamos tudo mentalmente e entramos nesse estado.

Como temos muita dificuldade em perceber isso, imagine viver sua vida normal sem formar ideias negativas sobre ninguém, olhando para as coisas como se fosse a primeira vez que acontecessem.

Sem qualquer mau sentimento, deixando a vida fluir — porque, na verdade, ela flui independentemente de nossos pensamentos e emoções.

O que aconteceria se olhássemos para a vida dessa forma, sem qualquer imagem negativa sobre ela e sobre as pessoas?

A vida decorreria da mesma forma, apenas sem o peso negativo que transportamos dentro de nós — com mais paz e mais felicidade.

O peso negativo da maneira como olhamos a vida é nosso. O ódio que sentimos por alguém vive em nós; não tem relação com a outra pessoa. Muitas vezes imaginamos isso para justificar nossos próprios sentimentos.

Deus coloca o véu do esquecimento em cada reencarnação para que possamos recomeçar sem o peso das experiências passadas.

Mesmo assim, os maus sentimentos podem ser tão profundos que os transportamos, como tendências de comportamento, de uma vida para outra.

A felicidade nos escapa porque colocamos entre nós e ela todo esse peso emocional que acumulamos ao longo da vida.

A bondade de Deus nos oferece, no início de cada reencarnação, a felicidade própria da infância. Porém, com hábitos de milhares de anos e com a educação de uma sociedade que vive presa à ilusão de que a felicidade vem do acúmulo de bens, acabamos nos afastando dela por nós mesmos.

Chamamos as crianças de ingênuas — mas talvez essa ingenuidade seja, na verdade, uma virtude que perdemos ao longo da vida.

O que precisamos para alcançar os ensinamentos de Cristo?

Amor, paz, serenidade, resignação, indulgência, humildade e compaixão.

Quais ensinamentos precisamos para adquirir essas virtudes?

Esses são os ensinamentos mais importantes da vida. São eles que poderão nos tirar da autodestruição e da destruição do planeta. Na visão espírita, são também os que conduzirão à evolução planetária, pois esta depende da evolução moral do ser humano.

Será que precisamos de três ou quatro anos de faculdade para aprendê-los, já que esse talvez seja o aprendizado mais difícil para nós?

Esses ensinamentos transformam o ser humano, inclusive na maneira como desenvolvemos o planeta tecnologicamente.

Imagine um médico indulgente, humilde e possuidor das demais virtudes mencionadas, e outro médico sem essas qualidades — arrogante, orgulhoso e egoísta. Por qual deles você gostaria de ser atendido?

Ambos conhecem medicina, mas as virtudes mudam a forma como utilizam o conhecimento.

Um povo virtuoso não desenvolve armas. Ou será que nos mundos felizes também existem guerras?

Uma humanidade virtuosa desenvolverá tecnologia voltada para melhorar a vida na Terra para todos, erradicando a fome, a falta de água em determinadas regiões do planeta e os problemas sociais que hoje nos afetam, pois não haverá egoísmo nem orgulho.

Para existir virtude, não podem prevalecer as más tendências. Quando estas dominam, a virtude não se manifesta. Cada um de nós escolhe o que cultiva dentro de si.

Essa escolha individual é o caminho coletivo para um mundo mais feliz.

Se nós, estudantes da evolução espiritual, compreendermos para onde queremos ir, conseguiremos perceber o que nos faz mal.

Os seres mais evoluídos que nós parecem semelhantes exteriormente, mas diferem em seu interior, na forma como vivem.

O que precisamos mudar dentro de nós?

Volto a perguntar: o que procuramos?

Se um homem procura riqueza, o que precisa fazer? Trabalhar para alcançá-la.

Se um homem procura felicidade e paz, o que precisa fazer? Trabalhar para conquistá-las.

Mas como trabalhamos pela paz e pela felicidade?

Quando vamos ao centro espírita e esquecemos o mundo exterior, sentimos uma energia de paz e serenidade; experimentamos paz e alguma felicidade.

Isso mostra que a paz e a felicidade existem dentro de nós. Elas se manifestam quando abandonamos mentalmente nossos problemas, nossa negatividade e nossas ansiedades — movimentos da mente com os quais ainda temos dificuldade em lidar.

A vida acontece a cada momento. Mantenha em seu coração o desejo sincero de ser feliz e procure compreender o que o afasta desse desejo.

Deposite em Deus, por meio de sua fé, seus problemas, suas ansiedades, seus maus sentimentos sobre a vida, sobre os outros e seus medos.

Quando fizer isso, retire-os também de sua mente. Não podemos entregá-los a Deus e, ao mesmo tempo, continuar carregando-os dentro de nós.

Seja feliz — se é isso que realmente deseja.


Bruno Abreu reside em Lisboa, Portugal.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita