Joias da poesia
contemporânea

Autoria: Cornélio Pires

 

Virtude doente

 

A caridade na vida

É sempre a elevada Lei do Bem,

O pão que sobra no nosso prato

Falta no prato de alguém.

 

A caridade difere

Na ideia de muita gente

Que faz da santa virtude

Uma virtude doente.

 

É o caso incompreensível

De Dona Joana Pellejos

Que deu vestidos às irmãs viúvas

Inçados de percevejos.

 

Gilberto Antonio Pereira,

Da Fazenda dos Espichos,

Deu às crianças famintas

Oito goiabas com bichos.

 

Dona Solange das fontes,

Com toda a sua altivez,

Deu um capacho velho a uma velhinha

Para cobrir-lhe a nudez.

 

Dizia João de Mantena,
A quem faz da caridade um capricho:
— Não se transforma um irmão
Em um depósito de lixo.


Caridade é ajudar quem chora,

A quem sofre dor nos extremos,

É transmitir esperança e reconforto,

E partilhar os recursos que já temos.

 

Caridade só é a gentileza

Que não se aflige e não se atrasa

Em ser compreensão e tolerância

Lá dentro de sua própria casa.

 

É reconhecer que estamos unidos,

Todos na qualidade de cristãos,

Que servindo ou dirigindo

Nós todos somos irmãos.

 

Em nossa humilde reunião

De Verdade, Amor e Luz,

Sabemos que onde há caridade

Reina a presença de Jesus.

 

Poema psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, na noite de 25/04/1998, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, em Uberaba-MG.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita