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por José Reis Chaves

 

A mediunidade na Bíblia e entre os apóstolos


Tanto a expressão ‘dons espirituais’ como a do ‘Espírito Santo’ não aparecem nos textos bíblicos originais, declara o Rev. Haraldur Nielsson, teólogo e tradutor da Bíblia dos originais dela em Hebraico e Grego para o islandês, atendendo a um pedido da Sociedade Bíblica Inglesa.

E os termos da Vulgata Latina ‘spiritum bonum’ de São Jerônimo correspondem exatamente aos dos originais gregos. A Vulgata, no Novo Testamento, não fala absolutamente em Espírito Santo." E no Velho só se fala em espírito e Espírito de Deus. Quanto aos dons espirituais, a situação é a mesma. Essa expressão só aparece nos textos paulinos, com a palavra grega charismata, que significa literalmente mediunidade, ou seja, o dom de ser intermediário entre os espíritos e os homens.

São muito importantes os estudos do Rev. Haraldur Nielsson, pastor e professor de Teologia na Faculdade de Teologia da Universidade de Reykjavik, é o que demonstra o seu livro Espiritismo e a Igreja, que foi logo traduzido para o Dinamarquês (original), Inglês, Francês, Espanhol e Português (1935).  Nielsson nos mostra que a palavra transe vem de êxtase na Bíblia. Eis uma das suas afirmações: "O próprio Paulo e Pedro nos dizem que estavam frequentemente em transe." Também João nos adverte para só acreditarmos  em espíritos bons (1 João 4:1). Paulo, igualmente, adverte-nos dizendo que "... ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz anátema contra Jesus..." (l Coríntios, 12:3).

E com o devido respeito, dizemos que nos textos bíblicos citados não se fala nada do Espírito Santo Trinitário, só criado no Concílio Ecumênico de 381, em Constantinopla.

A mediunidade era usada entre os judeus e entre os cristãos primitivos, e Nielsson acentua textualmente: "segundo a concepção dos tempos apostólicos, os espíritos podiam ser bons ou maus, muito evoluídos ou inferiores e atrasados." Isto explica as advertências apostólicas, pois nas assembleias cristãs manifestavam-se também os maus espíritos, amaldiçoando o Cristo para defenderem o Judaísmo ortodoxo ou mesmo para defenderem as religiões politeístas, que também usavam a mediunidade.

Vemos assim como são inúteis os ataques ao Espiritismo em nome da Bíblia, que é um livro mediúnico, e como os espiritistas e o Espiritismo nada têm a temer da Bíblia. É preciso apenas mostrar a verdade sobre a Bíblia, separar o que há nela de humano e divino, não a aceitar de olhos fechados, dogmaticamente, como "a palavra de Deus", o que é simples absurdo proveniente de épocas de fanatismo. A Bíblia é muito valiosa para os espiritistas estudiosos, porque é o maior e mais vigoroso testemunho da verdade espírita na Antiguidade.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita