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Deturpações internas na prática espírita
O movimento
espírita sente os efeitos do desconhecimento dos
princípios da Doutrina Espírita por parte de seus
próprios adeptos, por falta de estudo das Obras Básicas
do Codificador Allan Kardec. A Doutrina Espírita nada
sofre, porque ela é íntegra; o movimento, porém,
composto por nós, adeptos imperfeitos e falíveis, sofre
os prejuízos de nossa imaturidade nas interpretações
equivocadas, nas ações incoerentes que julgamos como
doutrinárias, nas inserções e deturpações, sempre fruto
de nossa ignorância (de não conhecer mesmo) doutrinária.
O comportamento dos
adeptos, quando incoerente, gera prejuízos ao movimento
espírita, com visualizações que não correspondem à
seriedade e à grandeza do Espiritismo. Muitas situações
podem ser citadas ou incluídas nessas deturpações
internas do movimento, diga-se, composto por criaturas
humanas, falíveis, como o somos.
O Espiritismo, como
doutrina, nada sofre. Não é afetado pelos adeptos
incoerentes; sua integridade é inatacável. Mas ações
incoerentes atrasam a correta assimilação do que seja o
Espiritismo e sua finalidade, com benefícios gerais que
se retardam e são adiados até serem assimilados com
correção.
O próprio Kardec alerta,
na Revista Espírita (novembro de 1864), no
magnífico artigo (transcrição de alocução dirigida aos
espíritas de Bruxelas, em Antuérpia, em 1864), O
Espiritismo é uma Ciência Positiva, quando afirma
(olhe-se a gravidade):
“(...) É um fato
comprovado que o Espiritismo é mais entravado pelos que
o compreendem mal do que pelos que absolutamente não o
compreendem, e mesmo por seus inimigos declarados. E é
de notar que aqueles que o compreendem mal geralmente
têm a pretensão de compreendê-lo melhor que os outros, e
não é raro ver noviços pretenderem, ao cabo de alguns
meses, dar lições àqueles que adquiriram experiência em
estudos sérios. Tal pretensão, que revela o orgulho, é
uma prova evidente da ignorância dos verdadeiros
princípios da doutrina. (...)”
Note-se que as expressões
“inimigos declarados” e “os que não o compreendem” em
nada afetam a prática espírita; ao contrário do que
parece, estimulam o estudo e a própria vivência
espírita.
Mas os que o compreendem
mal já oferecem outro ângulo de análise, aí, sim, com
grande prejuízo na assimilação dos que lhes observam a
prática. Isso porque a não compreensão exata acaba
criando uma prática à própria moda, adaptada ao modo de
entender e que não corresponde ao correto critério
doutrinário, levando a interpretações e distorções de
todo tipo, o que prejudica a correta compreensão
doutrinária.
Por isso, muitas vezes, o
Espiritismo, em sua prática geral, fica entravado, na
expressão usada por Kardec, com invencionices e
deturpações de todo gênero, fruto, como frisou o
Codificador, da pretensão de alguns em se dizerem ou se
colocarem como mestres ou sábios do Espiritismo, ou,
descendo nas expressões, como infalíveis consultores em
lideranças movidas mais pelo orgulho que pelo
conhecimento. No que confirma Allan Kardec: “é uma prova
evidente da ignorância dos verdadeiros princípios da
doutrina”, como acima citado, com a respectiva fonte.
Lamentável, mas nada a
criar desalento, porque, afinal, este mundo abriga
espíritos enfermos de todo gênero, movidos que ainda
somos por mazelas inúmeras, inclusive das pretensões que
se denunciam nas atitudes daquilo que ainda somos ou que
ainda guardamos em nós.
Ocorrência normal,
diga-se, considerando nosso estágio moral de
desenvolvimento.
Estímulo ainda maior para
que estejamos atentos aos critérios doutrinários, não
nos deixando arrastar por modismos, vaidades ou
pretensões descabidas, que não correspondem aos
objetivos de uma doutrina racional e cuja finalidade é
nos fazer melhores.
A propósito, o texto
integral, de onde extraímos o pequeno trecho, é uma
preciosidade doutrinária que merece ser lida, refletida,
espalhada, divulgada e estudada.
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