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por Marcus De Mario

 

Acolhimento  e pertencimento no centro espírita


A fraternidade e a solidariedade são duas virtudes que devem caracterizar o verdadeiro espírita, seja onde ele estiver e com quem se relacione, pois não admitem preconceitos e discriminações, a todos amando indistintamente. Pois bem, esse comportamento também deve ser exercido no ambiente do Centro Espírita, assim evitando um automatismo no desempenho dos serviços, sempre lembrando que são as pessoas que fazem o Centro Espírita, portanto o relacionamento amigo e afetivo deve estar sempre presente.

Devemos bem acolher tanto os que já se habituaram a frequentar quanto a trabalhar, mas igualmente devemos bem acolher os que estão chegando pela primeira vez. Um acolhimento com base num sorriso, demonstrando alegria; com base num aperto carinhoso de mão; numa escuta atenciosa; num encaminhamento fraterno com as explicações necessárias dadas de boa vontade; tudo isso significa bem acolher, mostrando quanto a pessoa é bem-vinda, ofertando-lhe consolo e esclarecimento, com base no Evangelho e nos ensinos do Espiritismo.

Pouco importa a idade da pessoa ou sua condição física ou mental; se conhece a doutrina espírita ou se a ignora; toda e qualquer pessoa deve ser bem acolhida, o que vai além de uma simples recepção com informações preestabelecidas. Acolher fraternalmente é proporcionar uma melhor integração da pessoa com o Centro Espírita e com a doutrina, estabelecendo vínculos afetivos que facilitarão sua inserção e fixação no núcleo de aprendizado e trabalho que deve se caracterizar como uma comunidade viva, atuante, dinâmica.

Agora, não basta fazer um bom acolhimento, é necessário trabalhar o pertencimento, ou seja, levar a pessoa a se sentir bem no Centro Espírita e a se entrosar nas diversas tarefas, abraçando a causa através das diferentes frentes de trabalho ofertadas. Ela deve sentir que a casa também é sua, que ela faz parte de uma equipe trabalhando pelo bem comum. Para que o pertencimento tenha raízes, devem os dirigentes promover regularmente rodas de conversa, onde a dinâmica tem por finalidade ouvir, avaliar e, em seguida, implementar o que for decidido.

É assim, sendo ouvida, que a pessoa sentirá que existe não apenas acolhimento, mas igualmente pertencimento, pois estará diretamente envolvida, e suas demandas não serão ignoradas, o que a levará a estar cada vez mais interessada e entrosada no Centro Espírita.

Essa dinâmica é muito importante, por exemplo, para o estabelecimento dos temas a serem abordados nas palestras públicas, pois eles passarão a contemplar os reais interesses das pessoas. Também deve ser implementada nos grupos de estudo, onde o facilitador deverá estimular a troca de ideias, o interesse pela leitura, provocando a participação, o que facilitará imensamente o entendimento do que está sendo estudado. E também deve estar presente na evangelização, quer das crianças quanto dos jovens, permitindo a ampla participação na realização dos aprendizados.

Quem não gosta de um ambiente ao mesmo tempo fraterno e convidativo à participação? Pois esse é o objetivo do acolhimento e do pertencimento, aqui lembrando que estamos na Terra de passagem e, por isso mesmo, somos substituíveis, mas quem nos substituirá se mantemos as portas fechadas para a participação e a renovação?

Estamos numa dinâmica social muito diferente de vinte ou trinta anos atrás, não apenas por causa das tecnologias que hoje nos desafiam, mas principalmente porque estamos diante de uma geração de espíritos reencarnados que é desafiadora, com muitos ainda mergulhados no materialismo e, podemos dizer, perdidos quanto aos valores humanos, quanto aos ideais mais enobrecidos do viver. Por tudo isso, não podemos continuar a fazer no Centro Espírita as mesmas coisas, e do mesmo jeito, que fazíamos anteriormente. Novos paradigmas existenciais exigem uma nova dinâmica, sem nunca perder, naturalmente, as diretrizes doutrinárias tão seguramente apresentadas pelos Espíritos Superiores e por Allan Kardec.

Acolhimento e pertencimento são fundamentais para a boa estrutura do Centro Espírita, pois não basta ter um estatuto muito bem elaborado, ou uma sede física bem organizada, pois o Centro Espírita são as pessoas, e elas devem nele se sentir bem, integradas, tendo direito a participar, e não simplesmente obedecer a ordens provindas da diretoria.

Disse o Cristo: “meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”. Sendo o Centro Espírita um núcleo cristão envolvido pela imortalidade da alma, devem as ações e vibrações de seus colaboradores representarem legitimamente a fraternidade e a solidariedade, o que significa, em última palavra, a representação do Evangelho.


Marcus De Mario é escritor, educador, palestrante; coordena o Seara de Luz, grupo on-line de estudo espírita; edita o canal Orientação Espírita no YouTube; é editor-chefe da Revista Educação Espírita; produz e apresenta programas espíritas na internet; possui 40 livros publicados.


 
 

     
     

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