Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Egoísmo


Cris, o hamster


Cris era um hamster muito previdente que vivia na floresta. Ele gostava de estocar alimentos para passar o inverno. Em sua toca havia sempre grande quantidade  de sementes, frutos e folhas.

Cris pensava no futuro e isso era muito bom. O problema é que ele se preocupava tanto com isso, que não fazia mais nada na vida a não ser procurar comida.

Estava sempre cansado, não atendia os convites para um passeio ou mesmo uma conversa. Desconsiderava as amizades.

Ele conhecia os animais da região, mas apenas os cumprimentava de longe:

– Como vai, dona Coelha? Bom dia, sabiá Rubens.

Mas era só isso. Cris pensava: “Não quero ninguém indo na minha toca para tomar lanchinhos. Tenho tudo o que preciso e não preciso de ninguém!”

Como tudo, as estações foram passando e chegou novamente a época da seca, que veio muito forte naquele ano. Os alimentos disponíveis foram diminuindo e os animais começaram a ficar com medo. Não havia quase nada para comer! Que fazer? Como alimentar os filhotes?

O único que não se preocupava era Cris. Passava os dias alegre. Para que se preocupar? Sua despensa estava cheia, como sempre.

Os outros animais sabiam que Cris tinha bastante comida. Por esse motivo, resolveram pedir-lhe ajuda. Primeiro foi Eri, o ouriço:

– Cris, não encontro mais folhas para comer. Você poderia me emprestar um pouco? Quando voltarem as chuvas, eu juntarei outras para você.

– Sinto muito, Eri, mas é impossível. Se eu der minhas folhas, pode ser que faltem para mim.

Depois veio Rubens, o sabiá de peito vermelho:

– Cris, não há mais frutas na floresta. Por favor, deixe-me comer um pouco das que você tem guardadas!

– Sem chance, Rubens! Deveria ter pensado nisso antes! – respondeu o hamster, com ar superior.

Os animais, temendo morrer de fome, tiveram que migrar temporariamente para outros lugares, perto de rios e lagoas, onde ainda havia água e comida.

Cris continuou em sua toca, orgulhoso por ter sido previdente e agora estar em melhor situação do que os outros. Foi, porém, por pouco tempo. Mesmo com comida sobrando, Cris precisava de água e passou a ter que andar muito, todos os dias, para conseguir se hidratar.

Perto do lago, aonde ele ia, encontrou os outros animais. Eles estavam bem, conversavam e se ajudavam. Quando um deles achava comida, trazia para os outros, e depois iam juntos colher mais.

Cris não participava disso, só bebia sua água e voltava para casa, onde ficava triste e solitário.

Certo dia ele sentiu-se mal. O tempo, além de muito seco, estava muito quente. Quando saiu da sua toca para respirar melhor, sentiu cheiro de fumaça. Estava havendo um incêndio na floresta.

O hamster, apavorado, saiu correndo em direção ao lago. Era longe, mas ele estava com tanto medo que chegou lá rapidinho.

– Socorro! – gritava ele. – O fogo vai destruir tudo!

Sua toca e seu estoque de comida eram tudo o que ele tinha. Mas não havia o que ser feito. Alguns animais tentaram acalmá-lo dizendo que o importante é que ele estava bem e que depois poderia refazer sua casa. Mas Cris ficou desolado.

Nesse momento, ele percebeu que não podia ter o controle de todas as coisas. Ele costumava viver como se pudesse prever e planejar tudo, mas não é assim que a vida funciona. Ter estoques de comida era importante, mas não era tudo.

Quando o incêndio passou, Cris, mesmo com muita tristeza, quis ver sua toca. Então, o sabiá, o ouriço e mais alguns animais se dispuseram a acompanhá-lo. Sabiam que seria difícil para ele ver sua toca e sua comida toda queimada.

– Nós vamos com você, Cris! – disse o ouriço.

Cris percebeu a boa vontade deles e aceitou, comovido. Mas, quando chegaram ao local, que surpresa! O incêndio tinha queimado tudo por perto, mas a toca e a comida estavam preservadas.

Cris, que estava esperando o pior, deu um pulo de alegria e de alívio.

– Viva! Obrigado, Deus! Por ter preservado minha casa desse incêndio!

E olhando para os bichos, ainda completou:

– E por ter me dado esses amigos que vieram até aqui para me apoiarem!

Cris estava muito feliz! Seu estoque de comida era muito importante para ele. Era o fruto de muito trabalho.

Só que agora ele compreendia as coisas de outra maneira. Então, depois de abraçar seus amigos, comemorando a boa surpresa que tiveram, pediu que eles o ajudassem a carregar os alimentos. Cris queria dividir a comida com eles e com quem estivesse mais precisando.

Assim, aqueles animais passaram os últimos dias de seca sem tantas necessidades. E foram dias felizes para Cris, pois seu trabalho conseguiu aliviar o medo e a fome de vários animaizinhos. Ele sentiu-se bem melhor com isso do que sozinho em sua toca, com a ilusão de que poderia garantir-se sozinho.

Quando veio a primeira chuva da temporada os animais comemoraram juntos, dançando e pulando na chuva. Cris estava entre eles.

Depois, as plantas renasceram e os animais voltaram para suas casas na floresta.

Algumas delas tiveram que ser refeitas. Muita coisa mudou, inclusive o Cris, que não deixou de guardar alimentos e fazer suas provisões, mas não mais egoísta.

Ele continuou fazendo sua parte, mas também lembrando que Deus pode tudo. E que a melhor previdência será sempre a de fazermos a Sua vontade.

Assim que conseguiu juntar comida o bastante, Cris resolveu dar uma festa para comemorar com seus amigos.

Foi a festa mais legal que aconteceu naquela floresta. Cris percebeu que ser egoísta não era bom, pois acabamos ficando sozinhos. Ali, na festa, dividindo o que tinha com os outros, sentiu que a vida com amigos é muito melhor.

Fonte: Adaptação de história extraída da Apostila de Evangelização da Editora Aliança.


 


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