Um breve olhar sobre a
Lei do Progresso
Na
terceira parte de O Livro dos Espíritos,
encontram-se as dez leis morais que nos auxiliam em
nossa jornada diária pela Terra. Estamos encarnados como
uma oportunidade de aprendizado, crescimento e,
principalmente, de avanço sobre o nosso próprio
patrimônio que, em muitas épocas, as dívidas superaram
os superávits, infelizmente. Por isso, conhecer e seguir
as leis morais representa um ponto importante em nossa
própria transformação. Afastar-se delas é distanciar-se
da própria felicidade (Questão 614 - O Livro dos
Espíritos). Entretanto, destas dez leis (Lei de
adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição,
sociedade, igualdade, liberdade, ‘justiça, amor e
caridade’ e, finalmente, progresso), há uma que se
destaca por sua natureza um tanto peculiar. Se das nove
leis inicialmente citadas pode-se dizer que elas são
normativas, ou seja, faça, cumpra-as para que você possa
progredir, entretanto, ao aplicar o mesmo critério à lei
do progresso, torna-se um tanto tautológica a ideia de
“fazer o progresso para progredir”. Isso conota tanto a
importância desta lei quanto sua natureza descritiva.
Na
passagem da Lei do Progresso, há uma questão
fundamental: a relação entre o desenvolvimento da
inteligência e o da moral. Apesar de a primeira ser
fator relevante para a própria natureza de Deus (ver
Questão 1 - O Livro dos Espíritos), a
inteligência, por si só, não desenvolve a moral de forma
automática. É preciso que a moral se desenvolva — não
uma moral ingênua, mas uma moral conscienciosa. É
fundamental para o espírito fazer o bem sabendo que está
fazendo o bem, de forma consciente, desejada e
voluntária. Por meio do discernimento, a conduta da vida
pode ser orientada para proporcionar uma vida plena. O
mesmo se pode dizer do contrário.
Além
disso, a inteligência, por si só, não conduz
automaticamente à moralidade, mas permite à pessoa ter
mais ferramentas internas para exercê-la em algum
momento da existência no futuro. Neste sentido, combater
o orgulho e o egoísmo auxilia no preparo do caminho do
progresso. Ambos são os obstáculos principais do
progresso. Além disso, o que parece ser um ponto crucial
desta passagem para o desenvolvimento da moral é a
capacidade de discernimento entre o certo e o errado, o
bem e o mal. Algo semelhante ao que é trabalhado pelo
Salmo 1, que diferencia o ímpio do justo. É por meio
desse discernimento que a árvore pode produzir bons
frutos. Pelo discernimento, há o início deste progresso
da pessoa, como se houvesse a abertura de uma porta,
mas, ainda assim, pode haver vícios antigos, falta de
vontade, falta de motivação para mudar, de deixar o
antigo padrão para trás e de fazer de fato o bem. Nesse
mesmo sentido, não é de se admirar que, mesmo com todo o
progresso intelectual da humanidade, o avanço moral
ainda não esteja no mesmo patamar.
Entretanto, a mudança é como o nível de um rio que
precisa alcançar certa altura para que as mudanças
visíveis apareçam, ainda que as alterações submersas já
estejam em curso.
Apesar dos
aparentes conflitos e problemas na sociedade, a
correnteza do bem corre de forma fluida, contínua e
incessante para a construção do bem maior. A marcha do
progresso é um mecanismo imparável (Questão 781 — O
Livro dos Espíritos).
Tenhamos a
fé e a convicção necessárias para continuar nos estudos
e nas boas práticas que levarão a humanidade a um novo
patamar. Se, por um lado, a inteligência pode levar às
armadilhas do orgulho e do egoísmo, por outro lado, a
inteligência desperta o discernimento que amadurece a
pessoa de bem. Cabe a ela caminhar com as próprias
pernas para a multiplicação do jardim do universo, seja
ajudando a si mesma, seja auxiliando o próximo no
conhecimento, na compreensão e na vivência das leis de
Deus.
Nas
inolvidáveis palavras de Emmanuel[1]:
“Trabalha,
estuda, serve e ajuda sempre, em busca das Esferas
superiores, e sentirás o Cristo operante ao teu lado,
nas relações de cada dia.”
________________
[1]
Cap. 35 - O Cristo operante. Livro: Pão Nosso.
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