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Natural de Salvador (BA), onde também reside,
Clarissa Mathias (foto) é médica
oncologista e vincula-se à Mansão do Caminho, na
mesma cidade. Integrante da reunião mediúnica
realizada na mesma instituição, suas respostas
trazem conteúdos sobre sua experiência médica e
sua vivência espírita. Espírita de infância e
com livros publicados, vamos conhecê-la nas
respostas constantes da entrevista seguinte:
Sendo espírita de infância, como avalia agora a
influência desse conhecimento em sua vida
pessoal e profissional?
Desde criança, o Espiritismo me proporcionou uma
compreensão mais ampla da vida, do propósito da
existência e da importância do amor ao próximo.
Essa base espiritual fortalece minha fé, me dá
esperança diante das dificuldades e orienta
minha postura com os pacientes, sempre buscando
acolhimento, empatia e esperança. Acreditar na
evolução espiritual me ajuda a encarar o câncer
com mais serenidade, promovendo um olhar de
entendimento e incentivo à superação emocional.
Esse conhecimento também reforça a importância
do perdão, da caridade e do equilíbrio emocional
na minha rotina diária, tanto na esfera pessoal
quanto profissional.
Qual aspecto doutrinário mais lhe chama
atenção?
O aspecto que mais me chama atenção é a lei de
causa e efeito, que explica que nossas ações
futuras são consequência de nossos atos
presentes. Essa lei esclarece muitos sofrimentos
e dificuldades, promovendo a ideia de
responsabilidade pessoal. Ela reforça que nossa
evolução depende de nossas escolhas e atitudes,
incentivando a prática do bem, do perdão e do
amor. Essa compreensão traz paz interior e
encoraja uma postura de constante aprimoramento
moral, além de fortalecer a esperança de dias
melhores, mesmo diante de desafios difíceis.
E, pela profissão de médica oncologista, que
ângulo gostaria de destacar ao leitor à luz do
conhecimento espírita?
Gostaria de destacar que a doença, especialmente
o câncer, muitas vezes tem raízes emocionais e
espirituais além do aspecto físico. O
entendimento espírita nos ensina que pensamentos
negativos, mágoas e falta de perdão podem piorar
o estado de saúde, influenciando processos de
cura ou de manifestação de doenças. Assim, além
do tratamento convencional, é fundamental cuidar
da saúde emocional e espiritual, promovendo o
perdão, a aceitação e a paz de espírito. Essa
integração pode acelerar a recuperação e
promover uma maior qualidade de vida, mostrando
que a cura verdadeira envolve o corpo, a mente e
o espírito.
Já se sabe que mágoas alimentadas e o não perdão
podem produzir tumores cancerígenos. Tem
presenciado muitos casos oriundos dessas
posturas? E os pacientes são acessíveis a essa
abordagem, ainda com a neutralidade que a
questão requer?
Sim, tenho observado que mágoas duradouras,
ressentimentos e a ausência de perdão contribuem
para o agravamento de doenças, incluindo câncer.
Muitas vezes, os pacientes carregam emoções não
resolvidas que acabam se refletindo em seu
físico. Ao abordar esse aspecto com sensatez e
sem julgamento, percebo que muitos pacientes
estão abertos a refletir sobre o impacto dessas
emoções na saúde, principalmente quando
demonstram interesse pela espiritualidade. A
neutralidade é fundamental, pois cada um tem seu
ritmo e sua compreensão, mas o diálogo
espiritual pode ser um forte aliado na busca
pela cura emocional e, por consequência, pela
física.
Quais os sentimentos mais colhidos com pacientes
em tratamento?
Nos momentos de tratamento, a maioria dos
sentimentos observados são esperança, medo,
ansiedade e insegurança. No entanto, também noto
muita força de vontade, gratidão pelas
melhorias, fé na cura e um desejo de seguir em
frente, apoiados por aspectos espirituais. O
medo do desconhecido é comum, mas, quando há uma
conexão forte com a espiritualidade, muitos
pacientes encontram paz, conforto e uma
motivação para continuar lutando, mesmo diante
das dificuldades. O acolhimento emocional e a
conversa franca ajudam a desenvolver esses
sentimentos positivos.
E nos pacientes terminais?
Nos pacientes terminais, percebo uma mistura de
aceitação, resignação e, às vezes, ansiedade ou
medo da morte. Entretanto, há também um forte
desejo por paz espiritual, perdão, reconciliação
e esperança de continuidade na espiritualidade.
Muitos buscam compreender o propósito de suas
vidas e encontram conforto nas mensagens de
amor, reencarnação e evolução espiritual. A
serenidade, muitas vezes, é resultado do preparo
espiritual e da confiança na jornada após a
despedida física, acolhendo a inevitabilidade
com fé e esperança na vida além da matéria.
Fale-nos sobre seus livros, títulos, motivações,
repercussões.
O livro Encontros Ecumênicos apresenta
relatos e reflexões sobre encontros
inter-religiosos, promovendo a união e o diálogo
entre diferentes tradições espirituais.
Compartilhamos experiências de respeito mútuo,
tolerância e fraternidade, destacando a
importância da compreensão espiritual para a paz
mundial. A obra incentiva o entendimento de que
diversas crenças podem coexistir, reforçando
valores de amor e convivência harmoniosa.
A obra Encontros com a Espiritualidade compõe-se
de dois volumes e nela revelamos
nossas experiências de contato com o mundo
espiritual, mediunidade e comunicações
espirituais. São relatos emocionantes que
ilustram a presença dos espíritos e a atuação da
espiritualidade na vida cotidiana. O livro busca
fortalecer a fé e a compreensão da existência
além da matéria, promovendo uma conexão mais
profunda com o lado espiritual da existência.
Também sou editora do livro Mulheres na
Medicina, que homenageia as mulheres que
atuam na área médica, abordando os desafios,
conquistas e a força feminina na saúde. Realizo
reflexões sobre o papel das mulheres na
medicina, destacando a sensibilidade, dedicação
e a influência da espiritualidade na prática
médica. A obra incentiva a valorização das
mulheres profissionais e a busca por um cuidado
mais humano e compassivo.
Alguma vivência muito emocionante nesses anos
todos de vivência espírita e/ou profissional?
Ao longo desses anos, uma das vivências mais
marcantes foi acompanhar um paciente em
tratamento oncológico que, através do trabalho
espiritual de cura, conseguiu vencer uma grave
enfermidade. Foi uma experiência de profunda
transformação, onde a fé, a oração e o espírito
de esperança promoveram uma recuperação
surpreendente, inspirando todos ao seu redor.
Essa experiência reforçou a convicção de que o
tratamento médico, aliado à fé e à força do
espírito, pode abrir caminhos de cura
inimagináveis. Momentos assim evidenciam a força
do espírito na recuperação da saúde e incentivam
a continuar difundindo a esperança, o amor e a
fé na atuação da espiritualidade na vida das
pessoas.
Algo a relatar do tratamento médico dispensado a
Divaldo Franco, que você gostaria de
compartilhar?
Tenho grande admiração por Divaldo Pereira
Franco, cuja força espiritual, fé e perseverança
são exemplos inspiradores. Durante seu
tratamento médico, percebi seu equilíbrio
emocional, sua dedicação à oração e à meditação,
que contribuíram muito para seu bem-estar.
Compartilho essa vivência para mostrar que,
independentemente da gravidade de uma doença, a
força do espírito, aliada ao tratamento médico,
pode promover resultados positivos e inspirar
muitos a encararem a saúde sob uma perspectiva
mais espiritual e de fé. Sua postura de
aceitação, fé e esperança serve de exemplo de
que a espiritualidade é uma aliada poderosa na
jornada de recuperação.
Algo que gostaria de acrescentar?
Gostaria de enfatizar que a
união entre medicina e espiritualidade é
essencial para uma saúde plena. Não podemos
separar o corpo do espírito, pois ambos estão
interligados. Acreditar na força do espírito, no
poder do diálogo espiritual, na prece e na
energia de amor ajuda a criar um ambiente
propício à cura e ao bem-estar. É importante
que os profissionais de saúde e a
espiritualidade sejam companheiros, promovendo
uma visão mais integral do ser humano e
valorizando as suas dimensões espiritual,
emocional e física. Esse entendimento pode
transformar vidas e ampliar a esperança de
superação.
Suas palavras finais.
Para encerrar, quero reforçar a importância do
amor, da compreensão e do respeito às nossas
jornadas espirituais. Acreditar na vida após a
morte, na reencarnação e na evolução espiritual
traz paz, esperança e coragem para enfrentar
qualquer desafio. Convido todos a buscarem o
autoconhecimento, a caridade e o perdão, pois
são esses valores que elevam o espírito e
contribuem para um mundo mais justo, fraterno e
cheio de luz. Que cada um possa encontrar na sua
caminhada a força para se transformar,
promovendo cura e esperança a si mesmo e ao
próximo.

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