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Natal: uma experiência que se renova
todos os dias
Há pouco estávamos celebrando o Natal. Mal nos demos
conta, e ele já ficou para trás, como acontece todos os
anos. A data chega, emociona, reúne famílias e amigos em
torno de uma mesa, de uma ceia, de gestos simbólicos de
afeto. É, sem dúvida, um momento especial. Mas também é
breve. E então surge a pergunta inevitável: será que o
Natal se resume a isso?
Circula uma mensagem singela e profunda que nos convida
a ampliar esse olhar. Ela nos recorda que é Natal cada
vez que duas pessoas se entendem e se perdoam. É Natal
quando exercitamos a paciência com aqueles que convivem
conosco. É Natal quando ajudamos alguém, quando
escolhemos a honestidade como princípio de vida, quando
nasce uma criança ou quando respeitamos e cuidamos de um
idoso.
É Natal quando duas pessoas se amam com um sentimento
limpo, profundo e sincero. Quando olhamos o outro com os
olhos do coração, sem julgamentos apressados nem
críticas destrutivas. Quando socorremos um animal em
sofrimento e lhe devolvemos dignidade. Quando repartimos
o pão da nossa mesa. Quando demonstramos amor ao
próximo, não apenas em palavras, mas em atitudes
concretas.
É Natal, sobretudo, quando realizamos a chamada reforma
íntima: esse esforço diário de nos tornarmos melhores do
que fomos ontem, dando novo sentido e conteúdo à nossa
existência.
Porque o verdadeiro Natal não cabe em uma única noite.
Ele é amor vivido todos os dias. É paz construída no
cotidiano. É caridade em ação. É justiça aliada à
compreensão. É respeito constante. É autoamor
equilibrado. É atitude positiva diante da vida. É
compromisso com o bem, hoje e sempre.
Dessas vivências nascem a esperança, a alegria e a paz
duradoura — não aquela efêmera, restrita ao clima
festivo de dezembro, mas a que se estabelece no íntimo e
se irradia para o mundo.
Não haverá verdadeiro Natal enquanto celebrarmos apenas
uma noite de fraternidade e, no restante do ano,
permitirmos o desamor, a indiferença e o desrespeito.
Não haverá substancial sentido natalino se perdemos
nosso precioso tempo com frivolidades; maledicências e
retaliações.
Seguramente não é isso que Jesus espera de nós. O Cristo
não nos convidou a rituais vazios, mas a uma
transformação real do coração.
Que possamos, portanto, refletir e cuidar para que nossa
vida se torne um Natal permanente — um exercício
contínuo de amor, solidariedade e luz.
Feliz Natal. Hoje, amanhã e todos os dias. (*)
(*) Este texto
foi redigido depois do Natal de 2025.
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