A mediunidade nos animais segundo Kardec
Allan Kardec, na Revista Espírita, aborda, em
diversos momentos, a questão dos animais e sua relação
com o mundo espiritual. Ele esclarece que os animais
possuem princípio inteligente em evolução, mas não
dispõem de livre-arbítrio nem de consciência moral
comparável à humana. Por isso, não são médiuns no
sentido estrito, já que a mediunidade exige
responsabilidade e discernimento. Corrobora que os
animais possuem sensibilidade, sentimentos e instintos,
podendo demonstrar afeição, reconhecimento ou mesmo
reações de defesa. No entanto, essa sensibilidade não
deve ser confundida com mediunidade. A faculdade
mediúnica é própria do ser humano, pois requer
consciência e capacidade intelectual que os animais não
possuem. Kardec afirma que nenhum animal pode servir de
intérprete dos Espíritos, já que lhes faltam os
elementos necessários para traduzir seus pensamentos.
Assim, reconhece-se nos animais a sensibilidade, mas não
a mediunidade, que é exclusiva da humanidade.
Os animais não possuem mediunidade propriamente dita,
pois esta é uma faculdade ligada ao espírito humano em
sua capacidade de consciência e comunicação com o plano
espiritual. Entretanto, eles apresentam uma
sensibilidade natural que os torna mais suscetíveis às
influências espirituais. Essa percepção aguçada, que se
manifesta em comportamentos como inquietação, medo ou
atenção direcionada a algo invisível ao olhar humano, é
resultado da maior pureza instintiva e da ligação direta
que possuem com as energias sutis ao seu redor.
O Espírito, antes de chegar à fase humana, passa por uma
série de existências em seres inferiores, nas quais o
princípio inteligente vai se individualizando e se
preparando para a vida consciente. Esse processo é
comparado a uma germinação, até que, transformado em
Espírito, inicia o período da humanização, adquirindo
consciência do futuro, discernimento entre o bem e o mal
e responsabilidade moral; só então a mediunidade
eclodirá no ser. Não há nisso nada de humilhante, pois
tudo segue a harmonia divina da criação, em que nada
existe sem finalidade. O início da fase humana
geralmente ocorre em mundos mais inferiores que a Terra,
embora, em casos raros, possa começar diretamente aqui.
“Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua
inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe
sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a
sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo.”
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