Entrevista

por Orson Peter Carrara

Uma ligeira conversa com o presidente da Federação Espírita da Bahia


Natural de Cabuçu (BA) e atualmente residente na capital, Salvador (BA), Luciano Crispim de Jesus (foto) é engenheiro químico e vincula-se à conhecida FEEB – Federação Espírita do Estado da Bahia, da qual é o responsável legal, no cargo de presidente da instituição. Suas respostas relatam a experiência com o movimento espírita no Estado e também sobre o recente Congresso Espírita Estadual. Acompanhemos.

 

Como se tornou espírita?

Aos 13 anos de idade, saí de minha cidade e fui morar em Irará com uma família espírita. Foi quando tomei conhecimento do Espiritismo e encontrei respostas para os principais desafios da minha vida.

O que mais considera nesse contexto do conhecimento espírita?

A lógica, o bom senso e o critério, que fazem com que compreendamos a vida, suas variáveis e seus desafios, tornando-nos capazes de enfrentar os encontros e desencontros da encarnação com responsabilidade e serenidade, na plena certeza da continuidade da vida como algo real, e não apenas como sonho ou utopia.

De sua vivência espírita, o que mais lhe marca a memória?

O contato e a convivência com criaturas nobres que, com sua postura e comportamento, serviram e servem de inspiração. Posso citar as personalidades ímpares de Francisco Bispo dos Anjos, Ildefonso do Espírito Santo, Jayme dos Santos Batista e, por fim, André Luiz Peixinho, ex-presidentes da FEEB já desencarnados, além da figura extraordinária de José Campos, meu pai espiritual, principal referência em minha jornada.

Como percebe o movimento na capital baiana e também no país?

O nosso movimento, assim como as pessoas que dele fazem parte, possui o desafio da experimentação capaz de demonstrar à comunidade onde estamos inseridos a validade dos postulados espíritas como instrumento eficaz na construção do homem de bem, do reino do Espírito. Isso vale para Salvador, para a Bahia e para o Brasil. Temos o desafio de construir uma marca que valide a condição do Cristianismo Redivivo do Espiritismo. Creio ser esse o nosso maior desafio, num contexto em que nem ciência, nem filosofia, nem religião têm conseguido barrar o avanço do materialismo, causa dos desarranjos da sociedade atual. O movimento espírita tem procurado fazer a sua parte, mas ainda há muito a fazer.

E como é o desafio de organização de um congresso espírita de nível estadual? 

Quando você se propõe a reunir centenas de pessoas para dialogar sobre temas relevantes, tudo é desafiador: desde a seleção da temática e da forma de abordagem, a escolha dos convidados, toda a logística de organização e, sobretudo, lidar com companheiros com diferentes níveis de compreensão e entendimento. É preciso utilizar todas as habilidades emocionais para conduzir o processo com segurança, compreendendo a necessidade fundamental de harmonia para que o congresso aconteça desde a sua gênese até o ápice — o evento propriamente dito —, num clima de satisfação, alegria, criatividade e paz. A experiência é gratificante, e todos saem mais enriquecidos do processo.

Quais as maiores dificuldades?

A maior de todas é lidar com as pessoas. Em seguida, mobilizar o público-alvo para inscrever-se com antecedência, elemento fundamental para as demais etapas. Depois, encontrar um espaço adequado, tanto no que se refere à acomodação quanto aos custos.

E as repercussões sentidas?

São maravilhosas. As pessoas saem felizes, satisfeitas, dispostas a trabalhar mais arduamente na consolidação do ideal doutrinário. Devemos sempre promover eventos como este, que contribuem para a união da comunidade espírita, com repercussões em todo o contexto do movimento e da sociedade.

Já há planejamento para a próxima edição?

Na Bahia, realizamos congressos nos anos ímpares, voltados para a sociedade em geral, e, nos anos pares, promovemos os Encontros Estaduais de Espiritismo, com programação mais focada no público espírita. Já estamos dando os primeiros passos para efetivar o nosso Encontro em 2026.

Algo mais que gostaria de acrescentar?

Agradeço a você, Orson, à sua querida esposa e aos demais companheiros de todo o país, do Rio Grande do Sul ao Pará, que deixaram suas agendas para nos oferecer um pouco do conhecimento já adquirido, oferecendo suas luzes na sublime tarefa da divulgação da excelente doutrina na qual temos a honra de caminhar em direção à plenitude e à perfeição.

Suas palavras finais.

Querido irmão, e a todos que nos derem a honra de ler nossas palavras, que Deus, em sua infinita misericórdia, continue inspirando-nos, para que sejamos capazes de materializar, em nossas vidas, as diretrizes oriundas da sabedoria de Jesus e consigamos torná-lo, de fato, nosso modelo e guia. Muita paz.


 
 

 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita