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Léon Denis e Kardec
Léon Denis foi sem dúvida um dos mais importantes
personagens na história do Espiritismo do séc. XIX
depois de Allan Kardec. Isso se deve principalmente ao
fato de, além de ter conhecido Kardec em vida e
participado de atividades com ele, ter elaborado obras
que são um resumo e uma continuação do trabalho do
Mestre. Por esse motivo ficou conhecido como
Consolidador do Espiritismo ou Apóstolo do Espiritismo.
Léon Denis ao longo da sua vida foi um grande
divulgador, que utilizava a oratória, pois tinha uma
grande facilidade de expor com clareza e segurança, ao
mesmo tempo com simplicidade, as verdades espíritas com
relação à sobrevivência do espírito e à morte do corpo
físico.
Sob orientação dos seus mentores, procurava, após suas
palestras e seminários, escrever tudo que ele havia
organizado. Tinha uma capacidade de memorização que lhe
permitia fazer grandes anotações, que com o tempo
acabaram se transformando em livros. Um desdobramento e
uma análise do seu trabalho, isso sem levar em conta que
ele teve oportunidade de conviver com o codificador.
“É suficiente reler os livros do mestre Denis para
compreendermos o sentido de suas repetidas advertências,
entendermos a razão de suas apreensões pelas catástrofes
motivadas pelos nossos erros e a nossa insensata
cegueira”. (1)
Apesar das grandes dificuldades que encontrou na
infância para estudar e até se alfabetizar, devido a sua
origem familiar simples, tornou-se um autodidata e com o
tempo um homem erudito, estimulando a leitura e criação
de livrarias pelas cidades que visitava. O seu trabalho
de representante comercial o obrigava a viagens
constantes, permitindo que percorresse várias cidades
pelo interior da França.
“...não se querendo limitar unicamente aos fatos,
volta-se para a mais evidente realidade, a do espírito
(razão, consciência, sentimento), a única que pode
conduzir à Causa Primária e liga verdadeiramente o homem
ao Universo.
...o enigma da vida se apresentava ao seu espírito
com uma força imperiosa e ele não era homem de se curvar
diante do dogma do que “não pode ser conhecido”. (1)
Quando Léon Denis aos seus 18 anos conheceu O Livro
dos Espíritos, em 1864, Kardec ganhou um discípulo
que se deslumbrou pelas mesas girantes:
“(...) o entusiasmo era geral e, nenhuma festa, nenhuma
reunião íntima terminava sem algumas experiências desse
gênero.
Em Tours, como em Paris, e em numerosas outras
cidades, círculos de estudo eram constituídos, abordando
sem uma preparação adequada os fenômenos perturbadores
do psiquismo.” (1)
Allan Kardec tinha vindo passar alguns dias com amigos
espíritas de Touraine, quando Léon Denis junto com
outros espíritas foram convidados para conhecê-lo
pessoalmente. Após esse encontro, por volta de 1867,
fundaram em Tours o grupo espírita da rua du Cygne, do
qual Denis se tornou secretário.
“O ano de 1882 marca, o início do seu apostolado,
durante o qual teve que enfrentar sucessivos obstáculos:
o materialismo e o positivismo que olhavam para o
Espiritismo com ironia e risadas e os crentes das demais
correntes religiosas, que não hesitavam em aliar-se aos
ateus, para o ridicularizar e enfraquecer. Léon Denis,
porém, como bom paladino, enfrenta a tempestade...”. (2)
Além dos obstáculos materiais que encontrou em sua vida
para estudar e se envolver no movimento espírita, devido
à necessidade diária do trabalho, enfrentou uma forte
oposição do materialismo e de outras crenças religiosas,
que dificultavam seu trabalho.
O seu pai espiritual, Jerônimo de Praga, procurava
estimulá-lo: “Vai meu filho, pela estrada aberta
diante de ti. Caminharei atrás de ti para te sustentar”.(2)
Por conta da sua maneira de pensar fez conferências por
toda a Europa em congressos internacionais espíritas e
espiritualistas, defendendo ativamente a ideia da
sobrevivência da alma e suas consequências no campo da
ética nas relações humanas. Apresentava a Doutrina
Espírita de uma forma clara e didática, de fácil
compreensão para as pessoas da época.
O ponto central da relação entre Léon Denis e Kardec foi
o lançamento do livro Depois da Morte, em 1890,
um livro ou guia prático ao alcance das inteligências
mais modestas, um resumo completo dos ensinos dos
espíritos.
A partir de 1910, a visão de Léon Denis foi-se, dia a
dia, enfraquecendo. Após a Primeira Grande Guerra,
aprendeu Braille, o que lhe permitiu fixar no papel os
elementos de capítulos ou artigos que lhe vinham ao
espírito, pois, nessa época da sua vida, estava, por
assim dizer, quase cego.(2)
Léon Denis foi o consolidador do Espiritismo. Não foi
apenas o continuador de Allan Kardec, como geralmente se
pensa. Denis tinha uma missão quase tão grandiosa quanto
a do Codificador. Cabia-lhe desenvolver os estudos
doutrinários, continuar as pesquisas mediúnicas,
impulsionar o movimento espírita na França e no Mundo,
aprofundar o aspecto moral da Doutrina e, sobretudo,
consolidá-la nas primeiras décadas do século. (2)
A sua atuação no seio do Espiritismo foi bastante
diversa daquela desenvolvida por Allan Kardec. Enquanto
o Codificador exerceu suas nobilitantes atividades na
própria capital francesa, Léon Denis desempenhou a sua
dignificante tarefa na província. A sua inusitada
capacidade intelectual e o descortino que tinha das
coisas transcendentais fizeram com que o movimento
espírita francês, e mesmo mundial, gravitasse em torno
da cidade de Tours.
Léon Denis teve mais tempo que Kardec para promover a
divulgação da doutrina, por intermédio de palestras,
seminários e com a conclusão das suas interessantes
obras, que foram um desdobramento de troca de ideias
entre eminentes intelectuais e pesquisadores espíritas
da segunda metade do século XIX, comprovando as teorias
e deduções apresentadas pela Codificação.
Ao longo de sua vida manteve estreita ligação com a
Federação Espírita Brasileira - FEB, tendo sido aprovada
por unanimidade a sua indicação para sócio distinto e
presidente honorário da instituição em 1901.
Referência:
1) Luce,
Gaston; Léon Denis, O Apóstolo do Espiritismo, sua
Vida, sua Obra. Ed. CELD.
2) Federação Espírita do Paraná – Léon
Denis (Biografias).
3) Wikipédia
(Enciclopédia Livre) - artigos de consulta.
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