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por Nubor Orlando Facure

 

Drogadição


O uso abusivo de uma droga como cocaína, nicotina ou álcool cria uma situação de dependência grave.

Elas atuam nas áreas de prazer do cérebro, particularmente no núcleo accumbens, liberando dopamina e determinando três fenômenos psicológicos principais:

A recompensa (prazer imediato com o uso da droga);

O reforço (sugestão para repetir o uso);

A motivação (estímulo para buscar a droga).

Mesmo que receba pouca droga, o cérebro lhe dirá: “Isso é melhor que nada. Insista, posso conseguir mais para maximizar meu prazer.”

Em determinado momento, quando se acentua o vício, o cérebro, através de áreas pré-frontais, passa a procurar pela droga, tornando essa opção o maior objetivo na vida do usuário, em detrimento de qualquer outro objetivo.

Desse momento em diante, cresce um transtorno obsessivo-compulsivo inegociável.

O TOC é um dos componentes mais destrutivos no contexto do abuso de drogas. Ele não permite ao usuário se afastar. Não é apenas a recompensa da droga, mas, principalmente, as exigências do TOC que mantêm o vício, apesar de todo o prejuízo financeiro, social ou moral que produz.

O estímulo sensorial produzido pelas drogas é tido como altamente compensador.

O simples fato de esperar pelo prazer que a droga vai produzir já é suficiente para estimular a produção de dopamina, que vai estimular várias áreas de recompensa no cérebro.

Diferentes regiões do cérebro são atingidas pelo uso dessas drogas, ampliando a recompensa e abrindo um leque de sugestões para fazer escolhas e tomar decisões sobre a dependência química: o que usar e o quanto usar.

Áreas corticais de associação, córtex pré-frontal, especialmente na região orbitária, amígdalas (regulação de emoções), hipocampo, resgatando memórias de experiências anteriores, pálido ventral, núcleo ventral no mesencéfalo e núcleo accumbens.

Já sabemos, também, que a liberação de dopamina pode ocorrer antes do uso da droga, simplesmente pela expectativa de receber o estímulo que a droga provoca.

O ambiente, o ritual, o ponto de droga, o parceiro podem sinalizar acerto ou erro na quantidade de droga que vai receber.

Mas o cérebro sempre repete a afirmação: “Isso é melhor que nada.”

Um dos elementos de maior força na dependência de drogas é que elas produzem o prazer rapidamente.

Chama-se hedonismo a busca por prazeres de efeito rápido.

Uma barra de chocolate, que dá tanta satisfação a quem gosta de doce, demora até 40 minutos para completar seu ciclo químico no nosso organismo, ao passo que a cocaína atinge os núcleos de prazer em 4 segundos. É um efeito explosivo.

O vício, clinicamente, é uma situação patológica grave.

Implica em muitas variáveis complexas:

O contexto social, que às vezes é complacente;

A rotina de vida, que organiza hábitos de fumar depois do almoço, beber no jantar com amigos ou usar drogas no ambiente universitário;

A química da droga, que, no início, o organismo tolera sem mostrar prejuízos;

A repetição, que o cérebro já não consegue frear;

A ocorrência de estresse precoce;

A herança genética em 50% dos casos;

A pressão dos pares num ambiente social permissivo.

A farmacologia das drogas é muito conhecida de quem usa remédio para hipertensão, diabetes, Parkinson, asma, fibromialgia.

A medicação produz:

Tolerância, exigindo doses maiores;

Sensibilidade, provocando reação com pequenas doses;

Abstinência, não tolerando sua falta;

Dependência, não podendo ficar mais sem ela.

A química das drogas produz, também, efeitos dessa natureza.


Lição de casa

Originalmente, o circuito de recompensa existe no cérebro para nos estimular à busca por alimento, sexo e interação social.

O uso de drogas foi uma intromissão cultural.

Os dois principais fenômenos ligados ao prazer no abuso de drogas são a recompensa e a motivação.

Felizmente, são muito poucas as substâncias químicas capazes de promover o vício.

Elas agem ligando-se a proteínas praticamente nos mesmos locais no cérebro.

Apesar de seu poder destrutivo, é muito difícil livrar o usuário do abuso.

O melhor é não dar o primeiro passo.

Depois, organizar todos os processos de apoio, sem condenação ou culpa:

Perseverança;

Amparo espiritual;

Construção de novos propósitos.


   

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita