Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Fé


A lagarta Tatá


Tatá era uma lagarta alegre e bem-disposta! Todos os dias acordava com muita fome e já saía em busca de comida. Devorava folhas inteiras, pequenas ou grandes. Estava sempre mastigando.

Ela só parava um pouquinho para cumprimentar seus amigos, os outros insetos, ou para trocar um dedinho de prosa.

Os bichinhos gostavam de conversar com Tatá. Na verdade, gostavam da companhia dela. Ela era agradável, estava sempre sorrindo e de bem com a vida.

– Oi, Tatá, bom dia, amiga! Tudo bem com você? – disse a formiga Tiana.

– Oi, Ti! Bom dia, querida! Quais são as novidades? Ninguém melhor do que você, que é esperta e anda por toda parte, para me manter informada – disse Tatá, sorrindo.

As duas conversaram um pouquinho, e Tiana seguiu seu caminho, apressada como sempre.

Mais tarde, foi a vez de Tatá encontrar a joaninha Joana.

– Ah, que bom te encontrar, Jô! – disse a lagarta. – Dizem que joaninhas trazem sorte. Mas a sorte é ter uma amiga assim, tão especial, com pintinhas e que consegue até voar! Que chique! Me conte, de novo, um pouquinho de como são as coisas, olhando lá de cima?

Tatá não era invejosa. Ela via as qualidades dos outros insetos, que ela não tinha, mas isso não a incomodava. Ficava feliz por eles.

A lagarta era lenta, arrastava-se e não era bonita. A formiga tinha a cintura fina, era ágil e forte. A joaninha era bonita, vermelhinha, com asas pequenas e redondinhas. A joaninha era bem recebida em qualquer lugar. A lagarta, não. Sua aparência não era nada atraente.

Às vezes, os bichinhos ficavam com dó de Tatá e comentavam:

– Nossa, a Tatá tem tanta fome, coitada! Ela está ficando cada vez maior, mas também mais pesada. Não precisava nem voar, mas, se ela pelo menos tivesse pernas para andar melhor... Assim, arrastando-se como faz, é difícil ir atrás de tanta comida!

Às vezes, alguém se oferecia para tentar ajudá-la, mas Tatá dizia:

– Obrigada, meu amigo! Mas não quero incomodar. Está tudo bem! Minha vida é assim mesmo! Eu vou devagar, mas consigo sempre achar folhas gostosas! Todos os dias eu agradeço a Deus, pois sei que Ele cuida de mim, assim como cuida de tudo e de todos. Eu sei que, aparentemente, temos diferenças, mas acredito que, na essência, somos todos iguais e estamos apenas tendo oportunidades diferentes de aprendizado. Vamos em frente! Vai dar tudo certo!

Tatá tinha muita fé. Ela se sentia cuidada por Deus, e isso lhe dava alegria, tranquilidade e otimismo para levar sua vida da melhor maneira que conseguia.

Certo dia, porém, a lagarta percebeu que estava muito cansada. Não conseguiu rastejar para procurar comida. Queria ficar parada, quieta.

Tatá não entendia o que estava acontecendo. Ficou preocupada. Achou que estava doente ou até que já fosse morrer.

Começou a rezar. Pediu a Deus que continuasse cuidando dela, como sempre, e que a ajudasse a passar por aquele momento de dificuldade, com força e confiança.

Depois da prece, Tatá sentiu-se mais tranquila e encorajada. Seguiu seus instintos e construiu um casulo, para ficar protegida e quietinha por um tempo, como estava precisando.

E a lagarta ficou assim por vários dias, até que se sentiu renovada.

Então, com entusiasmo pela vida, rompeu o casulo.

Quando Tatá saiu e começou a se mexer novamente, percebeu que estava muito diferente. Agora tinha asas. E estava linda. Tinha a cintura e as pernas finas, como as da formiga. E, com suas asas grandes e coloridas, poderia voar para todos os lugares, acompanhando a joaninha.

Tatá foi ao encontro de seus amigos para contar a novidade. Eles mal puderam acreditar, mas depois viram que era ela mesma.

Todos ficaram muito contentes pela amiga e a incentivaram.

– Você está maravilhosa, Tatá!

– Aproveita, amiga!

– Você merece ser muito feliz!

Tatá ficou ainda mais contente ao receber o carinho dos amigos.

Dali para frente, sua vida mudou bastante. Ela passou a viver como uma borboleta. Só não mudou a sua essência. Continuou feliz, como já era antes, mesmo quando era lagarta, pois tinha fé em Deus. Sem saber como, sentia que tudo ia dar certo.

O período de lagarta ensinou Tatá a ser humilde e esforçada. Também a ajudou a fortalecer sua fé: a fé de que tudo o que Deus colocava em sua vida era para o seu bem e de que tudo caminhava para dar certo.

E deu mesmo.

 


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