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Natural de Salvador (BA), onde também reside,
Ivanberg Alves da Silva Júnior (foto) é
formado em Logística pela UNINASSAU em 2016, e
designer gráfico em formação, aluno da
instituição SAGA. Atua como autônomo, juntamente
com a irmã caçula, Fernanda, trabalhando na
Silva Estamparia.
Vincula-se ao Núcleo Espírita Telles de Menezes
(NETM), atuando no Departamento Doutrinário,
sendo um dos responsáveis pelos aparelhos de som
e projeção durante palestras e estudos. Sócio
não efetivo do NETM, também profere palestras
on-line.
De onde vem o interesse pela poesia?
Tudo começou quando a escritora Rosângela Muniz
me convidou para participar do 1º Concurso
Interescolar de Poesia, promovido pelo Grupo
ARTPOESIA, em Salvador, no ano de 2001.
Participei com meu primeiro poema, O Verbo
Mudar, que meu amigo, escritor e editor
Pedro Camilo — um dos responsáveis pela Editora
Mente Aberta — recitou em meu lugar, ficando em
quarto lugar.
No concurso, fiz muitos amigos. Fiz parte de um
grupo de poetas da Praça da Piedade, onde
recitávamos poemas em Salvador (BA). No Núcleo
Espírita Telles de Menezes, participei do Grupo
Literário da Juventude Espírita Castro Alves.
Passei a estudar cada vez mais os movimentos
literários do mundo e também escritores
contemporâneos.
A literatura faz parte do meu dia a dia e da
minha visão de mundo. Nosso mundo tem ritmos,
formas e andamentos, mas precisa de sintaxe de
escuta para aprendermos a ouvir mais e saber
escutar nossos semelhantes. O Espiritismo e a
família espírita têm me fornecido meus melhores
professores. É no Espiritismo que encontrei o
domínio dos grandes mestres.
Morando numa cidade de diversidade cultural tão
intensa, você considera que isso influenciou sua
escolha pelo caminho poético?
Sim. A diversidade cultural é um dos fatores que
nos enriquece. Porém, como disse o geógrafo
Milton Santos, é necessário respeitar a
sociodiversidade: “É o sonho que obriga o homem
a pensar.” Ninguém pensa igual; seria massificar
os conhecimentos e padronizar hábitos e
costumes.
O que não pode faltar entre nós é a ética, pois
ela deve ser universal. Devemos sempre respeitar
o direito à vida e exercer a cidadania com
equilíbrio. Meu caminho é Jesus, e é dele que
busco os ensinamentos morais indispensáveis —
algo atemporal e universal.
E como conheceu o Espiritismo?
Meus pais me conduziram ao Espiritismo no Núcleo
Espírita Telles de Menezes. Conheci outros
lugares espíritas, mas ali é minha casa desde a
infância. Muitos parentes meus consanguíneos
também são espíritas.
Estou no movimento espírita desde o berço e
sempre há o que aprender na Doutrina dos
Espíritos. Prefiro dizer que não sei; estou
aprendendo.
Que ligação você faz entre a ciência poética,
sua arte e o Espiritismo?
Já li autores como Octavio Paz, em O Arco e a
Lira; Rainer Maria Rilke, em Cartas a um
Jovem Poeta; e Vladimir Maiakóvski, em A
Poética de Maiakóvski (São Paulo:
Perspectiva, 1984, p. 169, tradução de Boris
Schnaiderman):
“Eu não forneço nenhuma regra para que uma
pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em
geral, tais regras não existem. Chama-se poeta
justamente a pessoa que cria estas regras
poéticas.”
Essa é a epígrafe do meu livro Versos
Navegantes. Todo o conteúdo intelecto-moral
dos meus versos passa pelo crivo da minha razão
espírita. Não existe meio termo para a ética.
Busco fazer o meu melhor, pois, no penúltimo
texto do capítulo 15 — Fora da caridade não
há salvação — de O Evangelho Segundo o
Espiritismo, está claro que o ciclo dos
conhecimentos aumenta sem cessar, e o que vale é
o bem que realmente fazemos.
E o livro Versos Navegantes? Fale-nos
dele. Como surgiu? Quanto tempo de elaboração,
editora etc.?
Desde 2001 sonho em lançar um livro de poemas.
Pessoas como Pedro Camilo de Figueiredo Neto, o
poeta Cláudio Matos, os poetas da Praça da
Piedade, a escritora Rosângela Muniz, o poeta
José da Boa Morte, o poeta Ciro de Lopes e
Barbuda colaboraram muito para minha formação
poética.
No dia 21 de dezembro de 2024, no fim da
primavera, numa tarde feliz, lancei meu primeiro
livro autoral pela Editora Mente Aberta. Ele é
dividido em quatro eixos temáticos: Portuário (ou
como vejo a língua portuguesa), Metalinguagem, Poemas
Transcendentais e Poemas Sociais.
Por isso, dedico o livro aos navegantes deste
idioma, por saber que estamos numa grande
aventura de experiências e conhecimentos.
Para os interessados em adquiri-lo, quais os
contatos?
WhatsApp: (71) 98609-0442
poetadobrasil1984@gmail.com
O livro tem preço fixado em R$ 45,00.
Embora seja um livro poético com variada
temática, considera que os poemas se ligam ao
conhecimento espírita, mesmo sem terminologia
específica?
Não é um tratado espírita, mas uma expressão
poética que nasce da mente de um dos membros da
imensa família espírita.
Percebe-se, em poemas como À Beira do Lago, A
Caridade Ilumina, A Liberdade, A
Morte, Lúcido Momento e Palavras
Válidas, que há teor filosófico, religioso e
científico da Doutrina Espírita — assuntos
encontrados principalmente em O Livro dos
Espíritos.
De sua vivência como escritor, como poeta e como
espírita, o que gostaria de dizer aos leitores?
PALAVRAS VÁLIDAS
Inválidas
Não serão
As palavras
Quando amar.
Solitário
Não será
Se interligar
Sua mente
Com o infinito.
Plano Divino.
Buscar o rumo certo.
Respeitar.
Ao contrário,
Ficam fechadas
As portas
Para as coisas novas:
Nada vai mudar
Por completo, em mim,
Se eu não amar.
O rosto é sensível quando há.
Cedo ou tarde,
A alegria
Pode superar
A tristeza:
Até mais.
Silva Júnior
O que mais lhe toca a alma ao escrever?
A busca pela evolução.
Algo mais a acrescentar?
A MORTE
A morte não é a negação da vida.
A morte é a afirmação
De que algo existiu
E, para o espírito,
É mais um ponto de partida.
Sendo a morte
Mais um ponto de partida,
Morrer pode ser considerado
Mais uma forma de nascer.
Morrer é uma vivência.
Nascer é surgir.
Silva Júnior
Suas palavras finais.
Que Jesus esteja sempre presente em nossas
vidas.

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