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Conversa
com a brisa
Uma brisa extremamente
agradável toca meu rosto
e espalha sensação boa
por todo o corpo. Tanto
mais deliciosa quanto é
quase contínua, sem
intermitências. Na
verdade, é uma dessas
correntes de ar que no
verão são fundamentais
para manter o equilíbrio
físico e mental, e para
fazer acreditar que se a
natureza é capaz de agir
tão suavemente em
relação ao homem, não há
porque não respeitá-la
como uma entidade
benfazeja.
Em O Livro dos
Espíritos, de Allan
Kardec, há comentários
curiosos e pouco
observados no
subcapítulo “Ação dos
Espíritos sobre os
fenômenos da natureza”,
onde se conhece a
atuação dos Espíritos
sobre os fenômenos
naturais.
Segundo o que se lê,
essa atividade é
exercida por espíritos
simples, comandados por
outros mais experientes
e visa buscar “o
restabelecimento do
equilíbrio e da harmonia
das forças físicas da
Natureza”. Kardec se
dirige aos Espíritos:
“(...) Como sabemos que
os Espíritos podem agir
sobre a matéria e que
eles são os agentes da
vontade de Deus,
perguntamos se eles não
exerceriam uma
influência sobre os
elementos para os
agitar, acalmar ou
dirigir?”. Resposta:
“Mas é evidente; isso
não pode ser de outra
maneira (...)” (1).
Outra pergunta curiosa
de Kardec: “Na produção
de certos fenômenos, das
tempestades, por
exemplo, é somente um
Espírito que age ou se
reúnem em massa?”
Resposta: “Em massas
inumeráveis” (2).
Penso que se dá o mesmo
com as correntes aéreas
que circulam
perpetuamente pelo globo
terrestre, e com tantos
outros fenômenos que,
segundo as necessidades
gerais, recebem a
influência dos “agentes
dedicados” de Deus.
Essas reflexões não
excluem, de forma
alguma, a atuação humana
no trato com a natureza
que, diga-se, tem sido
lamentavelmente
predatória, causando
desequilíbrios
generalizados, e
presumo, aumentado muito
o serviço dessas “massas
inumeráveis”.
Deixando-me levar para o
lado poético, imagino
que a brisa que recebo
pode ter passado pela
ação desses operários
invisíveis, cujo árduo
trabalho talvez inclua
ainda amenizar as
agruras humanas.
Posso estar apenas
sonhando, a
sensibilidade aguçada,
mas as impressões que
provoca e os pensamentos
bons que desperta em
mim, dão a essa humilde
brisa as características
de um fenômeno natural e
agradável.
__________________
(1)
Questão 536-b.
(2)
Questão 539.
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