Artigos

por Hugo Alvarenga Novaes

 

Erro avaliativo


Muitos pensam que Allan Kardec, codificador do Espiritismo, teve a presunção de escrever um Evangelho seu. Enganam-se! Ele apenas interpretou os já existentes.

Alguns líderes religiosos, ao invés de exaltarem o que há de bom, preferem denegrir os possuidores de ideias contrárias e, aproveitando-se do fato de que um dos livros de Kardec se chama O Evangelho segundo o Espiritismo, fazem um jogo de palavras com isso, iludindo seus fiéis. Assim, minimizam a dispersão de suas ovelhas, levando-as para as igrejas onde lideram. Astutos eles, não?

Ora, preocupando-se com questões de somenos importância, não veem que uma das principais máximas de Cristo, que é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mateus 22,37-40), como também aquela que é tida como “regra de ouro”, pela qual não devemos fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem (Mateus 7,12), são desprezadas. Sem sombra de dúvidas, essas são as maiores expressões da caridade, porque sintetizam todas as obrigações do ser humano para com seu semelhante.

Como nos diz O Evangelho segundo o Espiritismo em seu capítulo 11, item 4:

"Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós" é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. Não podemos encontrar guia mais seguro, a tal respeito, que tomar para padrão, do que devemos fazer aos outros, aquilo que para nós desejamos. Com que direito exigiríamos dos nossos semelhantes melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, do que os temos para com eles? A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo. Quando as adotarem para regra de conduta e para base de suas instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão que entre eles reinem a paz e a justiça. Não mais haverá ódios, nem dissensões, mas, tão somente, união, concórdia e benevolência mútua.” (KARDEC, 1966, p. 184-185).

Também não se lembram do mandamento de Jesus que nos ensina a amar uns aos outros como Ele nos amou, e o Divino Jardineiro ainda fala que se nós amarmos aos outros, seremos também como os seus discípulos (João 13,34-35).

“O Magnânimo Mestre é o tipo mais perfeito que Deus nos ofereceu para guia e modelo” (O Livro dos Espíritos, pergunta 625), portanto, estranhamos ser a Sua Palavra contradita por dirigentes que, do jeito como agem, estimulam indiretamente seus seguidores a odiarem aos discordantes. No entanto, o Divino Nazareno recomendou-nos que amássemos até aos inimigos (Mateus 5,44), pois fácil é só amarmos e saudarmos os afins (Mateus 5,46-47). Mas aí não se recordam das palavras de Jesus, pois é cômodo para eles manterem os seguidores sob a sua tutela.

Ademais, sabemos que a lei de “Causa ou efeito” ou “Ação e reação’ é implacável.

O Evangelho mostra-nos que “toda ação da vida moral do homem corresponde a uma reação semelhante dirigida a ele mesmo”. Na medida em que temos certeza de que somos seres duais, ou seja, possuímos duas naturezas: “a material e a espiritual”, e estando cientes de que a segunda é a mais importante, tanto que é imortal, vemos João Batista morrer em Mateus 14,6-11 da mesma maneira que ele, quando no passado era Elias, mandara matar os profetas de Baal a fio de espada, como está dito em I Reis 18,40.

Esses líderes religiosos se esquecem disso ou não comentam com seus fiéis de propósito.

Como já dissemos alhures, se o amor ao próximo é a base da caridade, amar aos inimigos é o maior exemplo disso. (Mateus 5,44).

Desta forma, perguntamos qual das frases seguintes é a mais condizente com a bondade e grandeza do Altíssimo: 1. “Fora da caridade não há salvação” ou 2. “Fora da igreja não há salvação”.

Sabemos que enquanto a primeira une os filhos de Deus permitindo que sejam irmanados na felicidade, a segunda baseada em interesses inferiores do homem, os separa, assim como o faz em relação ao próprio Criador. Lembremos Mateus 6,24, em que é dito por Jesus que ninguém pode servir a dois senhores, pois odiará a um e amará o outro ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Segundo seus dizeres, o homem não pode servir ao espírito e à matéria de igual maneira.

Enfim, vejamos: “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado.” (Tiago 4,17).

Caros leitores, que podemos pensar disso tudo?
 

 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita