Tema: Egoísmo
Cris, o hamster
Cris era um hamster muito previdente que vivia na
floresta. Ele gostava de estocar alimentos para passar o
inverno. Em sua toca havia sempre grande quantidade de
sementes, frutos e folhas.

Cris pensava no futuro e isso era muito bom. O problema
é que ele se preocupava tanto com isso, que não fazia
mais nada na vida a não ser procurar comida.
Estava sempre cansado, não atendia os convites para um
passeio ou mesmo uma conversa. Desconsiderava as
amizades.
Ele conhecia os animais da região, mas apenas os
cumprimentava de longe:
– Como vai, dona Coelha? Bom dia, sabiá Rubens.
Mas era só isso. Cris pensava: “Não quero ninguém indo
na minha toca para tomar lanchinhos. Tenho tudo o que
preciso e não preciso de ninguém!”
Como tudo, as estações foram passando e chegou novamente
a época da seca, que veio muito forte naquele ano. Os
alimentos disponíveis foram diminuindo e os animais
começaram a ficar com medo. Não havia quase nada para
comer! Que fazer? Como alimentar os filhotes?
O único que não se preocupava era Cris. Passava os dias
alegre. Para que se preocupar? Sua despensa estava
cheia, como sempre.
Os outros animais sabiam que Cris tinha bastante comida.
Por esse motivo, resolveram pedir-lhe ajuda. Primeiro
foi Eri, o ouriço:
– Cris, não encontro mais folhas para comer. Você
poderia me emprestar um pouco? Quando voltarem as
chuvas, eu juntarei outras para você.
– Sinto muito, Eri, mas é impossível. Se eu der minhas
folhas, pode ser que faltem para mim.
Depois veio Rubens, o sabiá de peito vermelho:
– Cris, não há mais frutas na floresta. Por favor,
deixe-me comer um pouco das que você tem guardadas!
– Sem chance, Rubens! Deveria ter pensado nisso antes! –
respondeu o hamster, com ar superior.
Os animais, temendo morrer de fome, tiveram que migrar
temporariamente para outros lugares, perto de rios e
lagoas, onde ainda havia água e comida.
Cris continuou em sua toca, orgulhoso por ter sido
previdente e agora estar em melhor situação do que os
outros. Foi, porém, por pouco tempo. Mesmo com comida
sobrando, Cris precisava de água e passou a ter que
andar muito, todos os dias, para conseguir se hidratar.
Perto do lago, aonde ele ia, encontrou os outros
animais. Eles estavam bem, conversavam e se ajudavam.
Quando um deles achava comida, trazia para os outros, e
depois iam juntos colher mais.
Cris não participava disso, só bebia sua água e voltava
para casa, onde ficava triste e solitário.
Certo dia ele sentiu-se mal. O tempo, além de muito
seco, estava muito quente. Quando saiu da sua toca para
respirar melhor, sentiu cheiro de fumaça. Estava havendo
um incêndio na floresta.
O hamster, apavorado, saiu correndo em direção ao lago.
Era longe, mas ele estava com tanto medo que chegou lá
rapidinho.
– Socorro! – gritava ele. – O fogo vai destruir tudo!
Sua toca e seu estoque de comida eram tudo o que ele
tinha. Mas não havia o que ser feito. Alguns animais
tentaram acalmá-lo dizendo que o importante é que ele
estava bem e que depois poderia refazer sua casa. Mas
Cris ficou desolado.
Nesse momento, ele percebeu que não podia ter o controle
de todas as coisas. Ele costumava viver como se pudesse
prever e planejar tudo, mas não é assim que a vida
funciona. Ter estoques de comida era importante, mas não
era tudo.
Quando o incêndio passou, Cris, mesmo com muita
tristeza, quis ver sua toca. Então, o sabiá, o ouriço e
mais alguns animais se dispuseram a acompanhá-lo. Sabiam
que seria difícil para ele ver sua toca e sua comida
toda queimada.
– Nós vamos com você, Cris! – disse o ouriço.
Cris percebeu a boa vontade deles e aceitou, comovido.
Mas, quando chegaram ao local, que surpresa! O incêndio
tinha queimado tudo por perto, mas a toca e a comida
estavam preservadas.
Cris, que estava esperando o pior, deu um pulo de
alegria e de alívio.
– Viva! Obrigado, Deus! Por ter preservado minha casa
desse incêndio!
E olhando para os bichos, ainda completou:
– E por ter me dado esses amigos que vieram até aqui
para me apoiarem!
Cris estava muito feliz! Seu estoque de comida era muito
importante para ele. Era o fruto de muito trabalho.
Só que agora ele compreendia as coisas de outra maneira.
Então, depois de abraçar seus amigos, comemorando a boa
surpresa que tiveram, pediu que eles o ajudassem a
carregar os alimentos. Cris queria dividir a comida com
eles e com quem estivesse mais precisando.
Assim, aqueles animais passaram os últimos dias de seca
sem tantas necessidades. E foram dias felizes para Cris,
pois seu trabalho conseguiu aliviar o medo e a fome de
vários animaizinhos. Ele sentiu-se bem melhor com isso
do que sozinho em sua toca, com a ilusão de que poderia
garantir-se sozinho.
Quando veio a primeira chuva da temporada os animais
comemoraram juntos, dançando e pulando na chuva. Cris
estava entre eles.
Depois, as plantas renasceram e os animais voltaram para
suas casas na floresta.
Algumas delas tiveram que ser refeitas. Muita coisa
mudou, inclusive o Cris, que não deixou de guardar
alimentos e fazer suas provisões, mas não mais egoísta.
Ele continuou fazendo sua parte, mas também lembrando
que Deus pode tudo. E que a melhor previdência será
sempre a de fazermos a Sua vontade.
Assim que conseguiu juntar comida o bastante, Cris
resolveu dar uma festa para comemorar com seus amigos.
Foi a festa mais legal
que aconteceu naquela floresta. Cris percebeu que ser
egoísta não era bom, pois acabamos ficando sozinhos.
Ali, na festa, dividindo o que tinha com os outros,
sentiu que a vida com amigos é muito
melhor.
Fonte: Adaptação de história
extraída da Apostila de Evangelização da Editora
Aliança.