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Estudando as obras de Manoel Philomeno de Miranda

Ano 10 - N° 470 - 19 de Junho de 2016

THIAGO BERNARDES
thiago_imortal@yahoo.com.br
 
Curitiba, Paraná (Brasil)
 


 
Tormentos da Obsessão

Manoel Philomeno de Miranda

(Parte 36)

Damos prosseguimento ao estudo metódico e sequencial do livro Tormentos da Obsessão, obra de autoria de  Manoel Philomeno de Miranda, psicografada por Divaldo P. Franco e publicada em 2001.

Questões preliminares 

A. Quando um médium fracassa em virtude de uma interferência obsessiva, sua responsabilidade é menor?

Sim. Pelo menos foi isso que Eurípedes Barsanulfo disse a propósito do médium Edmundo, que sofrera severa perseguição de natureza obsessiva. Segundo o Mentor, Edmundo havia falhado realmente em alguns pontos, graças, entre outros motivos, à interferência obsessiva, o que lhe diminuía a responsabilidade. (Tormentos da Obsessão, cap. 18 – Socorro de emergência.)

B. As informações e os conselhos recebidos durante o sono corpóreo por Edmundo produziriam algum efeito?

Edmundo recordaria, sim, a experiência por que passou e os conselhos recebidos. Segundo Dr. Inácio, seu inconsciente liberaria as informações com bastante clareza, e as lições recebidas, tanto do adversário espiritual como do Benfeitor, voltariam à consciência, para lentamente se diluírem no esquecimento parcial. Quanto às possibilidades de Edmundo retornar ao caminho do compromisso, o médico não era otimista. Eis o que ele disse: “Quando o Espírito reencarnado se enleia nas experiências do prazer sensual, demora-se obstinado na busca de novas sensações que lhe facultem o exorbitar das forças. Face ao hábito que se lhe fixa, encontra alguma dificuldade em mudar de comportamento, exceto quando visitado pelo sofrimento depurador, que lhe dá dimensão da realidade na qual se encontra envolvido. Não raro, as advertências espirituais do tipo das que acabamos de participar, resultam pouco frutíferas, em razão da obstinação da conduta irrefreada no sono carnal. Entretanto, têm o valor de demonstrar as bênçãos do Amor Sem Limite que tudo investe em favor daqueles que se Lhe encontram comprometidos, a fim de que se não tenham do que queixar: abandono, desconforto, solidão, necessidade...” (Tormentos da Obsessão, cap. 18 – Socorro de emergência.)

C. Os distúrbios depressivos já eram conhecidos na Antiguidade?

Sim. A depressão, também identificada anteriormente como melancolia, é conhecida na Humanidade desde recuados tempos, por estar associada ao comportamento psicológico do ser humano. A Bíblia, especialmente no Livro de Jó, dentre outros, nos apresenta vários exemplos desse distúrbio que ora aflige incontável número de criaturas terrestres. Podemos identificá-la na Grécia antiga, considerada como sendo uma punição infligida pelos deuses aos seres humanos em consequência dos seus atos incorretos. E dois grandes vultos da história da Medicina – Hipócrates e Galeno – também a ela se referiram. (Tormentos da Obsessão, cap. 19 – Distúrbio depressivo.)

Texto para leitura 

186. Os dias terrestres são muito rápidos – Em face da observação do adversário de Edmundo, Eurípedes lhe disse que a decisão quanto às tarefas do médium em foco viera de Mais Alto e ele aceitara a incumbência, havendo falhado em alguns pontos, é certo, graças também à interferência obsessiva, o que lhe diminuía a responsabilidade. Edmundo estava, contudo, em perfeitas  condições de recomeçar e prosseguir, com admiráveis possibilidades para o êxito futuro. Na sequência, os assistentes acercaram-se da médium em transe e aplicaram-lhe energias anestesiantes, que terminaram por acalmar o agressor espiritual que se rebelava e esbravejava, levando-o ao sono refazente, e logo retirando-o do recinto. No silêncio, que se fez natural, podia-se ouvir a respiração ofegante de Edmundo, que chorava, sinceramente comovido. O amoroso Eurípedes acercou-se-lhe, tomou-lhe as mãos e falou-lhe paternalmente: “Irmão da alma: tenha cuidado! Você acaba de conhecer a trama oculta que se desenrola na Erraticidade inferior para impedir-lhe o avanço. Naturalmente, que nós, os seus Amigos devotados, não nos encontramos inertes, e esta reunião é uma demonstração disso. Todavia, a sua cooperação será de inestimável valor em benefício dos seus deveres. É necessário retroceder no caminho por onde tem seguido, para recomeçar a estrada da renúncia e do serviço de Jesus, por onde deve avançar. Não se estremunhe ante a realidade, que lhe cabe entender para prosseguir. Os dias terrestres são muito rápidos, por mais largos se apresentem. Se você cumprir com o dever, retornará ao Lar vitorioso para os grandes momentos de felicidade que aguardam todos aqueles que são fiéis. Iremos deixá-lo consciente do nosso encontro espiritual, a fim de que possa refletir e reprogramar os seus atos. Sabemos que não será fácil, porque os seus aduladores encarnados e exploradores espirituais estarão vigilantes. No entanto, a opção será sempre sua. Tenha bom ânimo e confie no Senhor que nos ama. Agora durma e repouse, para despertar em paz e em lucidez”. Após essas palavras, o Mentor aplicou-lhe energias relaxantes, que adormeceram o médium visitante, que recuperou a expressão facial agora refletindo paz. (Tormentos da Obsessão, cap. 18 – Socorro de emergência.) 

187. Nunca nos faltam os recursos do Mundo Maior – Durante o trajeto de volta ao seu apartamento, Miranda perguntou ao Dr. Inácio se Edmundo se recordaria da experiência descrita linhas acima. “Sim — redarguiu, generoso. O inconsciente liberará as informações com bastante clareza, e as lições recebidas, tanto do adversário espiritual como do Benfeitor, voltarão à consciência, para lentamente se diluírem no esquecimento parcial.” Quanto às possibilidades de Edmundo retornar ao caminho do compromisso, o médico explicou: “Quando o Espírito reencarnado se enleia nas experiências do prazer sensual, demora-se obstinado na busca de novas sensações que lhe facultem o exorbitar das forças. Face ao hábito que se lhe fixa, encontra alguma dificuldade em mudar de comportamento, exceto quando visitado pelo sofrimento depurador, que lhe dá dimensão da realidade na qual se encontra envolvido. Não raro, as advertências espirituais do tipo das que acabamos de participar, resultam pouco frutíferas, em razão da obstinação da conduta irrefreada no sono carnal. Entretanto, têm o valor de demonstrar as bênçãos do Amor Sem Limite que tudo investe em favor daqueles que se Lhe encontram comprometidos, a fim de que se não tenham do que queixar: abandono, desconforto, solidão, necessidade... Nunca lhes faltam os recursos do Mundo Maior. Saber aplicá-los é tarefa de cada qual. Oraremos, no entanto, e volveremos a inspirá-lo de diferentes formas, a fim de que aproveite a ensancha formosa que lhe está sendo concedida. Nesse sentido, o Espírito Mateus, encarregado de o assistir, não medirá esforços nem meios para liberá-lo de si mesmo e daqueles perturbadores com os quais comparte as paixões desordenadas”. (Tormentos da Obsessão, cap. 18 – Socorro de emergência.) 

188. Distúrbio depressivo – Convidados pelo Dr. Inácio a assistir a uma conferência sobre o tema distúrbio depressivo, Miranda e Alberto foram, na hora aprazada, ao Auditório onde teria lugar o significativo cometimento. Tratava-se de um recinto de amplas proporções com capacidade para aproximadamente mil pessoas e a sua edificação recordava os anfiteatros greco-romanos, que facultavam uma bela visão do palco de qualquer lugar onde a pessoa estivesse. O entardecer estava deslumbrante, abençoado por favônios perfumados, enquanto os convidados assentavam-se nas arquibancadas semicirculares. O expositor adentrou o recinto acompanhado por Eurípedes, dr. Inácio e outros nobres Espíritos que Miranda não conhecia pessoalmente. Apresentava um semblante calmo e demonstrava na face que houvera desencarnado com mais de setenta anos. Jovial e de agradável expressão, foi conduzido à parte central, tomando parte na mesa da cerimônia presidida pelo fundador do Nosocômio. Encontravam-se presentes médicos especializados no estudo da psique, enfermeiros e trabalhadores dos diversos departamentos do Hospital, interessados nos esclarecimentos que seriam oferecidos pelo culto conferencista e muitos outros Espíritos especialmente convidados. Após expressiva oração, Eurípedes fez breve apresentação do cientista-orador, esclarecendo que ele exercera a profissão de psiquiatra enquanto reencarnado na Terra, havendo oferecido expressivo contributo à psicanálise e à psicologia, e que se encontrava liberado do corpo havia mais de trinta anos, dando prosseguimento às pesquisas em torno da mente e da emoção humana como resultado dos processos da evolução espiritual. (Tormentos da Obsessão, cap. 19 – Distúrbio depressivo.) 

189. A depressão ao longo dos séculos – Sem mais delongas, o orador acercou-se da tribuna, deteve-se em breve silêncio durante o qual exteriorizou uma suave claridade que o emoldurou delicadamente. Em seguida, deu início à conferência, após saudar a todos com jovialidade: “A depressão, também identificada anteriormente como melancolia, é conhecida na Humanidade desde recuados tempos, por estar associada ao comportamento psicológico do ser humano. A Bíblia, especialmente no Livro de Jó, dentre outros, nos apresenta vários exemplos desse distúrbio que ora aflige incontável número de criaturas terrestres. Podemos identificá-la na Grécia antiga, considerada como sendo uma punição infligida pelos deuses aos seres humanos em consequência dos seus atos incorretos. Encontramo-la, desse modo, também presente no século 4º a.C., graças a diversas referências feitas por Hipócrates. Mais tarde, no século 2º a.C., Galeno estudou esse transtorno como sendo resultado do desequilíbrio dos quatro humores: sangue, bílis amarela, bílis negra e fleuma, que seriam responsáveis pelo bem-estar e pela saúde ou não dos indivíduos. Aristóteles assevera que Sócrates e Platão, como muitos outros filósofos, artistas, combatentes gregos, foram portadores de melancolia, que acreditava estar vinculada às capacidades intelectuais e culturais do seu portador. A Igreja romana, a partir do século 4º, também passou a considerá-la e defini-la, ligando-a à tristeza, sendo tida como um pecado decorrente da falta de valor moral do homem para enfrentar as vicissitudes do processo existencial. Posteriormente esteve associada à acídia, passando a ser definida com mais severidade como sendo um pecado cardinal, em razão de tornar os religiosos preguiçosos e amedrontados ante as tarefas que deveriam desempenhar”. (Tormentos da Obsessão, cap. 19 – Distúrbio depressivo.) 

190. Teorias que surgiram para explicar a depressão – Continuou o conferencista: “As lendas a seu respeito fizeram-se muito variadas e as discordâncias complexas, vinculando-a, não raro, à bílis negra, responsável pelo ato impensado de Adão ao comer a maçã no paraíso... A história da medicina também relata que, já no século 10º, um médico árabe, estudando a melancolia, confirmou que a mesma resultava da referida e tradicional bílis negra. Com o Renascimento, porém, esse transtorno passou a ser tido como uma forma de insanidade mental, surgindo nessa época diferentes propostas terapêuticas de resultado duvidoso. À medida que se processava o progresso cultural, a melancolia passou a expressar os estados depressivos e, a partir de 1580, tornou-se popular na literatura com características melhor definidas. Foi a partir do século 15 que a tese de Galeno começou a ser superada e lentamente substituída por definições que abrangiam a natureza química e mecânica do cérebro, responsável pelo distúrbio perturbador. Não obstante a descoberta da circulação do sangue pelo eminente Harvey, que facultou a apresentação de novos conceitos explicativos para a depressão, esclarecendo que se podia tratar de uma deficiência circulatória, permaneceram ainda aceitos os conceitos ancestrais de Galeno, e, por efeito, a terapia se apresentava centrada nos métodos da aplicação de sangrias, purgantes, vomitórios com o objetivo de limpar o como, eliminando os humores negros nefastos. No século 19, ainda por um largo período foi associada à hipocondria, responsável pela ansiedade mórbida referente ao estado de saúde e às funções físicas... Logo depois, passou à condição de uma perturbação mental, de um estado emocional deprimido. A melancolia alcançou homens e mulheres notáveis que não conseguiram superá-la, e padeceram por largos períodos a sua afugente presença, e em alguns casos, conduzindo-os a perturbações profundas e até mesmo a suicídios hediondos. Inúmeros poetas, escritores, artistas, religiosos, cientistas famosos não passaram sem sofrer-lhe a incidência cruel, dando margem a que alguns desavisados pensassem que se tratava da exteriorização da genialidade de cada um...” (Tormentos da Obsessão, cap. 19 – Distúrbio depressivo.)  (Continua no próximo número.)




 


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