A polêmica doutrinária do pecado original
A doutrina do pecado original que virou dogma é uma das
que mais dividem os teólogos cristãos. E foi com Santo
Agostinho que ela ganhou mais impulso lá pelo final do
Século IV e início do Século V da Era Cristã. Isentos
dele são somente Jesus e sua Mãe, Nossa Senhora.
Vamos abordar o assunto com clareza, mas sem a intenção
de ofender nenhum dos adeptos de qualquer igreja cristã
que creem nessa doutrina do pecado original como sendo
verdadeira.
No passado longínquo, tendo em vista o atraso cultural
das pessoas, essa crença tinha razão de ser. Mas em
nossos dias, com a evolução que houve de um modo geral,
e de modo especial no entendimento correto da Bíblia,
não fica bem, principalmente para o clero católico, tão
culto, divulgar como sendo verdadeira essa doutrina que
a Igreja teve que transformar em dogma, para que ela não
soçobrasse, pois que é antirracional e contra partes da
própria Bíblia!
O que ocorre é a verdade do carma: “Ninguém deixará de
pagar tudo até o último ceitil” (Mateus 5:26). E,
frequentemente, o indivíduo não paga certos pecados na
mesma vida ou reencarnação em que os cometeu; então,
como o espírito ou a alma dele é imortal, ele paga o
pecado cometido em vida anterior numa futura
reencarnação. E esse pagamento é o que se chama
pagamento do seu carma.
Jesus nunca condenou a reencarnação e o carma, que eram
bem conhecidos dos judeus. Aliás, Jesus era judeu.
Um pai não pode ser morto pelo pecado do filho e nem o
filho pode ser morto pelo pecado do pai (Ezequiel
18:20). Como, então, termos culpa e a consequente pena
do longínquo pecado de Adão e Eva? É comum o espírito do
pai (o pecador) reencarnar num familiar, mas somente da
terceira e quarta geração em diante, ou seja, dos netos
e bisnetos, quando o pai (o pecador), avô ou bisavô,
geralmente, já desencarnou, e o espírito livre pode,
pois, reencarnar de novo e, então, poder assim pagar seu
pecado cometido quando foi o pai pecador. Isso tem mais
sentido quando se sabe que, antigamente, de um modo
geral, as pessoas viviam muito menos. E como, pois, as
pessoas terem de pagar o pecado dos nossos pais Adão e
Eva tão distantes de nós? Além disso, muitos teólogos de
hoje admitem que a história de Adão e Eva não pode ser
interpretada literalmente, como um fato real, pois se
trataria de uma metáfora.
Os judeus, os islâmicos e os espíritas não creem no
pecado original. E há muitos cristãos que, anonimamente,
discordam também desse dogma, embora fiquem em silêncio
sobre suas dificuldades para crerem nele. Aliás, isso
ocorre, também, com outras doutrinas.
|