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por Martha Capelotto

 

Discernimento e julgamento


Para mim, discernir é uma das questões mais relevantes para a compreensão de tudo aquilo que envolve o nosso viver, principalmente sobre conceitos que tomaram conta da cultura popular.

Discernimento, segundo o dicionário, dentre outras coisas, é a capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado. Vou dar um exemplo para fazer a ideia ser bem compreendida: muitos consideram humildade como sinônimo de pobreza, de atitudes discretas e inúmeras coisas parecidas em ser alguém apagado, que não se destaca, que se mantém no anonimato, que não expressa e nem possui qualidades.

Porém, equivocadas são essas ideias...

A humildade, na verdade, é ter consciência do que se é. Nem mais, nem menos.

Jesus, certa feita, foi chamado de bom. Ele retrucou, dizendo que bom era só o Pai e que Ele poderia ser chamado de Mestre, porque isso Ele era e assumia com louvor.

Assim, nossa visão sobre as coisas pode nos enganar, estar disforme sob determinados pontos de vista, pois, em verdade, ela se forjou entre nossas convicções mais profundas, sobre aquilo que convencionamos chamar de certo e errado, isto é, verdadeiro ou falso.

Julgar, por outro lado, seria emitir parecer, opinião sobre algo ou alguém, seria o hábito de interpretar as atitudes alheias, conferindo-lhes juízos éticos de apreciação pessoal. Assim, já podemos depreender dessa afirmativa que esses juízos são formulados sob a influência dos valores e imperfeições que definem nossa personalidade, muitas vezes acrescidos dos interesses pessoais e das expectativas que criam conveniência no ato de julgar.

Relevante ressaltar que, quando ativamos o mecanismo de julgar, gravamos no psiquismo um modo de agir que aplicamos, igualmente, a nós próprios. Quando Jesus estabeleceu o “não julgamento”, Ele, naturalmente, queria nos poupar desse cárcere que detonamos contra nós mesmos.

Dessa forma, ao invés do julgar, recomenda-se a análise dos fatos e comportamentos tão somente para tirarmos proveito e evitá-los em nós, como bem registraram os Bons Espíritos diante da inquirição de Kardec quanto aos julgamentos.

Discernir e julgar.

O primeiro, ampliado, concede-nos um cabedal maior para a compreensão de tudo aquilo que tem relevância, que se aproxima da verdade, que liberta o nosso espírito. O segundo, o julgamento, seria melhor procedermos à análise, pois assim podemos encontrar a compreensão do subjetivismo do outro, a relativização e não a certeza.

Analisar os outros é uma iniciativa necessária de proteção, limite e decisão para uma melhor convivência e, para que isso possa ser realizado, também se faz necessário expandir o discernimento.

Com base em uma análise sensata e imparcial, nós podemos ajudar as pessoas e estabelecer sobre o tipo de relacionamento que queiramos manter com elas.

O discernimento, podemos dizer, é uma abertura para sentimentos fraternos, mais suaves e maleáveis, plenos de doçura, bondade e acolhimento, que vai buscar na vida a leveza e a luz que podemos aplicar no relacionamento com os outros, porque já o aplicamos a nós mesmos.

Assim, como em todas as coisas, vivemos um eterno processo de aprendizado, no qual desenvolveremos o nosso discernimento, nos libertando de tudo o que possa envolver falsos julgamentos, ideias errôneas, equívocos que tanto prejudicam a convivência humana.

Iniciemos, agora, o autoconhecimento, buscando a Verdade que nos desnuda de todas as máscaras.
 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita