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por Cláudio Bueno da Silva

 

Conversa com a brisa


Uma brisa extremamente agradável toca meu rosto e espalha sensação boa por todo o corpo. Tanto mais deliciosa quanto é quase contínua, sem intermitências. Na verdade, é uma dessas correntes de ar que no verão são fundamentais para manter o equilíbrio físico e mental, e para fazer acreditar que se a natureza é capaz de agir tão suavemente em relação ao homem, não há porque não respeitá-la como uma entidade benfazeja.

Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, há comentários curiosos e pouco observados no subcapítulo “Ação dos Espíritos sobre os fenômenos da natureza”, onde se conhece a atuação dos Espíritos sobre os fenômenos naturais.

Segundo o que se lê, essa atividade é exercida por espíritos simples, comandados por outros mais experientes e visa buscar “o restabelecimento do equilíbrio e da harmonia das forças físicas da Natureza”. Kardec se dirige aos Espíritos: “(...) Como sabemos que os Espíritos podem agir sobre a matéria e que eles são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se eles não exerceriam uma influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir?”. Resposta: “Mas é evidente; isso não pode ser de outra maneira (...)” (1).

Outra pergunta curiosa de Kardec: “Na produção de certos fenômenos, das tempestades, por exemplo, é somente um Espírito que age ou se reúnem em massa?” Resposta: “Em massas inumeráveis” (2).

Penso que se dá o mesmo com as correntes aéreas que circulam perpetuamente pelo globo terrestre, e com tantos outros fenômenos que, segundo as necessidades gerais, recebem a influência dos “agentes dedicados” de Deus.

Essas reflexões não excluem, de forma alguma, a atuação humana no trato com a natureza que, diga-se, tem sido lamentavelmente predatória, causando desequilíbrios generalizados, e presumo, aumentado muito o serviço dessas “massas inumeráveis”.

Deixando-me levar para o lado poético, imagino que a brisa que recebo pode ter passado pela ação desses operários invisíveis, cujo árduo trabalho talvez inclua ainda amenizar as agruras humanas.

Posso estar apenas sonhando, a sensibilidade aguçada, mas as impressões que provoca e os pensamentos bons que desperta em mim, dão a essa humilde brisa as características de um fenômeno natural e agradável.  

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(1) Questão 536-b.

(2) Questão 539.
 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita