Tema: Valor do Trabalho
Henrique Pato
Henrique Pato era um pato selvagem, desses patos que
conseguem voar bem e até migrar daqui para lá.
Viajar e se mudar era normal para ele, mas Henrique
estava querendo uma nova experiência. Pretendia agora se
fixar em algum lugar e fazer amigos.
Um dia, sobrevoando uma linda floresta, ele resolveu
pousar e, depois de ver a beleza do lugar e a variedade
de espécies que viviam lá, decidiu que a floresta de
Selva seria sua nova morada.

Henrique Pato ainda não conhecia ninguém, mas sabia que,
se pudesse ser útil aos companheiros animais, logo se
tornaria conhecido e poderia conquistar a simpatia
deles. Depois de pensar um pouco, avaliando suas
características e se lembrando de que, além de andar,
sabia nadar e voar muito bem, resolveu se oferecer para
fazer transporte de cargas.
Num lugar habitado por animais grandes e fortes, um pato
querer ser transportador parece absurdo, mas, como já
dizia o grande bisavô dos patos: “Todo trabalho feito
com amor e vontade é importante, e Deus o vê com bons
olhos.” Então, Henrique adaptou seu trabalho às suas
possibilidades. Colocou na Grande Clareira uma bonita
tabuleta, que dizia:
HENRIQUE PATO
Transportes por Água e Ar
Fazemos
MUDANÇAS
de pequenos animais
Entregamos
PACOTES
de animais médios
Serviço de
CORREIO
para grandes animais
Aos poucos, os bichos souberam do serviço que Henrique
Pato estava começando a prestar, e o trabalho começou a
aparecer. Primeiro, ele ajudou na mudança da colmeia das
abelhas.
Em seguida, levou flores para Júlia Pomba, no seu
aniversário. Criou a entrega a jato para encomendas
urgentes. Henrique sentia-se alegre e disposto. Passou a
conhecer muita gente e a conviver bem com eles,
prestando seus serviços e sendo útil, da maneira que
conseguia.
Certo dia, algo inesperado e grave aconteceu. Choveu
muito em Alto do Morro. O rio encheu depressa, alagando
todo o outro lado, conhecido como Margem de Lá. Arnaldo
Esquilo, líder dos esquilos residentes nas árvores de
Margem de Lá, mandou um recado para Henrique Pato,
através de Júlia Pomba. Precisava levar os esquilos para
uma região seca. Serviço de emergência.
O patinho, sempre prestativo, saiu imediatamente e foi
nadando até Margem de Lá, para ver o tamanho do estrago.
O nível das águas subia depressa. A correnteza era
forte. Mas Henrique iniciou o transporte dos
filhotinhos, pois não havia tempo a perder. Colocou-os
sobre uma casca de árvore e puxou-os com um cipó, até a
margem seca, como se fosse um barquinho-rebocador. Fez
uma viagem perigosa... duas... três...
Henrique Pato arfava, suava, lutava, mas não desistia. E
ainda faltavam os esquilos adultos, que muitas vezes são
mais pesados que os próprios patos. Como faria para
transportá-los? Lembrou-se de Chico Jacaré e de
Sebastião Hipopótamo, que nadavam bem e eram grandes.
Acordou o jacaré preguiçoso. Pediu a Júlia que fosse
procurar o hipopótamo, e logo ambos vieram para
colaborar no que podiam.
Outros bichos, vendo o exemplo de Henrique Pato e o
enorme esforço que ele fazia, empenharam-se para ajudar
também. Aqueles que não sabiam nadar nem voar pediam a
Deus pela família dos esquilos. Pediam a Deus para que
Henrique não desanimasse. Pediam a Deus para que
sustentasse a coragem de Sebastião e que Chico não
desistisse.
A operação de salvamento só terminou ao anoitecer, com
todo mundo cansado, mas feliz. Afinal, os momentos de
dificuldade também servem para aproximar uns dos outros.
Henrique Pato, ainda se refazendo do cansaço e das
fortes emoções daquele dia, agradecia a Deus, pois,
mesmo não sendo um animal grande, seu trabalho foi capaz
de salvar os esquilos e, além disso, fez com que
ganhasse ainda mais a simpatia e o carinho de todos.
Arnaldo Esquilo veio agradecê-lo pessoalmente e, quando
tudo passou, a família dos esquilos e outros animais
organizaram uma grande festa para comemorar o sucesso
dos salvamentos. Claro que Henrique Pato foi o convidado
de honra e recebeu homenagens e muitos abraços.
Henrique Pato estava contente. Só pensava em poder
trabalhar e servir seus novos amigos cada vez mais.
(Adaptação de texto de Rita Foelker,
constante do livro “Continente Imaginário”.)