Discernimento e
julgamento
Para mim,
discernir é uma
das questões
mais relevantes
para a
compreensão de
tudo aquilo que
envolve o nosso
viver,
principalmente
sobre conceitos
que tomaram
conta da cultura
popular.
Discernimento,
segundo o
dicionário,
dentre outras
coisas, é a
capacidade de
compreender
situações, de
separar o certo
do errado. Vou
dar um exemplo
para fazer a
ideia ser bem
compreendida:
muitos
consideram
humildade como
sinônimo de
pobreza, de
atitudes
discretas e
inúmeras coisas
parecidas em ser
alguém apagado,
que não se
destaca, que se
mantém no
anonimato, que
não expressa e
nem possui
qualidades.
Porém,
equivocadas são
essas ideias...
A humildade, na
verdade, é ter
consciência do
que se é. Nem
mais, nem menos.
Jesus, certa
feita, foi
chamado de bom.
Ele retrucou,
dizendo que bom
era só o Pai e
que Ele poderia
ser chamado de
Mestre, porque
isso Ele era e
assumia com
louvor.
Assim, nossa
visão sobre as
coisas pode nos
enganar, estar
disforme sob
determinados
pontos de vista,
pois, em
verdade, ela se
forjou entre
nossas
convicções mais
profundas, sobre
aquilo que
convencionamos
chamar de certo
e errado, isto
é, verdadeiro ou
falso.
Julgar, por
outro lado,
seria emitir
parecer, opinião
sobre algo ou
alguém, seria o
hábito de
interpretar as
atitudes
alheias,
conferindo-lhes
juízos éticos de
apreciação
pessoal. Assim,
já podemos
depreender dessa
afirmativa que
esses juízos são
formulados sob a
influência dos
valores e
imperfeições que
definem nossa
personalidade,
muitas vezes
acrescidos dos
interesses
pessoais e das
expectativas que
criam
conveniência no
ato de julgar.
Relevante
ressaltar que,
quando ativamos
o mecanismo de
julgar, gravamos
no psiquismo um
modo de agir que
aplicamos,
igualmente, a
nós próprios.
Quando Jesus
estabeleceu o
“não
julgamento”,
Ele,
naturalmente,
queria nos
poupar desse
cárcere que
detonamos contra
nós mesmos.
Dessa forma, ao
invés do julgar,
recomenda-se a
análise dos
fatos e
comportamentos
tão somente para
tirarmos
proveito e
evitá-los em
nós, como bem
registraram os
Bons Espíritos
diante da
inquirição de
Kardec quanto
aos julgamentos.
Discernir e
julgar.
O primeiro,
ampliado,
concede-nos um
cabedal maior
para a
compreensão de
tudo aquilo que
tem relevância,
que se aproxima
da verdade, que
liberta o nosso
espírito. O
segundo, o
julgamento,
seria melhor
procedermos à
análise, pois
assim podemos
encontrar a
compreensão do
subjetivismo do
outro, a
relativização e
não a certeza.
Analisar os
outros é uma
iniciativa
necessária de
proteção, limite
e decisão para
uma melhor
convivência e,
para que isso
possa ser
realizado,
também se faz
necessário
expandir o
discernimento.
Com base em uma
análise sensata
e imparcial, nós
podemos ajudar
as pessoas e
estabelecer
sobre o tipo de
relacionamento
que queiramos
manter com elas.
O discernimento,
podemos dizer, é
uma abertura
para sentimentos
fraternos, mais
suaves e
maleáveis,
plenos de
doçura, bondade
e acolhimento,
que vai buscar
na vida a leveza
e a luz que
podemos aplicar
no
relacionamento
com os outros,
porque já o
aplicamos a nós
mesmos.
Assim, como em
todas as coisas,
vivemos um
eterno processo
de aprendizado,
no qual
desenvolveremos
o nosso
discernimento,
nos libertando
de tudo o que
possa envolver
falsos
julgamentos,
ideias errôneas,
equívocos que
tanto prejudicam
a convivência
humana.
Iniciemos,
agora, o
autoconhecimento,
buscando a
Verdade que nos
desnuda de todas
as máscaras.