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por Sidney Fernandes

 

O tempo de cada um


Uma das maiores dificuldades humanas é aceitar que nem todas as pessoas amadurecem no mesmo ritmo.

Desejamos ver mudanças rápidas, compreender imediatamente os resultados dos nossos esforços e colher hoje os frutos das sementes que plantamos ontem. Quando isso não acontece, surgem a frustração, a impaciência e, muitas vezes, o sofrimento.

Jesus conviveu com essa realidade.

Pedro era impulsivo, contraditório e frequentemente precipitado. Paulo de Tarso possuía temperamento forte e combativo.

Apesar disso, o Mestre jamais desistiu deles. Não os avaliava apenas pelo que eram naquele momento, mas pelo que poderiam vir a ser.

Anos depois, Pedro se transformaria em importante fator de equilíbrio entre os primeiros cristãos. Aquele homem não nasceu pronto. Foi educado pelo tempo e pela paciência.

Paulo de Tarso tornou-se um dos grandes divulgadores do Evangelho. Sua trajetória pelo mundo mediterrâneo foi decisiva para que a mensagem de Jesus ultrapassasse os limites do judaísmo e alcançasse outros povos.

André Luiz relata, em Missionários da Luz, o caso de um pai desencarnado que sofria profundamente por causa dos desajustes da filha. A espiritualidade precisou ampará-lo para que não se consumisse em angústia. Colocou-o, temporariamente, em estado amnésico, até que a filha se equilibrasse e ele adquirisse maior maturidade para enfrentar a situação.

O episódio nos recorda que nem sempre estamos preparados para acompanhar, sem sofrimento, o processo evolutivo daqueles que amamos.

Emmanuel oferece ensinamento semelhante ao comparar o crescimento espiritual à alimentação. Algumas criaturas ainda necessitam do leite antes de receber alimento mais substancioso. Antecipar etapas raramente produz bons resultados.

Também nos relacionamentos acontece assim.

Muitas vezes, aquilo que interpretamos como ingratidão é apenas imaturidade. Aquilo que nos parece indiferença pode ser apenas falta de compreensão. Cada pessoa possui seu próprio tempo de aprendizado.

Jesus sabia disso. Por essa razão, ensinava sem desistir, corrigia sem condenar e esperava sem deixar de amar.

A semente não floresce no dia em que é lançada à terra. As árvores crescem devagar. As almas também.

A verdadeira sabedoria consiste justamente em aprender a respeitar o tempo de cada um.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita