|
Abraão, a
escada de Jacó e o
soneto de Camões
Abraão, considerado o
primeiro grande
patriarca do povo
hebreu, de cuja
descendência surgiria o
Messias, era natural da
cidade de Ur, na
Caldeia, situada no vale
da Mesopotâmia, entre os
rios Tigre e Eufrates,
no Golfo Pérsico, atual
Iraque. Por volta do
século XX antes de
Cristo, deixa Ur e
dirige-se para Harã, ao
norte, acompanhado de
seu pai. Era casado com
Sara.
Depois da morte de seu
pai, Abraão deixa a casa
paterna e segue em busca
da Terra Prometida.
Chega a Canaã e passa
por Siquém, onde Deus
lhe promete aquela terra
para sua descendência.
Em diversos pontos de
sua peregrinação, Abraão
ergue altares e invoca o
nome de Deus.
Houve uma época de
grande seca, quando
Abraão se deslocou para
o Egito com a família e
o rebanho. Na volta à
Terra Prometida,
percorreu novamente a
região do Neguebe. Como
seus rebanhos e os de
seu sobrinho Ló haviam
aumentado muito,
surgiram
desentendimentos entre
os pastores de ambos.
Por isso, tio e sobrinho
se separaram e, a
conselho de Abraão, Ló
instalou-se na planície
do Jordão, enquanto
Abraão permaneceu na
terra de Canaã.
Abraão teve vários
filhos. Deles, os mais
citados foram Ismael,
filho de Agar, serva de
sua mulher, e Isaac,
filho de sua mulher
Sara. Isaac casou-se aos
40 anos com Rebeca, com
quem teve dois filhos,
os irmãos gêmeos Esaú e
Jacó. Esaú, por ter
nascido primeiro, tinha
direito à primogenitura,
mas a trocou com Jacó
por um prato de
lentilhas.
Por determinação de
Isaac, Jacó foi enviado
à casa de Labão, em
Padã-Arã, para tomar uma
mulher dentre as filhas
de seu tio. Ali conheceu
sua prima Raquel e
apaixonou-se por ela.
Labão exigiu que, para
recebê-la em casamento,
Jacó trabalhasse para
ele durante sete anos.
Findo o prazo,
astuciosamente, em lugar
de Raquel, deu-lhe Lia.
Depois de cumprida a
semana nupcial de Lia,
Labão entregou Raquel a
Jacó, com a exigência de
que ele trabalhasse mais
sete anos.
Durante a viagem até
Harã, Jacó sonhou com
uma escada que se erguia
da Terra e cujo topo
atingia o céu, enquanto
os anjos de Deus subiam
e desciam por ela. No
relato bíblico, esse
sonho ocorre quando Jacó
parte de Berseba em
direção a Harã. Para
nós, espíritas, essa
escada pode representar
o processo de evolução
dos Espíritos na Terra.
Na volta da viagem para
Canaã, Jacó passou por
uma experiência
singular: junto ao vau
de Jaboque, lutou com um
homem até o amanhecer.
Ao final, recebeu o nome
de Israel, em razão de
sua perseverança.
Segundo a narrativa
bíblica, de seus
descendentes surgiriam
as doze tribos de
Israel.
O episódio da luta de
Jacó pode ser entendido,
à luz do Espiritismo,
como uma representação
do combate espiritual e
perseverante do homem
com sua própria
inferioridade — aquilo
que nós, espíritas,
conhecemos como Reforma
Íntima.
Sobre o assunto, Luís de
Camões, o grande poeta
português, escreveu o
soneto que fala sobre a
força, a paciência e a
brevidade do amor:
Sete anos de pastor Jacó
servia
Labão, pai de
Raquel, serrana bela;
mas não servia ao
pai, servia a ela,
e a ela só por prêmio
pretendia.
Os dias, na esperança de
um só dia,
passava,
contentando-se com
vê-la;
porém o pai, usando
de cautela,
em lugar de Raquel lhe
dava Lia.
Vendo o triste pastor
que com enganos
lhe fora assim
negada a sua pastora,
como se a não tivera
merecida;
começa de servir outros
sete anos,
dizendo: — Mais
servira, se não fora
para tão longo amor tão
curta a vida.
|