Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Valor do Trabalho


Henrique Pato


Henrique Pato era um pato selvagem, desses patos que conseguem voar bem e até migrar daqui para lá.

Viajar e se mudar era normal para ele, mas Henrique estava querendo uma nova experiência. Pretendia agora se fixar em algum lugar e fazer amigos.

Um dia, sobrevoando uma linda floresta, ele resolveu pousar e, depois de ver a beleza do lugar e a variedade de espécies que viviam lá, decidiu que a floresta de Selva seria sua nova morada.

Henrique Pato ainda não conhecia ninguém, mas sabia que, se pudesse ser útil aos companheiros animais, logo se tornaria conhecido e poderia conquistar a simpatia deles. Depois de pensar um pouco, avaliando suas características e se lembrando de que, além de andar, sabia nadar e voar muito bem, resolveu se oferecer para fazer transporte de cargas.

Num lugar habitado por animais grandes e fortes, um pato querer ser transportador parece absurdo, mas, como já dizia o grande bisavô dos patos: “Todo trabalho feito com amor e vontade é importante, e Deus o vê com bons olhos.” Então, Henrique adaptou seu trabalho às suas possibilidades. Colocou na Grande Clareira uma bonita tabuleta, que dizia:


HENRIQUE PATO

Transportes por Água e Ar

Fazemos MUDANÇAS de pequenos animais

Entregamos PACOTES de animais médios

Serviço de CORREIO para grandes animais


Aos poucos, os bichos souberam do serviço que Henrique Pato estava começando a prestar, e o trabalho começou a aparecer. Primeiro, ele ajudou na mudança da colmeia das abelhas.

Em seguida, levou flores para Júlia Pomba, no seu aniversário. Criou a entrega a jato para encomendas urgentes. Henrique sentia-se alegre e disposto. Passou a conhecer muita gente e a conviver bem com eles, prestando seus serviços e sendo útil, da maneira que conseguia.

Certo dia, algo inesperado e grave aconteceu. Choveu muito em Alto do Morro. O rio encheu depressa, alagando todo o outro lado, conhecido como Margem de Lá. Arnaldo Esquilo, líder dos esquilos residentes nas árvores de Margem de Lá, mandou um recado para Henrique Pato, através de Júlia Pomba. Precisava levar os esquilos para uma região seca. Serviço de emergência.

O patinho, sempre prestativo, saiu imediatamente e foi nadando até Margem de Lá, para ver o tamanho do estrago. O nível das águas subia depressa. A correnteza era forte. Mas Henrique iniciou o transporte dos filhotinhos, pois não havia tempo a perder. Colocou-os sobre uma casca de árvore e puxou-os com um cipó, até a margem seca, como se fosse um barquinho-rebocador. Fez uma viagem perigosa... duas... três...

Henrique Pato arfava, suava, lutava, mas não desistia. E ainda faltavam os esquilos adultos, que muitas vezes são mais pesados que os próprios patos. Como faria para transportá-los? Lembrou-se de Chico Jacaré e de Sebastião Hipopótamo, que nadavam bem e eram grandes. Acordou o jacaré preguiçoso. Pediu a Júlia que fosse procurar o hipopótamo, e logo ambos vieram para colaborar no que podiam.

Outros bichos, vendo o exemplo de Henrique Pato e o enorme esforço que ele fazia, empenharam-se para ajudar também. Aqueles que não sabiam nadar nem voar pediam a Deus pela família dos esquilos. Pediam a Deus para que Henrique não desanimasse. Pediam a Deus para que sustentasse a coragem de Sebastião e que Chico não desistisse.

A operação de salvamento só terminou ao anoitecer, com todo mundo cansado, mas feliz. Afinal, os momentos de dificuldade também servem para aproximar uns dos outros.

Henrique Pato, ainda se refazendo do cansaço e das fortes emoções daquele dia, agradecia a Deus, pois, mesmo não sendo um animal grande, seu trabalho foi capaz de salvar os esquilos e, além disso, fez com que ganhasse ainda mais a simpatia e o carinho de todos.

Arnaldo Esquilo veio agradecê-lo pessoalmente e, quando tudo passou, a família dos esquilos e outros animais organizaram uma grande festa para comemorar o sucesso dos salvamentos. Claro que Henrique Pato foi o convidado de honra e recebeu homenagens e muitos abraços.

Henrique Pato estava contente. Só pensava em poder trabalhar e servir seus novos amigos cada vez mais.

 

(Adaptação de texto de Rita Foelker, constante do livro “Continente Imaginário”.)

 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita