Cinco-marias

por Eugênia Pickina

 

Brincar, mas em contato com a natureza


As pessoas são aquilo que elas amam.
Rubem Alves


Infância está relacionada ao brincar. Inventar, imaginar, recriar, repetir. Bola, boneca, caixa de papel, lençol azul, castelo sob a árvore nos dias de sol…

No primeiro setênio, a criança tem direito a experimentar o mundo através das brincadeiras. Sair para fora e correr na pracinha para testar o corpo, desenvolver o interior, sentir alegria, o relógio a seu favor, tudo voltado para o aqui e agora.

Vivemos muito emparedados. Boa parte das pessoas vive em apartamentos, o alunato enclausurado nas escolas, as famílias presas na sala de TV ou a filho confiscado por bastante tempo pelo quarto de brinquedo, a janela bem lacrada e por segurança, é óbvio!

A criança no dia a dia deve ser incentivada a fazer suas brincadeiras em contato com a natureza: quintal, pracinha, parquinho no condomínio ou o parque grande da esquina… Arriscar e fazer invenciones em interação com as árvores, a grama, a areia, a terra, o vento, o sol. Escutar passarinho, ver a borboleta e também uma abelha. Tudo isso beneficia o desenvolvimento integral de quem está a estagiar na infância.

Não devemos ter pressa para dar início à vida escolar… Sustentar nosso filho em casa, estimular as brincadeiras livres, o tempo dedicado à imaginação assistida pelos elementos naturais… Provocar o interesse e as perguntas sobre bichinhos, pedras, folhas. Provar da amora na calçada da rua, treinar subir na goiabeira do quintal de casa, olhar as nuvens do céu da praça do bairro e, para treinar atenção, silêncio, concentração… Habituar-se à beleza das coisas que permeiam nosso entorno, nossas vidas comuns.

Rubem Alves, o escritor amigo dos ipês, escreveu: “Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança. Está sempre à procura de companheiros para brincar.” Ofereça, então, de modo cotidiano, e nos territórios naturais, tempo e espaço para o seu filho testar “esses brinquedos” para ele crescer bem, feliz, resiliente e criativo.


 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita