Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Organização, disciplina


Pedras grandes


A mãe de Luciana vivia chamando a atenção da menina para que cumprisse seus deveres, fosse pontual em seus compromissos e realizasse tarefas importantes, que ela sempre deixava para depois.

— Já vou, mamãe! Espere só acabar esta partida, por favor! — dizia Luciana, que frequentemente se distraía com algum joguinho.

Ou então:

— Vou só mandar uma mensagem para minha amiga. É rapidinho...

Ou ainda:

— Agora não posso! O Tobi me pediu carinho!

Mas, na maioria das vezes, o tempo passava e Luciana acabava tendo de dar alguma desculpa.

— Me distraí! Esqueci de novo! Desculpe, mamãe!

Certo dia, querendo ajudar a filha a se organizar melhor, a mãe de Luciana chamou a menina e propôs uma atividade.

Entregou-lhe algumas pedras grandes e pediu que as colocasse dentro de um vaso de boca larga.

Luciana fez o que a mãe pedira e encheu o vaso com as pedras.

— O vaso já está cheio, Luciana?

— Sim, mamãe!

A mãe, então, entregou-lhe um saco de pedregulhos e pediu que também os colocasse no vaso. Como eram bem menores que as pedras, eles se acomodaram nos espaços entre elas e couberam ali também.

— Agora, sim, está cheio! — disse Luciana.

Mas a mãe lhe deu uma lata de areia e pediu que a despejasse no vaso.

A areia ocupou os espaços entre os pedregulhos e também coube ali, preenchendo os espaços restantes.

Quando Luciana pensou que não caberia mais nada, sua mãe trouxe uma jarra de água e pediu que a despejasse no vaso.

— Nossa! Agora não cabe mais nada, com certeza! — exclamou a menina.

Mas a mãe ainda trouxe um pouco de sal, que foi acrescentado à água e se dissolveu completamente.

Luciana estava impressionada.

A mãe, então, explicou que o vaso representava a capacidade que temos de realizar nossas tarefas, enquanto os materiais colocados nele simbolizavam as atividades que planejamos executar.

— Mas o que isso quer dizer? Que tenho de fazer cada vez mais coisas, mesmo achando que não cabe mais nada, porque, no final, tudo é possível? — perguntou Luciana.

— Não, querida! Não é bem assim. Embora tenha sido possível colocar tudo no vaso, se você não puser os materiais na sequência certa, alguns ficarão de fora no final — respondeu a mãe.

E continuou:

— As pedras grandes representam as tarefas mais importantes do seu dia. Elas devem ser realizadas primeiro, pois são prioridades. Você pode fazer outras atividades menores nos intervalos, mas não deve deixar as mais importantes para o fim, porque talvez já não haja tempo para realizá-las.

Luciana prestou atenção e compreendeu a lição que sua querida mãe lhe ensinava. Prometeu, então, que procuraria organizar melhor suas atividades.

E assim as coisas melhoraram na vida de Luciana. Ela passou a se dedicar mais às suas tarefas e a realizar primeiro o que era mais importante.

A menina sentiu-se muito mais responsável e satisfeita por cumprir seus compromissos. Além disso, sua mãe já não precisava chamar tanto sua atenção.

Às vezes, bastava dizer:

— Luciana, lembre-se das pedras grandes, em primeiro lugar!

 

(Adaptação de um texto encontrado no livro Além do que se vê, Ed. Madras.)

 


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