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por Hugo Alvarenga Novaes

 

A mediunidade nos animais segundo Kardec


Allan Kardec, na Revista Espírita, aborda, em diversos momentos, a questão dos animais e sua relação com o mundo espiritual. Ele esclarece que os animais possuem princípio inteligente em evolução, mas não dispõem de livre-arbítrio nem de consciência moral comparável à humana. Por isso, não são médiuns no sentido estrito, já que a mediunidade exige responsabilidade e discernimento. Corrobora que os animais possuem sensibilidade, sentimentos e instintos, podendo demonstrar afeição, reconhecimento ou mesmo reações de defesa. No entanto, essa sensibilidade não deve ser confundida com mediunidade. A faculdade mediúnica é própria do ser humano, pois requer consciência e capacidade intelectual que os animais não possuem. Kardec afirma que nenhum animal pode servir de intérprete dos Espíritos, já que lhes faltam os elementos necessários para traduzir seus pensamentos. Assim, reconhece-se nos animais a sensibilidade, mas não a mediunidade, que é exclusiva da humanidade.

Os animais não possuem mediunidade propriamente dita, pois esta é uma faculdade ligada ao espírito humano em sua capacidade de consciência e comunicação com o plano espiritual. Entretanto, eles apresentam uma sensibilidade natural que os torna mais suscetíveis às influências espirituais. Essa percepção aguçada, que se manifesta em comportamentos como inquietação, medo ou atenção direcionada a algo invisível ao olhar humano, é resultado da maior pureza instintiva e da ligação direta que possuem com as energias sutis ao seu redor.

O Espírito, antes de chegar à fase humana, passa por uma série de existências em seres inferiores, nas quais o princípio inteligente vai se individualizando e se preparando para a vida consciente. Esse processo é comparado a uma germinação, até que, transformado em Espírito, inicia o período da humanização, adquirindo consciência do futuro, discernimento entre o bem e o mal e responsabilidade moral; só então a mediunidade eclodirá no ser. Não há nisso nada de humilhante, pois tudo segue a harmonia divina da criação, em que nada existe sem finalidade. O início da fase humana geralmente ocorre em mundos mais inferiores que a Terra, embora, em casos raros, possa começar diretamente aqui. “Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo.”


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita