Cinco-marias

por Eugênia Pickina

 

Educar com limite, mas sem violência


As crianças tornam-se mais teimosas se a punição física for repetida com frequência.
Immanuel Kant


Educar é atividade exigente de atenção, dedicação. Demanda zelo e construção de rotinas, segundo a idade do filho.

Toda criança, para crescer bem e se tornar autônoma, necessita amor, regras e rotina. Os pais não podem permitir tudo. Devem corrigir comportamentos com clareza, firmeza, mas sem ferir, assustar, humilhar.

Nossos filhos, desde pequenos, precisam saber que há horários, responsabilidades e consequências. O adulto, para promover os aprendizados, a constituição de bons hábitos, explica, mantém a coerência, oferece bons exemplos. Nos casos variados de equívocos, com paciência corrige sem estar dominado pela raiva. Tem ciência de que ninguém aprende orientado pelo medo.

Os pais que oferecem à criança a habitualidade da punição física, dos excessos verbais violentos, dão a ela a pobre oportunidade de ver o adulto como ameaça, não como guia. Instilam medo, uma obediência momentânea e um aprendizado medíocre. Isso enfraquece a confiança e estabelece uma convivência baseada em tensão e insegurança. Ademais, esse tipo de educação não ensina responsabilidade e prejudica, mais tarde, a gerência da própria autonomia.

Cabe aos pais explicar a regra ao filho pequeno com palavras simples. Aplicar consequências ligadas apenas ao comportamento. No caso de a criança errar e estar a mãe dominada pela raiva, por exemplo, adiar a correção, fazê-lo quando estiver de novo serena e tranquila e reconhecer sempre quando o filho progride e melhora. Sustentar combinados e promessas.

A educação tem um objetivo muito claro: formar caráter, estimular o aprimoramento pessoal, ajudar o indivíduo a se desenvolver para fazer boas escolhas e assumir responsabilidades. Para que esse cenário se estruture em casa, no lugar de controle de comportamentos pela força, é exigido diariamente respeito, coerência, firmeza, muita repetição e consistência.

A educação de uma criança, portanto uma séria missão, só funciona baseada no afeto aplicado ao desenvolvimento da razão, da autodisciplina e da capacidade de entender por que certos limites existem…

 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita