Drogadição
O uso abusivo de uma droga como cocaína, nicotina ou
álcool cria uma situação de dependência grave.
Elas atuam nas áreas de prazer do cérebro,
particularmente no núcleo accumbens, liberando dopamina
e determinando três fenômenos psicológicos principais:
A recompensa (prazer imediato com o uso da droga);
O reforço (sugestão para repetir o uso);
A motivação (estímulo para buscar a droga).
Mesmo que receba pouca droga, o cérebro lhe dirá: “Isso
é melhor que nada. Insista, posso conseguir mais para
maximizar meu prazer.”
Em determinado momento, quando se acentua o vício, o
cérebro, através de áreas pré-frontais, passa a procurar
pela droga, tornando essa opção o maior objetivo na vida
do usuário, em detrimento de qualquer outro objetivo.
Desse momento em diante, cresce um transtorno
obsessivo-compulsivo inegociável.
O TOC é um dos componentes mais destrutivos no contexto
do abuso de drogas. Ele não permite ao usuário se
afastar. Não é apenas a recompensa da droga, mas,
principalmente, as exigências do TOC que mantêm o vício,
apesar de todo o prejuízo financeiro, social ou moral
que produz.
O estímulo sensorial produzido pelas drogas é tido como
altamente compensador.
O simples fato de esperar pelo prazer que a droga vai
produzir já é suficiente para estimular a produção de
dopamina, que vai estimular várias áreas de recompensa
no cérebro.
Diferentes regiões do cérebro são atingidas pelo uso
dessas drogas, ampliando a recompensa e abrindo um leque
de sugestões para fazer escolhas e tomar decisões sobre
a dependência química: o que usar e o quanto usar.
Áreas corticais de associação, córtex pré-frontal,
especialmente na região orbitária, amígdalas (regulação
de emoções), hipocampo, resgatando memórias de
experiências anteriores, pálido ventral, núcleo ventral
no mesencéfalo e núcleo accumbens.
Já sabemos, também, que a liberação de dopamina pode
ocorrer antes do uso da droga, simplesmente pela
expectativa de receber o estímulo que a droga provoca.
O ambiente, o ritual, o ponto de droga, o parceiro podem
sinalizar acerto ou erro na quantidade de droga que vai
receber.
Mas o cérebro sempre repete a afirmação: “Isso é melhor
que nada.”
Um dos elementos de maior força na dependência de drogas
é que elas produzem o prazer rapidamente.
Chama-se hedonismo a busca por prazeres de efeito
rápido.
Uma barra de chocolate, que dá tanta satisfação a quem
gosta de doce, demora até 40 minutos para completar seu
ciclo químico no nosso organismo, ao passo que a cocaína
atinge os núcleos de prazer em 4 segundos. É um efeito
explosivo.
O vício, clinicamente, é uma situação patológica grave.
Implica em muitas variáveis complexas:
O contexto social, que às vezes é complacente;
A rotina de vida, que organiza hábitos de fumar depois
do almoço, beber no jantar com amigos ou usar drogas no
ambiente universitário;
A química da droga, que, no início, o organismo tolera
sem mostrar prejuízos;
A repetição, que o cérebro já não consegue frear;
A ocorrência de estresse precoce;
A herança genética em 50% dos casos;
A pressão dos pares num ambiente social permissivo.
A farmacologia das drogas é muito conhecida de quem usa
remédio para hipertensão, diabetes, Parkinson, asma,
fibromialgia.
A medicação produz:
Tolerância, exigindo doses maiores;
Sensibilidade, provocando reação com pequenas doses;
Abstinência, não tolerando sua falta;
Dependência, não podendo ficar mais sem ela.
A química das drogas produz, também, efeitos dessa
natureza.
Lição de casa
Originalmente, o circuito de recompensa existe no
cérebro para nos estimular à busca por alimento, sexo e
interação social.
O uso de drogas foi uma intromissão cultural.
Os dois principais fenômenos ligados ao prazer no abuso
de drogas são a recompensa e a motivação.
Felizmente, são muito poucas as substâncias químicas
capazes de promover o vício.
Elas agem ligando-se a proteínas praticamente nos mesmos
locais no cérebro.
Apesar de seu poder destrutivo, é muito difícil livrar o
usuário do abuso.
O melhor é não dar o primeiro passo.
Depois, organizar todos os processos de apoio, sem
condenação ou culpa:
Perseverança;
Amparo espiritual;
Construção de novos propósitos.