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por Fernando Rosemberg Patrocinio

Abolições para um novo tempo


O termo “Abolição” é sinônimo, dentre outros, de revogação, extinção ou anulação de certas coisas que, doravante, não serão mais divulgadas, vividas ou proclamadas etc.

E o fato é que a confusão ainda é muito grande entre os religiosos dos mais diversos matizes, donde se misturam e se discutem passagens do Velho e do Novo Testamento Bíblico, quando este segundo, por sua vez, surgira para preponderar sobre o outro e, de certa forma, anulá-lo, ou seja, não seria ele mais objeto de nossas ações ou de nossas mais caras observações.

Logo, a Pena de Talião do Velho Testamento, aquela mesma do “olho por olho e dente por dente”, está, doravante, anulada pelo Novo Testamento; assim como também todas as demais passagens de guerra, de crimes, de violência e, pois, de imoralidades contidas no mesmo, repito, no Velho Testamento, passando a valer, pois, o Novo Ensino do Mestre Nazareno e, sobretudo, o “Maior Mandamento da Lei”, que ministra com veemência aos nossos corações:

“Amar a Deus acima de todas as coisas, e a teu semelhante como a ti mesmo.”

(Jesus).

E, portanto, tudo o que contradiz tal ensino do Mestre está errado, banido ou excluído da Nova Ordem Evangélica, que prescreve o Amor incondicional a tudo, ou seja, a Deus e Suas Criaturas, pois que o Supremo Criador não se distingue e não se separa de Sua Divina Obra, estando Ele, assim, imanente a ela, jungido a ela e, pois, em tudo e em todos nós; e isto também é constante do ensino de Jesus.

Logo, o Velho Testamento, se contém coisas boas, por outro lado, encerra coisas muitíssimo ruins, imorais e, portanto, não mais condizentes com os novos tempos, e isto, pois, fora preconizado pelo próprio Mestre, como já vimos supra. E, portanto, que não mais se olhe para trás, mas, sim, para frente e para o alto, donde está a nossa destinação futura: toda ela espiritual e moral.

E, inclusive, as mais diversas editoras já têm publicado edições e mais edições do Novo Testamento em separado do Velho, o que é, de fato, um progresso e não um retrocesso, como alguns mais retrógrados têm observado; ora, o que é velho é velho e, se já não serve mais, deve ser abandonado em função do Novo, muito mais expressivo e melhor, pois que:

“Toda árvore que meu Pai não plantou será arrancada e lançada ao fogo.” (Jesus).

Logo, creio que todos nós, os espiritistas bem-pensantes, somos inteiramente a favor da produção, em separado, do Novo Testamento, que, mais tarde, os demais religiosos hão de reconhecer que o mesmo há de ser complementado pela obra central da Codificação Kardequiana, ou seja, por “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (1864 – A. K.) e demais opúsculos de sua luz e eterna grandiosidade.

Ora, de que serve o Velho Testamento se os seus seguidores, e, sobretudo no Oriente Médio e adjacências, donde se nos mostram judeus, muçulmanos e ateus em pleno estado de ódio, de guerras e demais atrocidades que, por sua vez, estão em profundo contraste com o Amor, aquele mesmo Amor preconizado pelo Nazareno?


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita