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por Rogério Coelho

 

Aparente paradoxo


O pensamento de Jesus é de desconcertante simplicidade e nitidez 

"Graças te rendo meu Pai, por haveres ocultado estas coisas aos doutos e prudentes e por as teres revelado aos simples e aos pequenos.” - Jesus. (Mt., 11:25)

 

Allan Kardec esparze intensas claridades sobre as palavras de Jesus, em epígrafe, nos seguintes termos[1]"(...) pode parecer singular que Jesus renda graças a Deus por haver revelado estas coisas aos simples  e  pequenos, que são pobres de espírito e por tê-las ocultado aos doutos e aos prudentes, mais aptos, na aparência, a compreendê-las. É que cumpre se entenda que os primeiros são humildes, são os que se humilham diante de Deus e não se consideram superiores a toda a gente. Os segundos são os orgulhosos, envaidecidos do seu saber mundano, os quais se julgam prudentes porque negam e tratam a Deus de igual para igual, quando não se recusam a admiti-lO, porquanto, na antiguidade, douto era sinônimo de sábio. Por isso é que Deus lhes deixa a pesquisa dos segredos da Terra e revela os do Céu aos simples e aos humildes que diante d`Ele se prostram.

O mesmo se dá hoje com as verdades que o Espiritismo revelou. Alguns incrédulos se admiram de que os Espíritos poucos esforços façam para convencê-los. A razão está em que estes últimos cuidam preferentemente dos que os procuram de boa-fé e com humildade, do que aqueles que se supõem na posse de toda a luz e imaginam, talvez, que Deus deveria dar-Se por muito feliz em atraí-los a Si, provando-lhes a Sua existência...

O poder de Deus se manifesta nas mais pequeninas coisas, como nas maiores. Ele não põe a luz debaixo do alqueire, por isso que a derrama em ondas por toda a parte, de tal sorte que só cegos não a veem. A esses não quer Deus abrir à força os olhos, dado que lhes apraz tê-los fechados. A vez deles chegará, mas preciso é que, antes, sintam as angústias das trevas e reconheçam que é a Divindade e não o acaso que lhes fere o orgulho.

Para vencer a incredulidade, Deus emprega os meios mais convenientes, conforme os indivíduos. No é à incredulidade que compete prescrever-lhes o que deva fazer, nem lhes cabe dizer: "Se me queres convencer, tens de proceder dessa ou daquela forma, em tal ocasião e não em tal outra, porque essa ocasião é a que mais me convém.  Não se espantem, pois, os incrédulos de que nem Deus nem os Espíritos, que são os executores da Sua vontade, se lhes submetam às exigências.   Inquiram de si mesmos o que diriam, se o último de seus servidores se lembrasse de lhes prescrever fosse o que fosse. Deus impõe condições e não aceita as que lhe queiram impor. Escuta, bondoso, os que a Ele se dirigem humildemente e não os que se julgam mais do que Ele”.

Prefaciando o livro de sua própria autoria: "Cristianismo, a mensagem esquecida", Hermínio C. Miranda vem em nosso auxílio afirmando: "(...) ao contrário do que fomos induzidos a crer, o pensamento de Jesus é de desconcertante simplicidade e nitidez, pois a Verdade é tão simples, iluminada e transparente quanto transcendente.  Não há necessidade de toda uma vasta arquitetura teológica e hierárquica para gerir a nossa vivência espiritual. O próprio Cristo deixou isso bem claro ao ensinar que a Verdade se oculta sutilmente aos sábios e presunçosos e se mostra, em todo o esplendor da sua singular beleza, aos simples e aos mansos e humildes. Por isso atribui a estes a prioridade na implantação do Reino de Deus, a herança da Terra e a visão transcendental da Divindade.

Somos testemunhas e vítimas dessa realidade perversa: a de eruditos tentando ensinar uma Verdade que ignoram, ao simples, que a conhecem pela força mágica da intuição.

O Reino de Deus - tema central da pregação de Jesus - se resume na realização do amor na intimidade de cada um. Feito isso, descobriremos, felizes e perplexos, que também no mundo em que vivemos - seja onde ele for - estará implantado o império da paz”.   

 


[1] - KARDEC, Allan. O Evangelho seg. o Espiritismo. 125. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2006, cap. VII, itens 8 e 9. 

 


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita