Acolhimento e pertencimento no centro
espírita
A fraternidade e a solidariedade são duas virtudes que
devem caracterizar o verdadeiro espírita, seja onde ele
estiver e com quem se relacione, pois não admitem
preconceitos e discriminações, a todos amando
indistintamente. Pois bem, esse comportamento também
deve ser exercido no ambiente do Centro Espírita, assim
evitando um automatismo no desempenho dos serviços,
sempre lembrando que são as pessoas que fazem o Centro
Espírita, portanto o relacionamento amigo e afetivo deve
estar sempre presente.
Devemos bem acolher tanto os que já se habituaram a
frequentar quanto a trabalhar, mas igualmente devemos
bem acolher os que estão chegando pela primeira vez. Um
acolhimento com base num sorriso, demonstrando alegria;
com base num aperto carinhoso de mão; numa escuta
atenciosa; num encaminhamento fraterno com as
explicações necessárias dadas de boa vontade; tudo isso
significa bem acolher, mostrando quanto a pessoa é
bem-vinda, ofertando-lhe consolo e esclarecimento, com
base no Evangelho e nos ensinos do Espiritismo.
Pouco importa a idade da pessoa ou sua condição física
ou mental; se conhece a doutrina espírita ou se a
ignora; toda e qualquer pessoa deve ser bem acolhida, o
que vai além de uma simples recepção com informações
preestabelecidas. Acolher fraternalmente é proporcionar
uma melhor integração da pessoa com o Centro Espírita e
com a doutrina, estabelecendo vínculos afetivos que
facilitarão sua inserção e fixação no núcleo de
aprendizado e trabalho que deve se caracterizar como uma
comunidade viva, atuante, dinâmica.
Agora, não basta fazer um bom acolhimento, é necessário
trabalhar o pertencimento, ou seja, levar a pessoa a se
sentir bem no Centro Espírita e a se entrosar nas
diversas tarefas, abraçando a causa através das
diferentes frentes de trabalho ofertadas. Ela deve
sentir que a casa também é sua, que ela faz parte de uma
equipe trabalhando pelo bem comum. Para que o
pertencimento tenha raízes, devem os dirigentes promover
regularmente rodas de conversa, onde a dinâmica tem por
finalidade ouvir, avaliar e, em seguida, implementar o
que for decidido.
É assim, sendo ouvida, que a pessoa sentirá que existe
não apenas acolhimento, mas igualmente pertencimento,
pois estará diretamente envolvida, e suas demandas não
serão ignoradas, o que a levará a estar cada vez mais
interessada e entrosada no Centro Espírita.
Essa dinâmica é muito importante, por exemplo, para o
estabelecimento dos temas a serem abordados nas
palestras públicas, pois eles passarão a contemplar os
reais interesses das pessoas. Também deve ser
implementada nos grupos de estudo, onde o facilitador
deverá estimular a troca de ideias, o interesse pela
leitura, provocando a participação, o que facilitará
imensamente o entendimento do que está sendo estudado. E
também deve estar presente na evangelização, quer das
crianças quanto dos jovens, permitindo a ampla
participação na realização dos aprendizados.
Quem não gosta de um ambiente ao mesmo tempo fraterno e
convidativo à participação? Pois esse é o objetivo do
acolhimento e do pertencimento, aqui lembrando que
estamos na Terra de passagem e, por isso mesmo, somos
substituíveis, mas quem nos substituirá se mantemos as
portas fechadas para a participação e a renovação?
Estamos numa dinâmica social muito diferente de vinte ou
trinta anos atrás, não apenas por causa das tecnologias
que hoje nos desafiam, mas principalmente porque estamos
diante de uma geração de espíritos reencarnados que é
desafiadora, com muitos ainda mergulhados no
materialismo e, podemos dizer, perdidos quanto aos
valores humanos, quanto aos ideais mais enobrecidos do
viver. Por tudo isso, não podemos continuar a fazer no
Centro Espírita as mesmas coisas, e do mesmo jeito, que
fazíamos anteriormente. Novos paradigmas existenciais
exigem uma nova dinâmica, sem nunca perder,
naturalmente, as diretrizes doutrinárias tão seguramente
apresentadas pelos Espíritos Superiores e por Allan
Kardec.
Acolhimento e pertencimento são fundamentais para a boa
estrutura do Centro Espírita, pois não basta ter um
estatuto muito bem elaborado, ou uma sede física bem
organizada, pois o Centro Espírita são as pessoas, e
elas devem nele se sentir bem, integradas, tendo direito
a participar, e não simplesmente obedecer a ordens
provindas da diretoria.
Disse o Cristo: “meus discípulos serão conhecidos por
muito se amarem”. Sendo o Centro Espírita um núcleo
cristão envolvido pela imortalidade da alma, devem as
ações e vibrações de seus colaboradores representarem
legitimamente a fraternidade e a solidariedade, o que
significa, em última palavra, a representação do
Evangelho.
Marcus De Mario é escritor, educador, palestrante;
coordena o Seara de Luz, grupo on-line de estudo
espírita; edita o canal Orientação Espírita no YouTube;
é editor-chefe da Revista Educação Espírita; produz e
apresenta programas espíritas na internet; possui 40
livros publicados.
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