Entrevista

por Orson Peter Carrara

Medicina e espiritualidade devem unir-se em favor da saúde


Natural de Salvador (BA), onde também reside, Clarissa Mathias (foto) é médica oncologista e vincula-se à Mansão do Caminho, na mesma cidade. Integrante da reunião mediúnica realizada na mesma instituição, suas respostas trazem conteúdos sobre sua experiência médica e sua vivência espírita. Espírita de infância e com livros publicados, vamos conhecê-la nas respostas constantes da entrevista seguinte:

 

Sendo espírita de infância, como avalia agora a influência desse conhecimento em sua vida pessoal e profissional?

Desde criança, o Espiritismo me proporcionou uma compreensão mais ampla da vida, do propósito da existência e da importância do amor ao próximo. Essa base espiritual fortalece minha fé, me dá esperança diante das dificuldades e orienta minha postura com os pacientes, sempre buscando acolhimento, empatia e esperança. Acreditar na evolução espiritual me ajuda a encarar o câncer com mais serenidade, promovendo um olhar de entendimento e incentivo à superação emocional. Esse conhecimento também reforça a importância do perdão, da caridade e do equilíbrio emocional na minha rotina diária, tanto na esfera pessoal quanto profissional.

Qual aspecto doutrinário mais lhe chama atenção? 

O aspecto que mais me chama atenção é a lei de causa e efeito, que explica que nossas ações futuras são consequência de nossos atos presentes. Essa lei esclarece muitos sofrimentos e dificuldades, promovendo a ideia de responsabilidade pessoal. Ela reforça que nossa evolução depende de nossas escolhas e atitudes, incentivando a prática do bem, do perdão e do amor. Essa compreensão traz paz interior e encoraja uma postura de constante aprimoramento moral, além de fortalecer a esperança de dias melhores, mesmo diante de desafios difíceis.

E, pela profissão de médica oncologista, que ângulo gostaria de destacar ao leitor à luz do conhecimento espírita? 

Gostaria de destacar que a doença, especialmente o câncer, muitas vezes tem raízes emocionais e espirituais além do aspecto físico. O entendimento espírita nos ensina que pensamentos negativos, mágoas e falta de perdão podem piorar o estado de saúde, influenciando processos de cura ou de manifestação de doenças. Assim, além do tratamento convencional, é fundamental cuidar da saúde emocional e espiritual, promovendo o perdão, a aceitação e a paz de espírito. Essa integração pode acelerar a recuperação e promover uma maior qualidade de vida, mostrando que a cura verdadeira envolve o corpo, a mente e o espírito.

Já se sabe que mágoas alimentadas e o não perdão podem produzir tumores cancerígenos. Tem presenciado muitos casos oriundos dessas posturas? E os pacientes são acessíveis a essa abordagem, ainda com a neutralidade que a questão requer? 

Sim, tenho observado que mágoas duradouras, ressentimentos e a ausência de perdão contribuem para o agravamento de doenças, incluindo câncer. Muitas vezes, os pacientes carregam emoções não resolvidas que acabam se refletindo em seu físico. Ao abordar esse aspecto com sensatez e sem julgamento, percebo que muitos pacientes estão abertos a refletir sobre o impacto dessas emoções na saúde, principalmente quando demonstram interesse pela espiritualidade. A neutralidade é fundamental, pois cada um tem seu ritmo e sua compreensão, mas o diálogo espiritual pode ser um forte aliado na busca pela cura emocional e, por consequência, pela física.

Quais os sentimentos mais colhidos com pacientes em tratamento?

Nos momentos de tratamento, a maioria dos sentimentos observados são esperança, medo, ansiedade e insegurança. No entanto, também noto muita força de vontade, gratidão pelas melhorias, fé na cura e um desejo de seguir em frente, apoiados por aspectos espirituais. O medo do desconhecido é comum, mas, quando há uma conexão forte com a espiritualidade, muitos pacientes encontram paz, conforto e uma motivação para continuar lutando, mesmo diante das dificuldades. O acolhimento emocional e a conversa franca ajudam a desenvolver esses sentimentos positivos.

E nos pacientes terminais?

Nos pacientes terminais, percebo uma mistura de aceitação, resignação e, às vezes, ansiedade ou medo da morte. Entretanto, há também um forte desejo por paz espiritual, perdão, reconciliação e esperança de continuidade na espiritualidade. Muitos buscam compreender o propósito de suas vidas e encontram conforto nas mensagens de amor, reencarnação e evolução espiritual. A serenidade, muitas vezes, é resultado do preparo espiritual e da confiança na jornada após a despedida física, acolhendo a inevitabilidade com fé e esperança na vida além da matéria.

Fale-nos sobre seus livros, títulos, motivações, repercussões.

O livro Encontros Ecumênicos apresenta relatos e reflexões sobre encontros inter-religiosos, promovendo a união e o diálogo entre diferentes tradições espirituais. Compartilhamos experiências de respeito mútuo, tolerância e fraternidade, destacando a importância da compreensão espiritual para a paz mundial. A obra incentiva o entendimento de que diversas crenças podem coexistir, reforçando valores de amor e convivência harmoniosa.

A obra Encontros com a Espiritualidade compõe-se de dois volumes e nela revelamos nossas experiências de contato com o mundo espiritual, mediunidade e comunicações espirituais. São relatos emocionantes que ilustram a presença dos espíritos e a atuação da espiritualidade na vida cotidiana. O livro busca fortalecer a fé e a compreensão da existência além da matéria, promovendo uma conexão mais profunda com o lado espiritual da existência.

Também sou editora do livro Mulheres na Medicina, que homenageia as mulheres que atuam na área médica, abordando os desafios, conquistas e a força feminina na saúde. Realizo reflexões sobre o papel das mulheres na medicina, destacando a sensibilidade, dedicação e a influência da espiritualidade na prática médica. A obra incentiva a valorização das mulheres profissionais e a busca por um cuidado mais humano e compassivo.

Alguma vivência muito emocionante nesses anos todos de vivência espírita e/ou profissional?

Ao longo desses anos, uma das vivências mais marcantes foi acompanhar um paciente em tratamento oncológico que, através do trabalho espiritual de cura, conseguiu vencer uma grave enfermidade. Foi uma experiência de profunda transformação, onde a fé, a oração e o espírito de esperança promoveram uma recuperação surpreendente, inspirando todos ao seu redor. Essa experiência reforçou a convicção de que o tratamento médico, aliado à fé e à força do espírito, pode abrir caminhos de cura inimagináveis. Momentos assim evidenciam a força do espírito na recuperação da saúde e incentivam a continuar difundindo a esperança, o amor e a fé na atuação da espiritualidade na vida das pessoas.

Algo a relatar do tratamento médico dispensado a Divaldo Franco, que você gostaria de compartilhar?

Tenho grande admiração por Divaldo Pereira Franco, cuja força espiritual, fé e perseverança são exemplos inspiradores. Durante seu tratamento médico, percebi seu equilíbrio emocional, sua dedicação à oração e à meditação, que contribuíram muito para seu bem-estar. Compartilho essa vivência para mostrar que, independentemente da gravidade de uma doença, a força do espírito, aliada ao tratamento médico, pode promover resultados positivos e inspirar muitos a encararem a saúde sob uma perspectiva mais espiritual e de fé. Sua postura de aceitação, fé e esperança serve de exemplo de que a espiritualidade é uma aliada poderosa na jornada de recuperação.

Algo que gostaria de acrescentar? 

Gostaria de enfatizar que a união entre medicina e espiritualidade é essencial para uma saúde plena. Não podemos separar o corpo do espírito, pois ambos estão interligados. Acreditar na força do espírito, no poder do diálogo espiritual, na prece e na energia de amor ajuda a criar um ambiente propício à cura e ao bem-estar. É importante que os profissionais de saúde e a espiritualidade sejam companheiros, promovendo uma visão mais integral do ser humano e valorizando as suas dimensões espiritual, emocional e física. Esse entendimento pode transformar vidas e ampliar a esperança de superação.

Suas palavras finais. 

Para encerrar, quero reforçar a importância do amor, da compreensão e do respeito às nossas jornadas espirituais. Acreditar na vida após a morte, na reencarnação e na evolução espiritual traz paz, esperança e coragem para enfrentar qualquer desafio. Convido todos a buscarem o autoconhecimento, a caridade e o perdão, pois são esses valores que elevam o espírito e contribuem para um mundo mais justo, fraterno e cheio de luz. Que cada um possa encontrar na sua caminhada a força para se transformar, promovendo cura e esperança a si mesmo e ao próximo.


 
 

 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita