Procuremos brilhar
“Brilhe vossa luz”, afirmou Jesus, na anotação de
Mateus, 5:16.
Segundo o Espírito Emmanuel, “isto quer dizer que o
potencial de luz do nosso espírito deve fulgir em sua
grandeza plena”.¹
O senso moral existe como princípio constitutivo do
Espírito, pois “a lei de Deus está escrita na
consciência”.² Ocorre, contudo, que nós somos “espíritos
que desde o princípio escolheram o caminho do mal e que
foram exilados na Terra”.³ Assim, atravessamos milênios
repetindo as más escolhas que nos atrasaram em relação
ao estágio de evolução em que já poderíamos nos
encontrar.
No entanto, o aparato moral está pronto para ser
utilizado adequadamente. Busquemos acioná-lo, e nossos
esforços serão recompensados, pois “o bem moral ensinado
pelo Cristo e reiterado pelo Espiritismo é sólido e
inalterável”⁴ — e seu desenvolvimento consiste na
apreciação constante, no mundo íntimo, do que nos é
requisitado no campo do dever para conosco mesmos, a
cada momento da encarnação.
Os Espíritos Moisés, Platão e Juliano ensinam que “a
alma tem o poder de subtrair-se à matéria” e de
“elevar-se muito acima da inteligência”, num estado
“superior à razão” que “pode colocar o homem em relação
com aquilo que escapa às suas faculdades”, e que “o
homem pode provocá-lo pela prece a Deus, por um esforço
constante da vontade, reduzindo a alma, por assim dizer,
ao estado de pura essência” — concluindo com o
imperativo: “Existe no eu concreto e complexo do homem
uma força completamente ignorada até hoje. Procurai-a,
portanto.”⁵
Sugerimos aqui um procedimento, sempre disponível, que
augura confiança na descoberta dessa força interior.
Experimente manter, prolongadamente, a qualquer momento
do dia e em qualquer situação, a sensação de trazer no
peito intensa luz — pois, ao afirmar que “no sentimento
reside o controle da vida”⁶, Emmanuel introduz a noção
de que nosso destino é construído por aquilo que
selecionamos no mundo íntimo. Esse procedimento conduz,
assim, a uma aplicação prática do princípio kardequiano
segundo o qual “o melhoramento está na natureza das
crenças, porque elas são o móvel das ações e transformam
os sentimentos”.⁷
______________
(1) EMMANUEL (Espírito). Pensamento e
Vida, cap. “Guardemos a lição”. Psicografado por
Francisco Cândido Xavier. Brasília: FEB, 7. ed., 1983.
(2) KARDEC, Allan. O Livro dos
Espíritos, questão 621. Tradução de Sandra Keppler.
São Paulo: Mundo Maior, 2012.
(3) KARDEC, Allan. O Espiritismo em
sua mais simples expressão: Resumo do ensinamento dos
Espíritos, item 32. São Paulo: FEESP, 2. ed., 1989.
(4) KARDEC, Allan (Espírito). “Sobre o
bem moral”. Revista Espírita Digital, Curitiba,
1º mar. 2023. Para acessar, clique em LINK
(5) KARDEC, Allan. “Boletim da Sociedade
Parisiense”. Revista Espírita, mar. 1860.
Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Brasília: FEB.
(6) EMMANUEL (Espírito). Vinha de Luz.
Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Brasília:
FEB, 2024.
(7) KARDEC, Allan. Obras Póstumas,
“Credo Espírita”. Tradução de Maria Lúcia Alcântara de
Carvalho. Rio de Janeiro: CELD, 1. ed., 2002.
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