|
Natural de Cabuçu (BA) e atualmente residente na
capital, Salvador (BA), Luciano Crispim de
Jesus (foto) é engenheiro químico e
vincula-se à conhecida FEEB – Federação Espírita
do Estado da Bahia, da qual é o responsável
legal, no cargo de presidente da instituição.
Suas respostas relatam a experiência com o
movimento espírita no Estado e também sobre o
recente Congresso Espírita Estadual.
Acompanhemos.
Como se tornou espírita?
Aos 13 anos de idade, saí de minha cidade e fui
morar em Irará com uma família espírita. Foi
quando tomei conhecimento do Espiritismo e
encontrei respostas para os principais desafios
da minha vida.
O que mais considera nesse contexto do
conhecimento espírita?
A lógica, o bom senso e o critério, que fazem
com que compreendamos a vida, suas variáveis e
seus desafios, tornando-nos capazes de enfrentar
os encontros e desencontros da encarnação com
responsabilidade e serenidade, na plena certeza
da continuidade da vida como algo real, e não
apenas como sonho ou utopia.
De sua vivência espírita, o que mais lhe marca a
memória?
O contato e a convivência com criaturas nobres
que, com sua postura e comportamento, serviram e
servem de inspiração. Posso citar as
personalidades ímpares de Francisco Bispo dos
Anjos, Ildefonso do Espírito Santo, Jayme dos
Santos Batista e, por fim, André Luiz Peixinho,
ex-presidentes da FEEB já desencarnados, além da
figura extraordinária de José Campos, meu pai
espiritual, principal referência em minha
jornada.
Como percebe o movimento na capital baiana e
também no país?
O nosso movimento, assim como as pessoas que
dele fazem parte, possui o desafio da
experimentação capaz de demonstrar à comunidade
onde estamos inseridos a validade dos postulados
espíritas como instrumento eficaz na construção
do homem de bem, do reino do Espírito. Isso vale
para Salvador, para a Bahia e para o Brasil.
Temos o desafio de construir uma marca que
valide a condição do Cristianismo Redivivo do
Espiritismo. Creio ser esse o nosso maior
desafio, num contexto em que nem ciência, nem
filosofia, nem religião têm conseguido barrar o
avanço do materialismo, causa dos desarranjos da
sociedade atual. O movimento espírita tem
procurado fazer a sua parte, mas ainda há muito
a fazer.
E como é o desafio de organização de um
congresso espírita de nível estadual?
Quando você se propõe a reunir centenas de
pessoas para dialogar sobre temas relevantes,
tudo é desafiador: desde a seleção da temática e
da forma de abordagem, a escolha dos convidados,
toda a logística de organização e, sobretudo,
lidar com companheiros com diferentes níveis de
compreensão e entendimento. É preciso utilizar
todas as habilidades emocionais para conduzir o
processo com segurança, compreendendo a
necessidade fundamental de harmonia para que o
congresso aconteça desde a sua gênese até o
ápice — o evento propriamente dito —, num clima
de satisfação, alegria, criatividade e paz. A
experiência é gratificante, e todos saem mais
enriquecidos do processo.
Quais as maiores dificuldades?
A maior de todas é lidar com as pessoas. Em
seguida, mobilizar o público-alvo para
inscrever-se com antecedência, elemento
fundamental para as demais etapas. Depois,
encontrar um espaço adequado, tanto no que se
refere à acomodação quanto aos custos.
E as repercussões sentidas?
São maravilhosas. As pessoas saem felizes,
satisfeitas, dispostas a trabalhar mais
arduamente na consolidação do ideal doutrinário.
Devemos sempre promover eventos como este, que
contribuem para a união da comunidade espírita,
com repercussões em todo o contexto do movimento
e da sociedade.
Já há planejamento para a próxima edição?
Na Bahia, realizamos congressos nos anos
ímpares, voltados para a sociedade em geral, e,
nos anos pares, promovemos os Encontros
Estaduais de Espiritismo, com programação mais
focada no público espírita. Já estamos dando os
primeiros passos para efetivar o nosso Encontro
em 2026.
Algo mais que gostaria de acrescentar?
Agradeço a você, Orson, à sua querida esposa e
aos demais companheiros de todo o país, do Rio
Grande do Sul ao Pará, que deixaram suas agendas
para nos oferecer um pouco do conhecimento já
adquirido, oferecendo suas luzes na sublime
tarefa da divulgação da excelente doutrina na
qual temos a honra de caminhar em direção à
plenitude e à perfeição.
Suas palavras finais.
Querido irmão, e a todos que nos derem a honra
de ler nossas palavras, que Deus, em sua
infinita misericórdia, continue inspirando-nos,
para que sejamos capazes de materializar, em
nossas vidas, as diretrizes oriundas da
sabedoria de Jesus e consigamos torná-lo, de
fato, nosso modelo e guia. Muita paz.

|