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por Wagner Ideali

 

O sentido de evoluir: uma visão espírita


“Sede, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.” - Mateus, 5:48.


Por que evoluir, e o que é evoluir, dentro da ótica espírita?
A Doutrina Espírita, revelada pelos Espíritos Superiores e codificada por Allan Kardec, ensina-nos que a evolução é a lei suprema da vida. Tudo no Universo caminha em direção ao aperfeiçoamento: desde o átomo até o arcanjo, como afirma O Livro dos Espíritos. O ser humano, em sua longa trajetória milenar, vem conquistando, passo a passo, a consciência de sua imortalidade e o senso de responsabilidade perante as Leis Divinas.


1. O despertar da consciência

Por muitos séculos, reencarnamos mergulhados nas experiências materiais, em que a luta pela sobrevivência e a satisfação dos instintos imediatos predominavam sobre as aspirações da alma. Nesse estágio, como ensina Joanna de Ângelis, vivemos um “sono sem sonhos”, em que “a consciência se mantém adormecida, e o ser atua apenas pelos automatismos orgânicos e psíquicos elementares”. A vida, então, restringe-se ao efêmero: trabalho, prazer, poder, posse. Mas, inevitavelmente, surge o vazio — o sofrimento — que nos desperta para perguntas mais profundas: Quem sou eu? Para onde vou? Qual o sentido de viver?


2. O papel do sofrimento na evolução

O sofrimento, sob a ótica espírita, não é castigo, mas consequência educativa de nossos próprios atos. Ele atua como um mestre severo, mas justo, conduzindo-nos ao reajuste moral e espiritual. Cada dor, cada perda, cada decepção, quando bem compreendida, é um convite à transformação íntima, à revisão dos valores e das condutas. Como ensina Emmanuel, “a dor é a bênção que desperta o Espírito para a luz”.


3. O caminho da superação do ego

Com o passar das encarnações, começamos a acordar do sono sem sonhos e ingressar no sono com sonhos, conforme descreve Joanna. Nessa fase, a alma desperta para ideais mais elevados, impulsionada pela determinação pessoal aliada à vontade, que conduz o ser à descoberta da finalidade da sua existência e das aspirações do que lhe é essencial. Passamos, então, a buscar o sentido da vida não nas aparências, mas no ser, e percebemos que evoluir não é um dever imposto, mas uma necessidade natural do Espírito que anseia pela plenitude.


4. Viver Jesus: a plenitude do ser

Evoluir é despertar. É deixar de ser guiado apenas pelos instintos e pelas ilusões do ego para viver sob a luz da consciência e do amor. É compreender, como nos ensina o Cristo, que o Reino de Deus não vem com aparências exteriores, porque “o Reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17:21). A verdadeira evolução ocorre, portanto, de dentro para fora, através da reforma íntima, da superação do orgulho e do egoísmo, e do cultivo do amor universal.


5. A consciência cósmica e a união com o divino

É nesse contexto que compreendemos que viver Jesus não é apenas segui-Lo exteriormente, mas assimilar o Seu modo de ser, transformando nossas atitudes e sentimentos à luz do Evangelho. Jesus é o modelo da consciência cósmica realizada — o Espírito que atingiu a perfeita união com o Pai. Quando afirmou: “Eu e o Pai somos Um” (João 10:30), expressava o estado supremo de integração com as Leis Divinas, não por ser Deus, mas por haver alcançado a perfeita sintonia com o Amor Universal.


6. Transcendendo o ego e servindo ao mundo

A evolução espiritual nos convida, portanto, a transcender o ego, a libertar-nos das ilusões do poder e do interesse pessoal. Gandhi, em seu exemplo sublime, mostrou-nos a força do Espírito que age além do ego — que ama, serve e transforma sem recorrer à violência. Assim também cada um de nós, ao renunciar às paixões inferiores, torna-se instrumento do bem e da paz no mundo.


7. A verdadeira felicidade e o reino de Deus interior

As ciências, as filosofias e as religiões, cada uma a seu modo, buscam compreender a vida e o ser. Contudo, somente pela evolução interior, pelo autoconhecimento e pela vivência do amor, é que alcançaremos a visão mais ampla — a que Joanna chama de consciência cósmica. Nesse nível de percepção, o Espírito identifica-se plenamente com os ideais superiores da Criação, participando da harmonia divina e tornando-se colaborador de Deus na obra do progresso universal.


Conclusão

Evoluir, enfim, é elevar-se em direção à luz, libertar-se da ignorância e da dor, e viver a plenitude do amor. É compreender que a vida não é uma sucessão de acasos, mas um roteiro de aprendizado, cuidadosamente traçado pela Sabedoria Divina. Quando despertamos para essa realidade, passamos a ver a existência com outros olhos — os olhos da alma — e percebemos que o sentido de evoluir é, em última instância, aprender a amar como ama o Cristo.


 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita