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Brasil
Ano 10 - N° 510 - 2 de Abril de 2017
PAULO SALERNO
pgfsalerno@gmail.com
Porto Alegre, RS (Brasil)
 

  

Foi um sucesso a XIX Conferência Estadual Espírita

Divaldo Franco, que fez as conferências inicial e final, foi um dos destaques do tradicional evento promovido nos dias 17 a 19 de março pela Federação Espírita do Paraná

A Conferência Estadual Espírita, nos moldes atuais, teve início em 1994. Atualmente é um dos maiores eventos espíritas do mundo, reunindo cerca de 30 mil pessoas em 3 dias de evento, no Expotrade Convention Center, Rodovia Deputado João Leopoldo Jacomel, 10.454 - Pinhais, região Metropolitana de Curitiba (PR).

O tema central deste ano foi “160 anos de Espiritismo na Terra”. Diversos palestrantes, desde o dia 13 de março de 2017, realizaram atividades em treze localidades do interior, litoral e região metropolitana, dando ao evento uma dimensão estadual e descentralizada. A culminância ocorreu no período de 17 a 19, em Pinhais.

A abertura, com a participação de notáveis líderes espíritas, conferencista e autoridades, teve a participação especial de José Raul Teixeira. Presentes, também, as diretorias da Federação Espírita do Rio Grande do Sul e da Federação Espírita Catarinense e outras lideranças do Movimento Espírita brasileiro e paraguaio.

O presidente da Federação Espírita do Paraná, Adriano Lino Greca, abrindo a Conferência, destacou o lançamento de O Livro dos Espíritos, apresentando a Doutrina Espírita à humanidade em 18 de abril de 1857 por Allan Kardec. É a doutrina esclarecedora e consoladora, constituindo-se em a Terceira Revelação Divina.

Pelo sucesso alcançado com o volume 1 da obra Vida e Valores, da Editora FEP, este ano foi lançado, na abertura da XIX CEE, o seu segundo volume.

Homenageando e agradecendo a trajetória de luz de Divaldo Pereira Franco que vem esparzindo bênçãos ao longo de setenta anos de trabalho em prol do esclarecimento, da divulgação e do acolhimento, foi divulgado um vídeo destacando seus feitos na tarefa de acolher necessitados e de esclarecer aos sedentos de saber e consolação. Divaldo Franco, orador, médium e educador, foi parabenizado pelas sete décadas de oratória constante, sendo aplaudido calorosamente de pé. Materializando essa homenagem, foi-lhe entregue uma placa em gratidão e homenagem pelo brilhante trabalho de iluminar as consciências ao longo de sua história.

Emocionado, Divaldo Franco agradeceu a homenagem com que foi destacado, transferindo-a a Allan Kardec, o egrégio codificador. Para si recebia o carinho e a ternura com que vem sendo destacado pelos paranaenses há sessenta e três anos, ininterruptamente. 

A conferência inicial 

Em magistral conferência, com o tema Imortalidade e Vida, Divaldo Franco, solícito e participativo, discorreu sobre o inevitável encontro com a morte do corpo físico, pois que dela não há quem possa se evadir. Falando sobre a imortalidade da vida, o orador e médium que fez de sua vida um hino de louvor ao Cristo, amando o próximo, citou o pensamento dos antigos filósofos que enalteciam e ensinavam sobre a imortalidade e a sobrevivência do Espírito.

Jesus apresentou a mensagem do amor, da imortalidade, evidenciando através de Seu exemplo e de Seus ensinamentos a respeito da imortalidade que Ele tão bem destacou ao apresentar-se inúmeras vezes para um sem número de pessoas após a crucificação no Calvário, falando de um mundo inolvidável. A mensagem é de vida e de vida eterna.

Passando pelos feitos e ensinos de Francisco de Assis e outros, o conferencista de Feira de Santana salientou as realizações de notáveis pensadores e cientistas, de varias escolas, descortinando uma realidade antes negada. O Espiritismo marcha ao lado da ciência, e vai adiante expondo o mundo dos invisíveis, ou o dos sem corpos físicos. Filósofos e pensadores de diversas correntes têm se aplicado, desde há muito, desenvolvendo conceitos sobre a vida, a imortalidade e o ser espiritual.

O desenvolvimento de escolas psicológicas resultou na criação da parapsicologia, da psicobiofísica, da psicotrônica e a psicologia transpessoal, cujas bases são semelhantes à Doutrina Espírita. A imortalidade, que dá sentido à vida, alicerça-se na comunicabilidade das almas, alçando o homem à vida espiritual. A imortalidade é o poema glorioso da vida porque dá vida a vida.

Sentir-se livre, imortal, dá ao homem a condição de ser servidor, doando-se ao outro. A mudança interior, através da vivência do amor, propicia aos indivíduos a plenitude, não permitindo que o mal dos maus lhe faça o mal. Jesus aguarda que cada um aceite o Seu convite de ir até Ele. Bendigamos a vida. A dor é o poema que Deus reserva aos eleitos, assim se expressou o Embaixador da Paz e da Bondade no Mundo. Em momentos de crise moral, existencial, é necessário viver conforme os ensinamentos crísticos. Declamando o Poema da Gratidão, de Amélia Rodrigues, Divaldo encerrou a sua conferência.

No dia 18 de março, no mesmo local, teve continuidade ao grande evento. Os conferencistas que se apresentaram foram: Haroldo Dutra Dias, Alberto Almeida, Sandra Della Pola e Divaldo Franco. Os dois primeiros ocuparam a tribuna por duas vezes. 

Haroldo Dutra Dias 
 

Apesar do clima nublado, o sol da esperança e a sede do saber, no interior do Expotrade Convention Center se faziam presentes, animando e conduzindo as mentes e corações para o desenvolvimento da personalidade íntegra e integral. O Evangelho Redivivo foi o tema explorado por Haroldo Dutra Dias (na foto com Divaldo), de Minas Gerais. Pelas respostas que o Mestre Galileu deu a um sacerdote que o inquiria, tal qual naqueles tempos, como ainda hoje, as criaturas não compreendem com lucidez a mensagem libertadora

de Jesus. Ele respondia, esclarecia, educando a um tempo só. Jesus falava ao sacerdote sobre a construção do Reino de Deus, dizendo que é uma obra divina a ser edificada no coração dos homens. Apresentava-se capacitado a executar obra de tal dimensão empunhando o amor e a verdade. Dizia ao interlocutor que conhecia a vontade de Deus. Era, então, o início dessa portentosa edificação no coração humano, o Reino de Deus na intimidade do ser imortal.

Além de ensinar os seus discípulos, acalmando as suas ansiedades, diluindo a ignorância, e atendendo a necessidade dos que O buscavam, Jesus profetizava. Os acontecimentos foram se sucedendo ao longo da história humana, e o homem atento pode, então, testemunhar, como testemunha na atualidade, todas as ocorrências preditas. O Projeto do Evangelho Redivivo vai se estabelecendo, e os mecanismos vão se solidificando. O Espiritismo, com o lançamento de O Livro dos Espíritos é o esforço grandioso de sensibilização dos corações humanos, preparando o terreno para o estabelecimento do Reino de Deus na intimidade dos indivíduos. Esse reino possui uma Realeza, é Jesus.

Jesus é o instrumento de Deus sobre a Terra, o Mestre, o Amigo, o Orientador, é Aquele que ama profundamente o ser humano, indicando o caminho fraterno, amoroso e solidário que deve ser palmilhado com a sandália das virtudes. Segundo São Luís, o Evangelho é um tratado geral de moral avançado. É o Evangelho Redivivo para conduzir os homens à plenitude. O homem do mundo, na atualidade, é tecnológico, o que lhe confere acesso ao conhecimento disponível. Embora essas conquistas do intelecto humano sejam grandiosas, o coração humano ainda não se abriu para que o Reino de Deus seja construído dentro de si. Falta ao homem, de forma geral, descobrir o verdadeiro sentido da vida, os objetivos elevados, o amor incontinente.

A plataforma do Evangelho Redivivo, o seu projeto, os mecanismos que serão operados terão que passar pela educação moral, e o Espiritismo possui essa proposta lúcida da educação se bem compreendido. O Evangelho é a obra divina no coração dos homens. O Espírito traz em si o gene espiritual. Deus está em cada um, tanto quanto cada um está em Deus. A vida é um curso de burilamento espiritual. O Espiritismo colabora para que o ser humano se eduque, fazendo com que se expresse em acordo com o Evangelho de Jesus.

No período da tarde, Haroldo Dutra Dias se apresentou novamente para discorrer sobre Kardec, o homem evangelizado. Ninguém executa uma obra de tal magnitude, como a Doutrina Espírita, equipado somente com a inteligência. É preciso qualidades que dizem respeito a moral, a conduta e a sabedoria. Fazendo uma análise sobre as aquisições espirituais de Allan Kardec, o conferencista mineiro citou-o, na escala espírita, como estando na segunda ordem – bons espíritos – isto é, a predominância do Espírito sobre a matéria e o desejo do bem. Kardec reunia as características do Espírito Superior. Essa classificação fica patente em diversos textos e ações que o mestre lionês foi protagonista. Os Espíritos Superiores reúnem em si a ciência, a sabedoria e a bondade.

Em suas observações, Allan Kardec classificava os espíritas segundo a compreensão e a prática dos postulados doutrinários: 1º) os que creem simplesmente nas manifestações sem se preocuparem com as consequências morais. 2º) os que vem o lado moral mas aplicam aos outros e nunca a si mesmos. 3º) os que aceitam para si mesmos todas as consequências e que praticam, ou se esforçam para praticar, esses são os espíritas cristãos. O senso de Kardec é irretocável. Examinar, comparar e aprofundar, essas são atitudes com que se preocupar na busca da verdade.

O judaísmo e o cristianismo foram apresentados à humanidade tendo por base a figura de um homem. Moisés para o judaísmo e Jesus para o cristianismo. O Espiritismo, ao contrário, teve a sua organização, estruturação e divulgação centrada nos Espíritos. Allan Kardec foi informado por São Luís, em agosto de 1863, que ao escolherem-no, sabiam da sua sabedoria, da solidez de suas convicções e pela sua fé. Há almas intelectualizadas e outras evangelizadas. O Espiritismo, segundo São Luís, enfeixa questões de alta moral prática. 

Alberto Almeida 
 

Alberto Almeida explanou o tema: O Livro dos Espíritos no nosso cotidiano. Narrando o episódio em que Allan Kardec recebe de presente um volume de O Livro dos Espíritos. O encontro casual e sua leitura havia demovido dois homens de cometerem o suicídio. Alberto Almeida (na foto com Divaldo) estabeleceu a praticidade desses ensinamentos na vida diária de cada um que atentamente consulta suas páginas. Viver é um grande desafio, mais ainda é viver na finitude do corpo.

Os fundamentos da Doutrina Espírita, trazidos pelos Espíritos Superiores e codificados por Allan Kardec, apre-

sentam diversas orientações e informações que facilitam e agilizam a conduta dos homens propensos a adotar os seus postulados. A vida, repleta de pontos e contrapontos nem sempre definíveis, é um educandário por excelência. A vida deve ser construída como um hino de enaltecimento das relações humanas em nível moral elevado.

O amor que supera e transforma todas as vicissitudes da vida, inclusive as ocorrências do aniquilamento físico, a morte biológica, é a grande amalgama que une os corações, felizes ou infelicitados em um acolhimento fraternal. O amor nutre o psiquismo do ser humano na existência material e além dela. O ser humano, conforme se coloca na sociedade, pode ser cooperador para a ventura ou a desventura de outrem, contribuindo para a morte ou para a vida, quer nos aspectos materiais ou espirituais.

Sobre os ditos anencéfalos, Alberto Almeida disse que a experiência de vida desses é rica, e como Espírito recompõe-se em equilíbrio com a Lei Divina. A preservação da vida, em todas as suas manifestações, respeitando o ser desde a sua chegada ao mundo físico, desde o óvulo até a ancianidade, mesmo com a falência dos órgãos. Ortotanásia é a expressão e a ação que deve prevalecer, cuidando, envolvendo aquele que se despede do mundo material, deixando ao tempo, o tempo, a hora da desencarnação. Somos ainda seres experimentando algumas desarmonias, mas que objetiva o progresso inexorável. Os falsos movimentos da alma, com o descumprimento das Leis Divinas ou Naturais da Vida, geram o sofrimento.

Buscando colaborar com a reflexão, Alberto Almeida apresenta um pequeno questionário: Como estás inserido na vida? É vital que todos possam se avaliar se estão vivendo consoante as leis naturais da vida. Sofres? Volte à centralidade das leis. É tarefa inadiável aprender a lidar com a razão, a emoção, o instinto, a intuição, a ética dos valores espíritas, a interferência espiritual, negativa ou positiva. Viver a vida plenamente é saber articular e atender essas instâncias de forma adequada. É você que dirige a vida, ou são as suas emoções? A proposta espírita é aprender a poder lidar consigo mesmo, cotidianamente, devendo aprimorar-se, assumindo-se como ser imortal.

A Doutrina Espírita informa que há uma proposta existencial a ser posta em prática, é a de despertar o Cristo interno para que com Ele se tenha vida equilibrada e produtiva. A vida se dá na intimidade, não no exterior, assim concluiu o nobre conferencista de Belém do Pará.

À noite, o paraense Alberto Almeida abordou A Atualidade de O Livro dos Espíritos. Humberto de Campos, Espírito, narrou por intermédio de Chico Xavier o encontro de Jesus com João Huss (1369-1415), atribuindo-lhe a missão de codificar a Doutrina Espírita. Reencarnaria junto com outros luminares. Assim, em 3 de outubro de 1804, nascia aquele que seria mais tarde o codificador da doutrina consoladora sob o pseudônimo Allan Kardec. 

Com descobertas e inventos com consequências facilitadoras da vida humana, o avanço da ciência moderna e outros ramos do conhecimento, o Consolador Prometido tomou corpo com o lançamento de O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857. Allan Kardec, integrante corporificado da equipe Espírito de Verdade, perscrutou cientificamente, à luz da razão, os efeitos e feitos produzidos pelos Espíritos, os seres incorpóreos.

A obra da codificação possui a sua origem no mundo dos Espíritos, coube a Allan Kardec coligir e analisar as milhares de mensagens, sempre sobre a supervisão direta dos nobres e superiores Espíritos. Nascia, então, uma ciência diferenciada, oferecendo uma perspectiva panorâmica da vida, respondendo as inquietações existências. É uma filosofia otimista, com ética elevada, com religiosidade diferenciada, é um laço de fraternidade e solidariedade assentada nas bases do amor, unindo a humanidade dos dois planos da vida.

É uma ciência, uma filosofia e uma religião em sintonia. A Doutrina Espírita é o marco inicial da transição planetária. O Espiritismo é uma doutrina de diálogo, propondo a união harmônica dos opostos. Dados astronômicos indicam que haja duzentos bilhões de galáxias conhecidas. Esses dados foram antecipados pela Doutrina Espírita, cabendo à ciência avançar, conhecendo com maior profundidade as micropartículas e o macrocosmo. A ciência, pouco a pouco, se aproxima da essência do ser humano, o Espírito imortal.

O conferencista destacou a necessidade de o ser humano valorizar a vida, desde a fase embrionária, reconstituindo-se na face da Terra através da gestação. Outra constatação feita por Allan Kardec é que nem sempre a obsessão é obsessão, pode ser a manifestação do inconsciente.  Isto é muito atual, alertando os dirigentes para que os centros espíritas tenham muita humildade no trato desses cometimentos. Nem toda a manifestação é de Espíritos desencarnados.

De par e passo com a ciência, o Espiritismo avança no conhecimento humano sem se impor em qualquer circunstância. Cabe a cada indivíduo mobilizar-se para cessar ou minimizar as intercorrências da vida. Há que entender que o mal ainda prospera pela timidez dos bons e pela audácia dos maus. É imperioso que os homens de bem sejam ousados em trazer Jesus de volta, vivendo todos os dias, alicerçados no conhecimento da filosofia e da psicologia.

A proposição espírita de cristianismo é a de, eticamente, adequadamente engajar-se na transformação do ser espiritual, principalmente na vida corpórea, de forma integral. A proposta espírita coloca o ser perante si mesmo. Jesus é a centralidade de o Evangelho. A Doutrina Espírita, há 160 anos no seio da humanidade cristã, precisa sair das páginas impressas e fazer parte do cotidiano de todo o cristão consciente.

Esses são dias vigorosos onde é preciso sair-se de si mesmo e passar a descobrir os necessitados, minorando-lhes as dores, tornando-as mais suportáveis, atendendo, ao mesmo tempo, a própria indigência espiritual. Todos somos irmãos e as ações necessitam estar sincronizadas com Jesus. Finalizando, deixou uma pergunta: Onde está o divino, ante tanta miséria humana, quer física, quer moral? 

Sandra Della Pola 

A conferencista gaúcha discorreu sobre A Lei Divina e a felicidade real. A felicidade é a exata adequação a Lei Divina. Mas, de que felicidade estamos falando? Pode ser uma conquista a qualquer preço, ou o importante é ter, se não tem, é infeliz, incapaz. A felicidade para alguns pode se apresentar em consequência de conquistas legítimas ou ilegítimas, tanto faz. Contudo, esses que buscam a felicidade na posse logo se infelicitam, pois que a palavra posse tem um sentido de temporalidade, de finitude. Os falsos conceitos, com foro de verdadeiros, encantam e adulam, e apegado, o indivíduo se aferra nos seus falsos conceitos, na fantasia ilusionista.

Existem momentos felizes? Se o paradigma for o materialista, a felicidade se apresentará em momentos. Se o paradigma for o espiritual, e que se estende aquém e além da presente existência, então poderemos ter um conceito diferenciado de felicidade. Em O Livro dos Espíritos, Questão 614 – O que se deve entender por lei natural? A Lei Natural é a Lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Ela lhe indica o que deve ou não deve fazer, e ele é infeliz somente quando se afasta dela.

Para poder conquistar a felicidade de forma perene é necessário o desenvolvimento das faculdades da justiça, do amor e da caridade. A Lei Divina é inclusiva, promotora do indivíduo, reparando as ações equivocadas, autodespertando-o, descobrindo que fazer o bem lhe proporciona viver em felicidade. A felicidade real consiste na adequação das necessidades ajustadas às Leis Divinas.

Todos podem aprender o significado de felicidade real. Os que ainda não compreendem que a felicidade não está na posse, na responsabilidade do outro, ou no atendimento das paixões entenderão, no futuro, que a felicidade está no cumprimento da Lei Divina. O processo de autoanálise pode parecer simples, mas não é. O indivíduo precisa ter coragem, atenção e lucidez consigo mesmo. Outra questão é saber se não está se machucando, gerando sofrimento. A dor não é a única opção da Justiça Divina.

Em se percebendo infrator à Lei de Deus, seja pela razão, seja pela ação nefasta, o indivíduo deve se empenhar em alinhar pensamentos, condutas e ações em acordo com essa mesma lei. Jesus ensinou a perdoar e amar. Essa também foi a resposta que Joana de Cusa deu ao soldado romano que a inquiria no momento em que estava preste a ser imolada no fogo, quando ele perguntava-lhe se aquele a quem ela seguia havia somente ensinado a morrer.

O exercício da felicidade real, na atualidade, é o de transitar dos conceitos materiais para os espiritualistas, vivendo o amor e o perdão. 

O ser humano integral 

“O amor, quanto mais se divide, mais se multiplica.” (Divaldo Franco)

Divaldo Franco, voltando a se expressar na XIX Conferência Estadual Espírita, promovida pela Federação Espírita do Paraná, abordou o tema O Ser Humano Integral.

Em 1917, em plena Revolução Russa, se destacou George Ivanovich Gurdjieff (1866 – 1949), um estudioso do comportamento humano, notadamente da consciência. Para tal reuniu em torno de si alunos interessados nessa Escola de Consciência. Obtendo um salvo-conduto, viajou ao redor do mundo para encontrar homens notáveis. Após, em menos de um ano, fixou-se em Paris/França. Seu discípulo, Peter Ouspensky (1878-1947), era aplicado. Para Ouspensky o indivíduo integral seria constituído de alma, mente e corpo. Já Allan Kardec classifica os indivíduos sendo formados por espírito, perispírito e matéria. Os estudiosos da psique humana classificam o homem como sendo: consciente, subconsciente e superconsciente.

Ouspenski, ao falar em Nova York por volta de 1950, disse que os indivíduos são formados por um Espírito eterno, um corpo intermediário e um corpo denso. Segundo Ouspensky, a criatura para ser humana deve se constituir de cinco características.

A personalidade;

O conhecimento;

A identificação;

A consciência, subdividida em níveis, a seguir expostos; e

A individualidade.

Os níveis de consciência, de acordo com Peter Ouspensky, estão assim enumerados:

1º - Consciência de sono sem sonhos – pensa somente em si próprio.

2º - Consciência de sono com sonhos - passa a ter ideais e não somente o desejo de acumular.

3º - Consciência de sono acordado - a consciência já não está sonolenta pelo egoísmo.

4º - Consciência de si mesmo - quando o Ego toma conhecimento dos conteúdos psíquicos. A Consciência de si mesmo possui sete funções visando controlar a máquina orgânica: a intelectiva; a emocional; a instintiva; a motora; a sexual; a emocional superior; e a intelectiva superior.

5º - Consciência Cósmica - Já não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim. Paulo - Gálatas 2:20)

O homem, destacou o Embaixador da Paz e da Bondade, possui também uma outra fantástica faculdade, a de amar. O verdadeiro espírita deve ser o modelo de homem integral, consciente de que pode colaborar para a transformação do planeta, tornando-se melhor do que foi ontem. O cidadão deve se melhorar para que o mundo seja melhor. As conquistas, as mudanças, se operam no campo interno das individualidades.

É necessário que a Doutrina Espírita saia dos livros e passe a ser praticada, dando um sentido ético de bem-viver, com a consciência própria e com o próximo. Quando o cristão se encontrar em dúvida, deve se questionar: Se fosse Jesus em meu lugar, o que Ele faria? É dever de todo espírita saber que o perdão é o filho dileto do amor.

Os ensinamentos de Jesus devem ser aplicados nas ações desenvolvidas pelos indivíduos como fundamento essencial, imaginando estar com Ele a percorrer as terras da Palestina do passado, embriagando-se no amor.

Esses dias em que a humanidade vive, enaltecem o trabalho esclarecedor de Haroldo Dutra Dias pela sua tradução do Novo Testamento. O homem e a mulher integral são construtores corajosos do novo mundo que será melhor do que o de ontem. É inadiável aceitar o convite de Jesus para construir um mundo onde o amor seja o sentimento que une todos os indivíduos sob o manto de o Evangelho do Cristo. Com o Poema Meu Deus e Meus Senhor, Divaldo concluiu seu profícuo trabalho de despertar as consciências, muitas ainda adormecidas.  

Encerramento 

No dia do encerramento, domingo, 19 de março, Sandra Della Pola abordou o tema Diálogo com Deus, utilizando-se da ótica de dois ângulos convergentes.

O primeiro é a essência. A relação com Deus é essencial ao ser humano, como ficou patente com o lançamento de O Livro dos Espíritos, em 18 de abril de 1857, na 1ª Questão – Que é Deus? O Espiritismo revolucionou a filosofia da época, apresentando os atributos divinos, as Leis Naturais e as relações do homem com o transcendente. Naturalmente e essencialmente o homem está submetido a Deus, que coordena, administra, corrige. Nada pode alterar a Lei Divina.

Na primeira revelação foi a imposição do não, do que não podia ser feito. A segunda, com Jesus, do que se deve fazer, foi a orientação. O indivíduo cresce e se adequa a Lei, ainda que apresente dificuldades de submeter-se à Lei Divina. O Espiritismo, a terceira revelação, é a ferramenta hábil para esclarecer os indivíduos a se comportarem na vida, deixando claro a leia de ação e reação.

A Benfeitora Joanna de Ângelis propõe a transcendência com três consequências: a religiosidade, o despertar da consciência e a submissão à Lei Divina. A submissão é a entrega pela razão, a resignação é a entrega pelo coração. Cada um deve relacionar-se com Deus por compreensão e à sua parcela voluntária de adesão à Lei, entendendo e dimensionando a grandeza dessa lei, iniciando efetivamente a sua autoconstrução, entendendo o processo de crescimento.

O desenvolvimento de competências é fundamental para o desenvolvimento de potencialidades, assumindo suas próprias responsabilidades. O excesso de proteção, bem como a sua falta, é danoso ao crescimento do ser humano. Ao submeter-se resignadamente ao mecanismo legal divino, o ser relaciona-se melhor consigo mesmo e com a divindade. Em tudo há possibilidades de crescimento.

O segundo ângulo é o do apoiamento, com efetivo diálogo. Para se ter um diálogo é necessário primeiro ouvir (O primeiro ângulo). Os Espíritos intervêm no mundo corporal, físico. Todos estão em perene contato, em comunicação com os Espíritos incorpóreos. É o ser humano encarnado que estabelece com quem deseja entrar em contato. Apesar de os Espíritos, que agem em nome de Deus, estarem em contato permanente, é fundamental que o indivíduo estabeleça por vontade própria esse contato. É imperioso que se compreenda que o bem não cairá sobre os homens sem motivos, mas sim, com o efetivo trabalho no bem, quando há decisão de assumir a responsabilidade de executar a parcela que lhe compete.

Os prepostos divinos conhecem as potencialidades e fragilidades dos homens. Isso não isenta a criatura de manter esse diálogo, expressando a suas necessidades, ofertando essa potencialidade em favor próprio e do próximo. O ato de arrependimento é o estabelecimento da conexão com Deus. O que Deus sempre concederá às suas criaturas será a coragem, a paciência, a determinação e a resignação. Conversar e dialogar com o Pai não deve ser relegado, pelo contrário, cada qual deve manter firme esse contato, para se tornar instrumento efetivo. 

A conferência final 

“A individualidade é o Espírito que somos, no corpo em que estamos.” (Divaldo Franco)

Estando presentes diversas lideranças do Movimento Espírita paranaense e brasileiro, do Paraguai e dos Estados Unidos da América, bem como os expositores do evento que se encerrava, a XIX Conferência Estadual Espírita se preparava para a finalização. O Presidente da FEP, Adriano Lino Greca, sensibilizado, agradeceu o trabalho e o apoio dos colaboradores, em número expressivo, destacando o empenho da equipe dos intérpretes da língua dos sinais – LIBRAS -; as caravanas que se deslocaram de vários Estados, do Paraguai e dos Estados Unidos da América para estarem presentes neste ágape espiritual que se desenrolou durante três dias em Pinhais/PR, com destaque para a participação ativa de outros milhares, compostos por internautas que se mantiveram conectados à FEBTV, à Rádio Fraternidade, entre outros veículos virtuais. Presente, também, o Conselheiro Honorário João de Mattos Lima, homenageado no ato. O Saldo destes últimos três dias de intensas atividades foi altamente positivo. Foram, nas palavras de Jorge Godinho, Presidente da FEB, momentos de interação dos dois planos da vida, foram, também, dias de aprendizado e de reflexões valorizando o maior arcabouço filosófico que a humanidade possui, O Livro dos Espíritos.

Sem descanso e sem cansaço, Divaldo Franco, orador, médium e humanista reconhecido internacionalmente, proferiu a conferência de encerramento abordando o tema Desafios Existências. Destacando a individualidade, uma das características constituintes do ser humano segundo Peter Ouspensky (1878 – 1947), o pacifista e dedicado servidor do Cristo, frisou que essa individualidade tem por meta buscar o vir a ser, isto é, traçar um perfil desejável de aprimoramento espiritual e moral. A individualidade é o Espírito que somos, no corpo em que estamos. Essa individualidade permanece, a despeito do desaparecimento da indumentária física. O SELF não se destrói, transitando de corpo em corpo até alcançar o estado numinoso, segundo Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica, ou seja, o estabelecimento do Reino de Deus na intimidade do ser humano, conforme ensinava o Mestre de Nazaré.

A reencarnação tem por meta principal desenvolver o Espírito, devendo aprender a respeitar o outro, a conviver com os demais, evitando ferir por qualquer forma o próximo. Assim, o ser lúcido deverá analisar-se, examinando a sua individualidade, descobrindo as inclinações más herdadas das ações realizados no passado.

Narrando a história de Ilse, um caso registrado pelo renomado psicanalista americano Dr. James Hollis e publicado no livro Os Pantanais da Alma, Divaldo, um dos mais consagrados oradores e médium da atualidade, emocionou o numeroso público composto por cerca de doze mil pessoas, apresentando o drama dessa Polonesa, que se radicou nos Estados Unidos da América.  Ilse era uma jovem cristã. No ano de 1.942, enquanto fazia compras, foi equivocadamente identificada como judia e levada como prisioneira para terrível campo de concentração na própria Polônia e depois para outros, como o Bergen-Belsen, na Alemanha. Seus protestos e apresentação de documentos comprovando não ser judia não demoveram os inflexíveis soldados das Tropas SS, que ali estavam para aprisionar todos os que fossem hebreus. Chegando ao campo de concentração, foi empurrada para a fila de triagem de onde seria enviada, ou para a câmara de gás, ou para o barracão de prisioneiros.

À sua frente estava uma mulher frágil acompanhada de duas filhas muito pequenas. Antevendo seu destino, a morte pelo gás, tentou a enfraquecida mãe, deixar com Ilse ambas as meninas para que pudessem escapar da morte terrível pela asfixia. Temendo ser envolvida naquela situação – o que fatalmente resultaria na sua morte – Ilse empurrou com força as duas meninas na direção da mãe que já se afastava em direção a execução. Um soldado nazista percebendo a tentativa da verdadeira mãe em salvar as filhas, com requintes de crueldade e impiedade, mandou as meninas para junto de sua mãe, destinando-as à morte, também.

Ilse jamais esqueceu o olhar daquela mulher fragilizada, física e emocionalmente, a lhe fitar naquele momento. Ilse também não se esqueceria das lágrimas que vertiam daqueles olhos entristecidos, desesperados.

Lutou para não morrer, sobrevivendo a diversos campos de concentração, sempre aguardando ser selecionada para a morte. Os anos se dobraram e finalmente o campo de concentração foi liberado pelos aliados Russos. Ilse estava entre os sobreviventes. Saiu dali como uma sombra fantasmagórica. Foi para um campo de refugiados e depois transferida para a Inglaterra.

Mais tarde mudou-se para Chicago, nos Estados Unidos da América, passando a viver as facilidades do conforto americano, tornando-se bibliotecária. Certo dia, em seu ambiente de trabalho, encontrou uma coleção de jornais encadernados do ano de 1.942. Esse ano lhe era muito peculiar. Com as mãos trêmulas pegou o volume, e ao acaso, abriu em uma página onde havia uma fotografia. Ilse logo se identificou. Fora fotografada no exato momento em que empurrava as garotinhas de volta para a mãe. Jamais se perdoara. Recusava-se a casar. Não se considerava digna de ser mãe, nem mesmo de ser amada. Não lograra obter a paz para sua consciência. Peregrinara por diversas religiões, mas em nenhuma conseguira encontrar o que tanto almejava: o perdão de sua covardia moral que resultara na morte de mãe e filhas.

Tomada de profunda angústia e tristeza, ela escreveu ao seu psicanalista pedindo um encontro sigiloso onde somente ela falaria por um espaço de duas horas, bem como deveria guardar segredo absoluto. Ao pedido anexou uma fotografia velha, amassada, parecendo ter sido arrancada de um jornal. Aceita as condições, o encontro foi marcado. No dia estabelecido, Ilse compareceu ao consultório, narrou todo o seu drama, informando que na crença judaica, o pecador que encontrasse três pessoas dignas para se confessar, seria perdoado. Seu psicanalista foi o primeiro.

Terminada a exposição, o psicanalista disse a ela que pegasse de volta com a secretária o valor da consulta, pois que ele não havia contribuído, como profissional, para a melhora da paciente. No livro em tela, o profissional se perguntava: teria Ilse encontrado os outros para que se sentisse perdoada?

São esses os espinhos cravados na alma dos indivíduos. Esses desafios existências são variados e intrincados. O egoísmo, os vícios físicos e morais, os maus hábitos, invariavelmente levam os indivíduos aos vales do sofrimento. As Leis Divinas ou Naturais não podem ser defraudadas, nem derrogadas, sua ação é educativa e reabilitadora. Os espinhos cravados na alma perturbam a marcha. Devem ser arrancados e suas cicatrizes curadas.

O Benfeitor Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, informa que alguém somente poderá se considerar vitorioso depois da desencarnação, pois que, a qualquer momento, um deslise pode ser praticado e constatar que, caindo, perdeu as oportunidades de evolução. Assim, cada qual deverá se manter atento para não cair nas ciladas do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da presunção, por exemplo.

Jesus há dois mil anos nos espera. Esse ser de luz chama os seus eleitos à plenitude. Ele deu ao mundo os mecanismos e conhecimentos para que todos pudessem estar com Ele, redivivo, trabalhando mergulhado em Seu amor, em verdadeiro ato de doação e entrega incondicional. Os grandes desafios são constituídos pelas imperfeições, acrescidos pela falta de fé.

Com narrativas esclarecedoras, Divaldo Franco destacou que a verdade quase sempre é preterida em favor da fantasia enganadora e bajuladora. O Espiritismo é instrumento eficaz no despertamento da consciência, onde o céu e o inferno são construções individuais e particulares. O Evangelho é Jesus de volta para enxugar as lágrimas da dor, acolhendo as súplicas dos sofredores e as lamúrias de tantos. O amor está, como sempre esteve, presente no seio da humanidade que nem sempre se mostra receptiva a esta fonte de vida.

Há que se ter coragem de amar para poder abafar a ação das imperfeições, perdoando e perdoando-se. Cada criatura humana deve se destacar no amor ao próximo e, ao passo em que vai se depurando, vai extraindo do imo da alma os espinhos da iniquidade humana, cicatrizando as feridas deixadas, agindo no bem. Cada um deve enfrentar as duras lutas para não se deixar envolver pelas fraquezas de caráter e que precisam ser trabalhadas.

Ao final, o Benfeitor Espiritual Dr. Bezerra de Menezes, pela psicofonia de Divaldo Franco, deixou uma mensagem acolhedora e instrutiva, anotada segundo a minha própria percepção. 

A fala de Bezerra 

Deveríamos nos alegrar esperando que nossos nomes estejam escritos no livro do Reino dos Céus, atendendo ao doce e suave chamado de Jesus. Não tergiversar, não se enganar ou enganar a ninguém. O sentido da vida é amar, tendo Jesus presença assegurada em nossos corações. Tanto sofrimento, tanta tecnologia de ponta e tanta solidão com carência moral, dominados pelas paixões enganadoras. Que o nosso esforço seja coroado de luz. Sê aquele que ama e jamais te arrependerás. Ouviste as orientações amorosas recebendo as instruções de bem-viver. Em qualquer circunstância sê aquele que ama, que agradece todos os cometimentos da vida. As dores do mundo quando bem suportadas transformam-se em estrelas de bênçãos na imortalidade.

Os aplausos atestaram o carinho e o amor que todos dedicaram aos nobres conferencistas, confirmando que suas judiciosas palavras produziram algum resultado.

 

Nota do autor: 

As fotos desta reportagem são de autoria de Jorge Moehlecke.

 



 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita