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O amor
vencendo
“Amareis ao Senhor,
vosso Deus, de todo o
vosso coração, de toda a
vossa alma e de todo o
vosso espírito; é o
maior e o primeiro
mandamento. E eis o
segundo, semelhante
àquele: Amareis vosso
próximo como a vós
mesmos.”
– Jesus. (Mateus, cap.
XXII, v. 37 a 39.)
Há muitos anos, ouvimos
uma história contada por
um confrade nosso, de
Ituiutaba, Minas Gerais.
Tratava-se de um senhor
bem idoso, querido e
amado no meio espírita
de lá. Quando ele nos
contou essa história,
tinha cerca de 86 anos
de idade.
Disse-nos ele que sua
mãe era espírita e não
sabia ler. Isso, lá
pelos idos do século XX.
Ele, com seus 16 anos na
época, lia para ela O
Livro dos Espíritos
e O Evangelho segundo
o Espiritismo. Com
isso, ele foi adquirindo
um conhecimento que ia
além do conhecimento dos
jovens de sua idade, na
época. Disse-nos ele que
permitiu, então, que a
vaidade o dominasse.
Isso abriu campo para um
processo obsessivo. Ele
foi dominado por um
espírito colérico,
violento. Ele, que era
dócil e calmo, ficou
agressivo demais.
Ninguém conseguia
segurá-lo. Nos ataques
de fúria, atacava. Não
conseguiam ajudá-lo e,
naqueles anos passados,
Eurípedes Barsanulfo,
mineiro, o grande
apóstolo da caridade do
Triângulo Mineiro,
estava atuando em
Sacramento. Resolveram
levá-lo até o senhor
Eurípedes, para tentar
ajudá-lo.
Ele nos contou que o
amarraram na cintura e
três pessoas puxavam uma
corda, cada uma de um
lado, três homens
fortes, de modo que ele
não conseguia se
aproximar de nenhum
deles. Parecia um animal
em luta.
Chegaram a Sacramento e
foram até a farmácia do
“seu” Eurípedes. Ele não
estava, tinha ido fazer
um trabalho de caridade.
Sua secretária indicou
uma pequena pensão, do
outro lado da praça, em
direção contrária à
farmácia, e disse que
esperassem lá até o dia
seguinte cedo, pois logo
eles fariam a reunião
mediúnica e ela passaria
o nome dele ao “seu”
Eurípedes para as preces
da noite.
Eles foram para a pensão
e ele foi amarrado na
cama, para não fugir ou
fazer algo pior. De
madrugada, ele disse que
recobrou a lucidez.
Ficou novamente
tranquilo, como sempre
foi. Chamou os três
homens e lhes disse que
estava bem, que poderiam
desamarrá-lo. Ficou
sereno após isso e, de
manhã, foi para a praça,
sentando-se num banco,
aguardando Eurípedes
Barsanulfo, pois a
secretária lhe disse que
ele viria falar com ele.
O senhor Eurípedes veio.
Nosso confrade amigo
chorou de emoção ao
falar desse encontro.
Eurípedes era cheio de
amor. Perguntou-lhe se
ele sabia por que
entrara no processo
obsessivo, sendo
subjugado pelo espírito
que o dominara. Ele
disse, na época, não
saber. Eurípedes o
esclareceu. Deu-lhe um
exemplar d’ O
Evangelho segundo o
Espiritismo
autografado. Ele buscou
o Evangelho e nos
mostrou. Tinha sido
assinado cerca de 70
anos antes e, ainda
assim, após tanto tempo,
as lágrimas corriam de
seus olhos, ao se
lembrar de Eurípedes
Barsanulfo. Ele me
disse, contou-nos nosso
idoso amigo, que eu
deveria pautar minha
vida pelos ensinamentos
aqui contidos.
Explicou-me sobre a
mediunidade e me pediu
vigilância, oração e
amor, para que nenhum
mal voltasse a ocorrer a
mim.
Esse nosso amigo passou
pela experiência humana
vivenciando os
ensinamentos do
Evangelho. Amado por
todos os espíritas e não
espíritas que o
conheceram.
Todos nós somos
agraciados pela presença
do amor. Temos um
querido amigo espírita
que nos disse que nós,
os espíritas mais
velhos, pudemos ser
acalentados pelos
exemplos de Chico
Xavier, “o homem chamado
amor”. Realmente o
fomos.
Vamos, porém, um pouco
além do tempo, para
trás. Fomos presenteados
pelo Evangelho
segundo o Espiritismo.
Fomos amparados pelo
amor de Jesus e pela
coragem do espírito que
ele convocou para uma
hercúlea tarefa, para a
codificação do
Espiritismo, o senhor
Allan Kardec, que
cumpriu inteiramente sua
missão de auxílio para
essa humanidade cansada
e aflita.
Jesus nos dessedentou
com o conhecimento
espírita. Tornou a cada
um que bebeu da água que
ele ofereceu, a fonte
que jorra para a vida
eterna.
Passaram por nós, nessa
nossa humanidade cheia
de provações, espíritos
maravilhosos, como
Eurípedes Barsanulfo,
que, com sua presença
amorosa e seu
conhecimento superior,
sua caridade bendita,
conseguia afastar
espíritos obsessores,
esclarecendo-os com
muito amor.
O que dizer de Chico
Xavier? A presença do
amor obediente a Jesus.
Estivemos no século
dele, no século de um
trabalhador também de
excelência, “O Gigante
Deitado”, Jerônimo
Mendonça, de Ituiutaba,
Minas.
Tivemos Divaldo Pereira
Franco, que desencarnou
no dia da libertação dos
escravos, um escravo do
bem, da palavra
esclarecedora, que ainda
nos encanta em palestras
gravadas.
Quantos outros passaram,
que não nomeamos?
Falamos aqui apenas de
alguns brasileiros. Há
outros por aqui e muitos
outros no mundo,
missionários de Jesus,
missionários da
consolação e da
esperança, conhecidos
por ele, muitos
desconhecidos de nós.
Tivemos muito. Recebemos
muito. Cabe a nós,
espíritas que ainda nos
encontramos encarnados
na Terra, honrar aqueles
que passaram, melhorando
a nós mesmos, o máximo
que pudermos. Exercitar
a caridade, para que um
dia a Terra seja um
planeta melhor.
Já pensaram, leitores,
quando o exemplo de
Jesus for seguido por
todos? Quando as pessoas
no planeta puderem se
igualar a um Eurípedes
Barsanulfo, a um Chico
Xavier, a um Divaldo
Franco, a um Jerônimo
Mendonça ou a outros
trabalhadores do Cristo
espalhados pelo planeta?
Veremos, então, a
inteligência e o amor
caminharem juntos e a
Terra transformada num
local de paz e
fraternidade, onde
espíritos obsessores não
mais estarão presentes,
pois a bondade e o
perdão estarão em todos.
É um sonho, por
enquanto, mas um dia
veremos nosso planeta
assim. A paz e a
fraternidade, em nome do
Senhor Jesus, haverão de
reinar na Terra, após o
amadurecimento
espiritual de todos nós,
os filhos de Deus nesse
mundo.
Façamos esforços para
desenvolver as virtudes
em nós e nos olharmos
com o olhar de compaixão
e fraternidade.
Esperança e ação, com
conhecimento edificante
e caridade intensa,
seguindo os ensinamentos
de Jesus, eis o roteiro
certo e seguro!
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