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por Marcos Paulo de Oliveira Santos

Natal: uma experiência que se renova todos os dias


Há pouco estávamos celebrando o Natal. Mal nos demos conta, e ele já ficou para trás, como acontece todos os anos. A data chega, emociona, reúne famílias e amigos em torno de uma mesa, de uma ceia, de gestos simbólicos de afeto. É, sem dúvida, um momento especial. Mas também é breve. E então surge a pergunta inevitável: será que o Natal se resume a isso?

Circula uma mensagem singela e profunda que nos convida a ampliar esse olhar. Ela nos recorda que é Natal cada vez que duas pessoas se entendem e se perdoam. É Natal quando exercitamos a paciência com aqueles que convivem conosco. É Natal quando ajudamos alguém, quando escolhemos a honestidade como princípio de vida, quando nasce uma criança ou quando respeitamos e cuidamos de um idoso.

É Natal quando duas pessoas se amam com um sentimento limpo, profundo e sincero. Quando olhamos o outro com os olhos do coração, sem julgamentos apressados nem críticas destrutivas. Quando socorremos um animal em sofrimento e lhe devolvemos dignidade. Quando repartimos o pão da nossa mesa. Quando demonstramos amor ao próximo, não apenas em palavras, mas em atitudes concretas.

É Natal, sobretudo, quando realizamos a chamada reforma íntima: esse esforço diário de nos tornarmos melhores do que fomos ontem, dando novo sentido e conteúdo à nossa existência.

Porque o verdadeiro Natal não cabe em uma única noite. Ele é amor vivido todos os dias. É paz construída no cotidiano. É caridade em ação. É justiça aliada à compreensão. É respeito constante. É autoamor equilibrado. É atitude positiva diante da vida. É compromisso com o bem, hoje e sempre.

Dessas vivências nascem a esperança, a alegria e a paz duradoura — não aquela efêmera, restrita ao clima festivo de dezembro, mas a que se estabelece no íntimo e se irradia para o mundo.

Não haverá verdadeiro Natal enquanto celebrarmos apenas uma noite de fraternidade e, no restante do ano, permitirmos o desamor, a indiferença e o desrespeito.

Não haverá substancial sentido natalino se perdemos nosso precioso tempo com frivolidades; maledicências e retaliações.

Seguramente não é isso que Jesus espera de nós. O Cristo não nos convidou a rituais vazios, mas a uma transformação real do coração.

Que possamos, portanto, refletir e cuidar para que nossa vida se torne um Natal permanente — um exercício contínuo de amor, solidariedade e luz.

Feliz Natal. Hoje, amanhã e todos os dias. (*)

 

(*) Este texto foi redigido depois do Natal de 2025.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita