A mediunidade na Bíblia e entre os
apóstolos
Tanto a expressão ‘dons espirituais’ como a do ‘Espírito
Santo’ não aparecem nos textos bíblicos originais,
declara o Rev. Haraldur Nielsson, teólogo e tradutor da
Bíblia dos originais dela em Hebraico e Grego para o
islandês, atendendo a um pedido da Sociedade Bíblica
Inglesa.
E os termos da Vulgata Latina ‘spiritum bonum’ de São
Jerônimo correspondem exatamente aos dos originais
gregos. A Vulgata, no Novo Testamento, não fala
absolutamente em Espírito Santo." E no Velho só se fala
em espírito e Espírito de Deus. Quanto aos dons
espirituais, a situação é a mesma. Essa expressão só
aparece nos textos paulinos, com a palavra grega
charismata, que significa literalmente mediunidade, ou
seja, o dom de ser intermediário entre os espíritos e os
homens.
São muito importantes os estudos do Rev. Haraldur
Nielsson, pastor e professor de Teologia na Faculdade
de Teologia da Universidade de Reykjavik, é o que
demonstra o seu livro Espiritismo
e a Igreja,
que foi logo traduzido para o Dinamarquês (original),
Inglês, Francês, Espanhol e Português (1935). Nielsson
nos mostra que a palavra transe vem de êxtase na Bíblia.
Eis uma das suas afirmações: "O próprio Paulo e Pedro
nos dizem que estavam frequentemente em transe." Também
João nos adverte para só acreditarmos em espíritos bons
(1 João 4:1). Paulo, igualmente, adverte-nos dizendo que
"... ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz anátema
contra Jesus..." (l Coríntios, 12:3).
E com o devido respeito, dizemos que nos textos bíblicos
citados não se fala nada do Espírito Santo Trinitário,
só criado no Concílio Ecumênico de 381, em
Constantinopla.
A mediunidade era usada entre os judeus e entre os
cristãos primitivos, e Nielsson acentua textualmente:
"segundo a concepção dos tempos apostólicos, os
espíritos podiam ser bons ou maus, muito evoluídos ou
inferiores e atrasados." Isto explica as advertências
apostólicas, pois nas assembleias cristãs
manifestavam-se também os maus espíritos, amaldiçoando o
Cristo para defenderem o Judaísmo ortodoxo ou mesmo para
defenderem as religiões politeístas, que também usavam a
mediunidade.
Vemos assim como são inúteis os ataques ao Espiritismo
em nome da Bíblia, que é um livro mediúnico, e como os
espiritistas e o Espiritismo nada têm a temer da Bíblia.
É preciso apenas mostrar a verdade sobre a Bíblia,
separar o que há nela de humano e divino, não a aceitar
de olhos fechados, dogmaticamente, como "a palavra de
Deus", o que é simples absurdo proveniente de épocas de
fanatismo. A Bíblia é muito valiosa para os espiritistas
estudiosos, porque é o maior e mais vigoroso testemunho
da verdade espírita na Antiguidade.
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