Da fábula à
realidade
Desde os mais
remotos tempos,
a criatura
humana ouviu
histórias sobre
a intervenção de
fadas —
apresentadas
como gênios
tutelares —,
sobre palácios
ocultos e
florestas
encantadas.
Alimentou-se a
crença de que
seria possível
alcançar, por
meio da magia,
um mundo de
facilidades e
alegrias
infinitas. Ainda
hoje, muitos
corações se
apegam ao sonho,
aguardam
heroísmos fáceis
e preferem o
menor esforço.
Todavia, quando
o narrador
ajusta suas
palavras ao
imperativo da
Lei de Evolução
e passa a
fixá-las nas
realidades
educativas, as
mentes ainda
imaturas se
retraem,
contrariadas e
aturdidas, sem
compreender que
a vida — antes
idealizada como
cenário de
facilidades —
revela-se, na
verdade, vasto
campo de
trabalho e
responsabilidade.
Mesmo quando
tentam
afastar-se dessa
realidade, as
criaturas são
alcançadas pelas
leis imutáveis
da existência,
que gradualmente
lhes descortinam
as verdades
eternas, sem
estrépitos, como
se a Providência
respeitasse a
fragilidade das
almas ainda
presas à ilusão.
Assim, Espíritos
sábios e
benevolentes
renovam as
antigas
narrativas,
ampliando-lhes o
sentido e
revelando a
autêntica visão
espiritual, de
modo a alargar o
horizonte das
esperanças
humanas.
Com o surgimento
da Doutrina dos
Espíritos, em
1857, e,
posteriormente,
com a publicação
das obras de
André Luiz,
psicografadas
pelo respeitável
médium Francisco
Cândido Xavier —
o estimado Chico
—, revelações de
grande
relevância
chegaram à
Humanidade,
esclarecendo a
realidade
espiritual,
sobretudo no que
se refere à vida
futura. Não mais
fadas ou gênios
benfazejos
realizando por
nós as tarefas
necessárias, mas
cada um
construindo o
próprio destino
por meio de seus
atos. Não mais
céus ociosos nem
infernos
eternos, mas
trabalho e
aprendizado
incessantes.
A morte física
não representa o
fim; é apenas
mudança de
capítulo no
livro da
evolução e do
aperfeiçoamento.
Um vasto campo
de serviço
aguarda os
trabalhadores da
verdade e do
bem. Desafios
significativos
convocam
Espíritos
valorosos,
encarnados na
época presente
com a nobre
missão de
colaborar na
preparação de
uma nova era,
restaurando a fé
viva e ampliando
o entendimento
humano. É
necessário
resgatar a
Religião, muitas
vezes confinada
a formalismos, e
preservar a
Ciência de seu
uso destrutivo.
Ao Espiritismo
cristão cabe, no
mundo atual,
tarefa grandiosa
e sublime. Não
basta defini-lo
como Consolador
da Humanidade;
cumpre-lhe
também
revelar-se como
movimento
libertador de
consciências e
corações.
A
espiritualidade
renovadora
percorre o
mundo,
regenerando-lhe
as fontes morais
e despertando o
ser humano para
a realidade de
suas próprias
conquistas.
Novos
chamamentos
alcançam o homem
descrente,
apontando-lhe
horizontes mais
amplos e
demonstrando que
o Espírito
subsiste acima
das civilizações
transitórias e
das guerras
sanguinolentas.
Para a
realização de
tarefas
superiores,
unem-se
encarnados e
desencarnados de
boa vontade,
erguendo uma
ponte de luz por
meio da qual a
Humanidade
poderá transpor
o abismo da
ignorância e da
morte. O homem é
espírito que
habita
temporariamente
o corpo físico.
O perispírito
não constitui
vaga neblina,
mas organização
viva que modela
as células
materiais. A
alma, onde quer
que esteja,
colhe segundo as
próprias obras.
Laços de amor ou
de ódio
acompanham-nos
em qualquer
esfera da
existência. A
reencarnação é
orientada por
elevados
mentores
espirituais.
Além do
sepulcro, a alma
prossegue
lutando,
aprendendo,
aperfeiçoando-se
e servindo aos
desígnios
divinos,
avançando
continuamente
rumo à glória
imortal a que o
Pai nos
destinou.
Recordemos que a
revelação da
Verdade é sempre
progressiva. Se
ainda hesitamos
em aceitá-la,
roguemos ao
Criador que nos
ilumine e
esclareça, a fim
de que possamos
acompanhar, com
consciência e
responsabilidade,
o progresso da
Humanidade.