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por Paulo Hayashi Jr.

 

Um breve olhar sobre a Lei do Progresso


Na terceira parte de O Livro dos Espíritos, encontram-se as dez leis morais que nos auxiliam em nossa jornada diária pela Terra. Estamos encarnados como uma oportunidade de aprendizado, crescimento e, principalmente, de avanço sobre o nosso próprio patrimônio que, em muitas épocas, as dívidas superaram os superávits, infelizmente. Por isso, conhecer e seguir as leis morais representa um ponto importante em nossa própria transformação. Afastar-se delas é distanciar-se da própria felicidade (Questão 614 - O Livro dos Espíritos). Entretanto, destas dez leis (Lei de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, igualdade, liberdade, ‘justiça, amor e caridade’ e, finalmente, progresso), há uma que se destaca por sua natureza um tanto peculiar. Se das nove leis inicialmente citadas pode-se dizer que elas são normativas, ou seja, faça, cumpra-as para que você possa progredir, entretanto, ao aplicar o mesmo critério à lei do progresso, torna-se um tanto tautológica a ideia de “fazer o progresso para progredir”. Isso conota tanto a importância desta lei quanto sua natureza descritiva.

Na passagem da Lei do Progresso, há uma questão fundamental: a relação entre o desenvolvimento da inteligência e o da moral. Apesar de a primeira ser fator relevante para a própria natureza de Deus (ver Questão 1 - O Livro dos Espíritos), a inteligência, por si só, não desenvolve a moral de forma automática. É preciso que a moral se desenvolva — não uma moral ingênua, mas uma moral conscienciosa. É fundamental para o espírito fazer o bem sabendo que está fazendo o bem, de forma consciente, desejada e voluntária. Por meio do discernimento, a conduta da vida pode ser orientada para proporcionar uma vida plena. O mesmo se pode dizer do contrário.

Além disso, a inteligência, por si só, não conduz automaticamente à moralidade, mas permite à pessoa ter mais ferramentas internas para exercê-la em algum momento da existência no futuro. Neste sentido, combater o orgulho e o egoísmo auxilia no preparo do caminho do progresso. Ambos são os obstáculos principais do progresso. Além disso, o que parece ser um ponto crucial desta passagem para o desenvolvimento da moral é a capacidade de discernimento entre o certo e o errado, o bem e o mal. Algo semelhante ao que é trabalhado pelo Salmo 1, que diferencia o ímpio do justo. É por meio desse discernimento que a árvore pode produzir bons frutos. Pelo discernimento, há o início deste progresso da pessoa, como se houvesse a abertura de uma porta, mas, ainda assim, pode haver vícios antigos, falta de vontade, falta de motivação para mudar, de deixar o antigo padrão para trás e de fazer de fato o bem. Nesse mesmo sentido, não é de se admirar que, mesmo com todo o progresso intelectual da humanidade, o avanço moral ainda não esteja no mesmo patamar.

Entretanto, a mudança é como o nível de um rio que precisa alcançar certa altura para que as mudanças visíveis apareçam, ainda que as alterações submersas já estejam em curso.

Apesar dos aparentes conflitos e problemas na sociedade, a correnteza do bem corre de forma fluida, contínua e incessante para a construção do bem maior. A marcha do progresso é um mecanismo imparável (Questão 781 — O Livro dos Espíritos).

Tenhamos a fé e a convicção necessárias para continuar nos estudos e nas boas práticas que levarão a humanidade a um novo patamar. Se, por um lado, a inteligência pode levar às armadilhas do orgulho e do egoísmo, por outro lado, a inteligência desperta o discernimento que amadurece a pessoa de bem. Cabe a ela caminhar com as próprias pernas para a multiplicação do jardim do universo, seja ajudando a si mesma, seja auxiliando o próximo no conhecimento, na compreensão e na vivência das leis de Deus.

Nas inolvidáveis palavras de Emmanuel[1]:

“Trabalha, estuda, serve e ajuda sempre, em busca das Esferas superiores, e sentirás o Cristo operante ao teu lado, nas relações de cada dia.”

 

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[1] Cap. 35 - O Cristo operante. Livro: Pão Nosso.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita