Artigos

por Nubor Orlando Facure

 

Penduricalhos da mente

Observar e perceber o mundo que nos cerca tem nuances de complexidade infinita.

O mesmo objeto, uma mesma pessoa ou um mesmo cenário podem despertar interpretações completamente diferentes conforme o "sentimento" de quem observa.

O mesmo mundo em que vivemos seria outro se aqui só vivessem sonhadores, místicos, poetas ou santos.

Em termos neuropsicológicos já sabemos que o nosso cérebro faz reconhecimento do mundo que nos cerca “sonhando” (criando) uma ideia a partir do que vai percebendo.

Perceber é tomar ciência do que está afetando os nossos sentidos. Daí a possibilidade do que for feio para um ser bonito para o outro.

Cada objeto que vemos desperta em nós lembranças antigas e vivências que são associadas, compondo nosso julgamento sobre este objeto. Por isso, cada um de nós “sonha” o mundo conforme suas experiências psíquicas pregressas.

Podemos dizer, também, que no dia a dia, ao observarmos a realidade que nos cerca, estaremos compondo em torno de nós um cenário mental com formas e figuras que nos acompanharão para sempre. O mais importante é que este cenário psíquico é que direcionará nossos comportamentos para sempre.

Nós sempre reagimos de conformidade com a interpretação que damos às coisas e às pessoas.

Como já vimos, nossas interpretações do mundo são, na verdade, julgamentos que o cérebro constrói com representações, com ideias que têm forma e movimento.

Considerando todas as mentes humanas capazes de pensar e criar, podemos deduzir que estamos mergulhados num mundo psíquico de proporções gigantescas e que, seguramente, interferimos uns sobre os outros, induzindo-nos a comportamentos coletivos massificantes.

Quando toda uma população vê uma notícia pela televisão ou lê a mesma notícia nos jornais, estas pessoas estarão criando representações mentais com referência a essas notícias.

Reconstruímos  e revivemos os cenários e as personagens envolvidas ou citadas nos noticiários que assimilamos. É como se o mesmo acontecimento se reproduzisse em cada mente que se liga ao episódio noticiado.

Nossa grande questão é saber se este “cenário” mental, com formas e personagens assim criados, tem alguma “realidade” física semelhante à que estamos vivendo, inseridos no mundo material que habitamos.

Na interpretação da física de hoje, o mundo de moléculas e átomos foi substituído por “campos de energia”. O comportamento aparentemente estável da matéria física foi substituído por “ondas” e “pacotes” de energia que se alternam na dependência da opinião do observador.

Portanto, a matéria se densifica em partículas ou se esvai em onda conforme o julgamento mental de quem participa do experimento. Em termos de matéria física, o ser e o desvanecer dependem da mente de quem observa o experimento.

A única coisa palpável que restou deste mundo físico de aparência estável é uma “espuma quântica” onde a matéria e a energia se relacionam.

Pelo menos em termos teóricos podemos pressupor outros “estados” da matéria como, por exemplo, a “matéria radiante” (fluido cósmico universal) sensível aos influxos da mente. 

A força mental que se expressa em pensamentos cria “onda” e “partículas” que também se coagulam concretizando as formas dos objetos e das pessoas em quem estamos pensando.

Enquanto a “espuma quântica” solidifica o mundo físico em que nos movimentamos, a “matéria radiante” corporifica o mundo mental que idealizamos. Assim como falamos em higiene e poluição do ambiente físico, podemos falar e, agora sim, falar “concretamente” em limpeza e poluição psíquica.

Estamos todos mergulhados num mundo psíquico mais “concreto” do que possamos supor e, nesse ambiente, a seleção das ideias facilitará um clima mental mais saudável ou mais poluído.

Uma simples notícia de jornal, uma conversa que nos emociona, um filme a que assistimos ou um episódio que relatamos criam junto de nós um ambiente psíquico que chamamos de "psicosfera".

Somos “caixeiros ambulantes” de ideias que podem facilmente nos identificar aos "clarividentes" deste mundo psíquico que nos envolve.

Estas "formas-pensamentos" um dia esclarecerão a etiologia de muitas doenças, principalmente as psicossomáticas, e o médico aprenderá a prescrever a prece e a meditação para equilíbrio da nossa psicosfera.

Cada um de nós terá uma responsabilidade individual para construir seu próprio mundo mental, selecionando o que fala, o que vê, o que ouve, o que lê, porque tudo isso implica incorporar para sempre matéria mental em nosso psiquismo.

Existe uma analogia interessante entre o ar que respiramos e os fluidos espirituais que nos sustentam. A respiração produz uma série de fenômenos no nosso corpo, e o pensamento constrói uma série de "perturbações" no nosso ambiente fluídico.

O termo psicosfera se encaixa bem como descrição do ambiente onde ocorrem essas perturbações psíquicas.

 

Lição de casa

Irradiamos continuamente os penduricalhos e os adornos cintilantes que povoam nossa psicosfera, tanto fatos nobres e positivos, como os nocivos e ilusórios:

Quadros tóxicos  criados por noticiários.

Maledicência que absorvemos sem filtro.

Críticas que passamos adiante por pura leviandade.

Desejos escusos que disfarçamos sem pudor.

Contrariedades que nos fervem o sangue.

Opiniões que defendemos por pura vingança.

Oração e jejum são vacinas sem custos para nos protegerem. 


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita