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Natural de Salvador (BA), onde também reside,
James Nei Sousa da Silva (foto) é
publicitário, fotógrafo e gerente comercial da
Super Revista ABASE – Associação Baiana de
Supermercados. Vincula-se à Casa do Caminho e à
Associação Espírita Humberto de Campos, na mesma
cidade. Em ambas atua como coordenador de
estudos, porém na primeira delas com foco
específico no livro A Gênese. É também
apresentador do canal Reencontro com a Vida, no
YouTube, com estudos da Série Psicológica de
Joanna de Ângelis e da série de obras de Amélia
Rodrigues. Nesta entrevista ele nos fala sobre
sua trajetória espírita e o projeto Casa do
Livro.
Sendo espírita de infância, como sentiu a
influência da família em sua atividade espírita
da atualidade?
Aos 5 anos, em 1966, meu pai já me conduzia para
a Evangelização Infantil na antiga União
Espírita Baiana, fundada por José Petitinga em
25 de dezembro de 1915, no Centro Histórico de
Salvador (atual FEEB - Federação Espírita do
Estado da Bahia). Em toda a trajetória da minha
existência atual fui conduzido e orientado pelos
postulados da doutrina espírita e aos 22 anos já
realizava as minhas primeiras palestras e
participava das Juventudes Espíritas nos anos
1980 nos encontros da CONJEB - Confraternização
das Juventudes Espíritas da Bahia. Aos 25 anos
tornei-me presidente da Associação Espírita
Humberto de Campos, instituição que meus pais,
ao lado de outros demais confrades, fundaram em
5 de julho de 1970. Aos 40 anos passei a atuar
como Coordenador e Diretor do antigo
Departamento Doutrinário da Federação Espírita
do Estado da Bahia.
O Espiritismo sempre foi a bússola de orientação
ao longo da minha trajetória existencial,
conhecendo, convivendo e mantendo contatos com
esses grandes vultos do Espiritismo da Bahia, do
Brasil e dos Estados Unidos, fato que muito
influenciou a minha conduta como espírita.
Refiro-me a personalidades como Ildefonso do
Espírito Santo, Adilton Pugliese, Divaldo
Franco, Hermínio Miranda, Hernani Guimarães
Andrade, Dr. Ian Stevenson, Aurelino Mota de
Carvalho, Carlos Bernardo Loureiro, Valter
Oliveira, João Oliveira, Florêncio Amaro, Edson
Dias, André Peixinho, Elzio Souza e Chico
Xavier.
De onde lhe veio seu interesse pela literatura?
Aos 12 anos estudava em um Colégio em tempo
integral, a Escola Parque, projeto do professor
Anísio Teixeira nos anos 1970, em Salvador. A
professora de Artes perguntou se eu desejava
aprender a tocar Piano ou trabalhar nas artes da
Oficina com Carpintaria ou reformando livros.
Então escolhi aprender a reformar livros de capa
dura, esse foi o meu primeiro encontro com o
universo do livro.
A minha infância e adolescência sempre estive
convivendo com a literatura espírita. Meu pai
contava histórias para meus irmãos no período da
nossa infância. Ele possuía uma pequena estante
com toda a obra de Allan Kardec e vários livros
de André Luiz, Zilda Gama e outros. Essa estante
ficava exatamente na entrada do meu quarto, onde
eu e meus irmãos dormíamos.
Fale-nos sobre a Casa do Livro.
A Casa do Livro, com uma cafeteria localizada em
um dos bairros históricos de Salvador, no Santo
Antônio Além do Carmo, em um Casarão Centenário,
tem como proposta oferecer um espaço cultural
para a sociabilidade do saber. É um novo espaço
para a construção de conhecimento e fermentação
de ideias com Café literário, palestras
literárias, lançamentos de novos autores, clube
do livro e uma programação de Podcast com a
presença de dois convidados por mês com
temáticas de saúde, Religiosidade, Ciências
Sociais, Meio Ambiente, Arte e Cultura. A
inauguração está prevista para 2026.
Quais as providências em andamento e o
planejamento para mais incentivo à leitura?
Mais investimento no incentivo à leitura,
produzir campanhas nas redes sociais
incentivando o contato físico com o universo do
livro nas Bienais. Em Salvador, em maio de 2024,
durante uma semana registraram-se
aproximadamente 100 mil visitantes. A Região
Metropolitana de Salvador, que inclui a capital
e outros municípios ao redor, tem uma população
estimada em cerca de 3,6 milhões de habitantes. Apesar
de governo e órgãos da imprensa divulgarem nos
meios de comunicação, em face dessa imensa
população deveria haver muito mais visitantes.
Então precisamos criar projetos que facilitem o
acesso ao livro.
De sua vivência como palestrante, que
experiência gostaria de transmitir aos leitores?
Vivenciar ao máximo possível o que temos
aprendido na tribuna espírita e nos estudos
porque o comunicador é quem deve ser o primeiro
a se esforçar em colocar em prática o que
estamos transmitindo. Então eu diria: “Homem,
conhece-te a ti mesmo”.
Estava em uma praça de alimentação, por volta do
meio dia almoçando. Eu tinha saído de uma
reunião com o gerente de um banco e ele cancelou
o meu cheque especial. Eu estava muito
aborrecido e estressado. De repente uma senhora
sentou-se à minha frente. Estava tão aborrecido
que eu disse a mim mesmo “se essa senhora
desejar conversar eu vou ficar calado”. Então
aconteceu o inesperado. A distinta senhora
disse-me: James Nei, como vai, meu
filho? Assisti a uma de suas palestras no Centro
Espírita Paulo e Estêvão. Você falava sobre
Gratidão e essa palestra muito amenizou as
minhas angústias. Então, caros amigos, somos
testados em todos os momentos.
Sobre o movimento espírita baiano e nacional,
como o sente?
O Espiritismo na Bahia é muito dinâmico e
atuante. A Federação Espírita da Bahia tem
realizado anualmente as macrorregionais
promovendo ações de intercâmbio entre as
instituições. A Caravana Baiana da Fraternidade
ao longo de mais de duas décadas tem como
objetivo também promover ações de fortalecimento
das casas espíritas.
Quais repercussões gostaria de citar
relativamente ao recente Congresso Espírita da
Bahia?
O 21º Congresso Espírita da Bahia, realizado em
outubro de 2025, com o tema “Nascer, morrer,
renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”
certamente foi bastante exitoso e contou com a
presença de companheiros conferencistas do Pará,
Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São
Paulo, Maranhão e Distrito Federal.
Algo mais que gostaria de acrescentar?
Sejamos gratos pela oportunidade de existirmos
como seres humanos aproveitando as lições que a
vida vai nos oportunizando para o nosso
crescimento espiritual.
Suas palavras finais.
Agradeço o convite para contribuir com esta
entrevista para a revista O Consolador.
Nota do Autor:
Toda e qualquer ajuda para o
sucesso da Casa do Livro será bem-vinda. Os
contatos com o nosso entrevistado podem ser
feitos através do e-mail sousa.james@gmail.com

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