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Um minuto com Chico Xavier

Ano 10 - N° 467 - 29 de Maio de 2016

REGINA STELLA SPAGNUOLO
rstella10@yahoo.com.br
Botucatu, SP (Brasil)
 

 

O menino mal-assombrado – infância de Chico (parte I)

O pai, João Cândido Xavier, balançava a cabeça e resmungava. É louco!

A madrinha, Rita de Cássia, reagia às alucinações do menino com golpes de vara de marmelo. Entre uma surra e outra, enterrava garfos na barriga do afilhado e berrava: Este moleque tem o diabo no corpo!

Nem o padre Sebastião Scarzello conseguiu fazer de Chico Xavier um garoto "normal". Após as confissões, preces e penitências, Chico tagarelava com a mãe já morta, via hóstias cintilantes na comunhão, escrevia na sala de aula textos ditados por seres invisíveis e tornava-se, assim, o assunto mais exótico da cidade.  

Na empoeirada e católica Pedro Leopoldo, a 35 quilômetros de Belo Horizonte, era difícil encontrar quem apostasse na sanidade de Chico Xavier.

Para espantar o diabo e pagar os pecados, o garoto seguia à risca as receitas paroquiais. Chegou a desfilar em procissão com uma pedra de quinze quilos na cabeça e a repetir mil vezes seguidas a ave-maria. Rezava e contava. Não foi fácil. Um espírito desocupado fazia caras e bocas para atrapalhar seus cálculos. Na igreja, assombrações flutuavam sobre os bancos e beijavam os santos. 

Chico divulgava estas e outras histórias do outro mundo para os adultos. Resultado: mais surras e mais risco de ser transferido de Pedro Leopoldo para Barbacena, a capital dos hospícios. João Cândido estudava com carinho a hipótese de internar o filho. Uma ideia antiga. A Primeira Guerra Mundial começava a assombrar o mundo, e Chico já estava às voltas com fantasmas. Uma noite, seu pai conversava com a mulher, Maria João de Deus, sobre o aborto sofrido por uma vizinha, e desancava a moça.  

O filho interrompeu o julgamento e, do alto de seus quatro anos, proferiu a sentença: O senhor está desinformado sobre o assunto. O que houve foi um problema de nidação inadequada do ovo, de modo que a criança adquiriu posição ectópica.

Naquela casa pobre de Pedro Leopoldo, a frase soava tão fora de propósito quanto a notícia de que, na longínqua Europa, a Alemanha acabava de declarar guerra à Rússia. João Cândido arregalou os olhos e balbuciou: O que é nidação? O que é ectópica? 

Chico não sabia. Tinha repetido palavras sopradas por uma voz. Os amigos da família Xavier, aqueles que desconheciam o discurso médico feito pelo menino aos quatro anos, arriscavam uma explicação para as alucinações de Chico: a morte da mãe, quando ele tinha cinco anos.  

Maria João de Deus foi embora cedo demais e, ao se despedir, deixou em casa um garoto ao mesmo tempo magoado e impressionado.

Pouco antes de morrer, ela pediu ao marido que distribuísse os nove filhos pelas casas de amigos e parentes. Só assim João Cândido, vendedor de bilhetes de loteria, conseguiria viajar pelas cidades vizinhas em busca de dinheiro. No pé da cama onde a mãe agonizava, atormentada por crises de angina, Chico cobrou:

- Por que a senhora está dando seus filhos para os outros? Não quer mais a gente, é isso?

Maria explicou que iria para o hospital e garantiu com voz firme: Se alguém falar que eu morri, é mentira. Não acredite. Vou ficar quieta, dormindo.

E voltarei. 

Chico acreditou. No dia seguinte, a mãe morreu e João Cândido entregou à madrinha, Rita de Cássia, um menino com ideias estranhas.
 

Do livro: As vidas de Chico Xavier, de Marcel Souto Maior. 



 


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 Revista Semanal de Divulgação Espírita