Frustrar-se também é crescer
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Manuel Bandeira
Frustrar-se faz parte da vida. Encarar obstáculos,
receber um não, ler um livro com um final decepcionante,
perder um amigo, o trabalho, a mala extraviada na viagem
de férias…
Na infância, precisa ser normal a criança receber um
não, ser incentivada a resolver problemas, habituar-se a
expectativas que não são atingidas quando o domingo no
parque não ocorrerá por causa da chuva intensa, por
exemplo…
Não é fácil, mas é necessário: aprender a esperar o bolo
assar e esfriar; ter paciência para aguardar o fim da
tarde para brincar na pracinha do bairro. Voltar antes
da hora porque o irmão mais novo reclama banho e
atenção.
Jogar e perder. Nem sempre ganhamos, podemos explicar à
criança. Aceitar que ela viva a tristeza da derrota, no
entanto. Pois conhecer as emoções também faz parte de um
longo e reiterado aprendizado.
No supermercado, o meninozinho quer comprar um sorvete
fora de hora. Será natural dizer-lhe um não, pontuando a
mãe que no fim de semana isso sim será possível.
Dar exemplos de tolerância, paciência, resignação com a
máquina de lavar que em plena segunda-feira não
funciona… Estimular autonomia, recomposição emocional
ante as contrariedades cotidianas, como a roupa
encharcada na rua pela falta de guarda-chuva… Em casa,
tomar banho, trocar de roupa e seguir em frente, porque
há muita coisa que não podemos controlar, e nossos
filhos merecem crescer (também) conscientes disso.
Ao enfrentar frustrações, procure, todavia, com atenção
e carinho, ensinar seu filho a lidar com as emoções
difíceis que emergem por conta desses fatos embaraçosos:
respirar fundo, contar até 10, desenhar ou abraçar um
bichinho de pelúcia são estratégias simples que podem
fazer a diferença.
A vida é boa e apresenta desafios a todos. Podemos, como
pais, usar os obstáculos que permeiam a infância de
nossos filhos como lições naturais sobre resiliência e
fortaleza interior.
Frustrar-se desde cedo nos motiva a encarar os desafios
como grandes oportunidades de aprimoramento pessoal e
autonomia. Assim, ganhamos todos.