Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Coragem, oração


A menina do farol


Dora era uma menina que morava com seu pai num farol rodeado pelo mar, sobre rochedos muito altos. O pai trabalhava no farol e, todas as noites, acendia a lâmpada, guiando os marinheiros na escuridão.

Dora sempre observava seu pai. Gostava de contemplar aqueles raios de luz que saíam do farol e iam muito longe, clareando a água do mar, como se fosse noite de Lua cheia.

Um dia, papai falou:

— Filhinha, vou à cidade fazer compras. Voltarei à tarde.

E o pai, despedindo-se de Dora, entrou no barco e começou a remar em direção à cidade.

Dorinha ficou na praia, brincando com a areia, por muito tempo ainda, até que o sol deixou de brilhar e nuvens escuras vieram rapidamente para cobrir o céu.

Não tardou e começou a cair uma pesada chuva. Dora correu para casa e ficou perto da janela, olhando a chuva cada vez mais forte. O mar estava agitado, e as ondas batiam furiosas no rochedo.

Dorinha procurou, por muito tempo, ver, ao longe, o botezinho frágil do pai, mas nada enxergava. Sentia algum receio, mas sabia que era preciso ter coragem. Já era noite, e a tempestade estava terrível. Impossível papai voltar naquele botezinho tão frágil! A lâmpada do farol não tinha sido acesa. Que poderia acontecer com os marinheiros naquela noite escura, num mar tão agitado?

“Preciso acender a lâmpada”, pensou Dora.

Mas não seria fácil! A escada estava tão escura! Então, Dorinha lembrou-se de um versinho que o pai lhe ensinara:

“Quando eu tenho medo, logo eu digo assim: Deus é meu amigo, Deus cuida de mim.”

Então, em voz alta, Dorinha disse:

— Deus é meu amigo! Deus cuida de mim e dos marinheiros também! Deus vai me ajudar!

E, enchendo-se de coragem, subiu a escada mesmo no escuro. Lá em cima, procurou fazer como o pai, mas era muito pequena para alcançar a lâmpada! Parou um pouco para pensar.

Decidiu descer e buscar um banquinho. Como foi difícil subir novamente pela escada, carregando o banquinho! Quase desanimou. Mas lembrou-se dos marinheiros no mar e de que Deus a estava ajudando.

Então, novamente, encheu-se de coragem. E, depois de muitas dificuldades, conseguiu e sorriu satisfeita ao ver a luz brilhante sobre o mar.

— Obrigada, Pai do Céu, muito obrigada! O Senhor cuida mesmo da gente!

Dorinha ficou olhando pela janela a chuva que ainda caía forte, quando notou que uma cerração muito espessa descia sobre o mar, encobrindo quase totalmente a luz da lâmpada.

Mais uma vez ficou preocupada e sentiu que teria que fazer mais do que apenas acender a luz do farol. Assim, ela repetiu novamente em voz alta, como se estivesse rezando:

— Quando eu tenho medo, logo eu digo assim: Deus é meu amigo, Deus cuida de mim.

E, sentindo-se corajosa, disse mais uma vez:

— Deus é meu amigo! Deus cuida de mim e dos marinheiros também! Deus vai me ajudar!

Rapidamente, ela se lembrou de que, nessas ocasiões, seu pai tocava o grande sino. Os marinheiros podiam ouvi-lo, mesmo que estivessem bem longe.

Dora foi até o sino. A corda era muito grossa para suas mãos pequeninas, e o sino, muito pesado. Mas ela sabia que precisava conseguir tocá-lo; por isso, nem pensou que não conseguiria. Ela se esforçou e puxou a corda várias vezes, com toda a sua força, até que o sino começou a tocar.

Contente por estar conseguindo, ela continuou tocando por bastante tempo.

Ela tocou o máximo que pôde, até ir ficando cansada.

Dorinha ficou tão cansada que precisou parar para descansar um pouco. Acomodou-se no chão, ali mesmo, perto do sino e, sem perceber, dormiu, exausta.

Quando o pai de Dorinha voltou aflito para casa e ansioso, foi procurar sua filhinha querida. Entrou correndo, subiu as escadas e encontrou Dorinha dormindo tranquila, com a corda do sino na mão. A lâmpada ainda brilhava!

Ele ficou orgulhoso, pois percebeu que ela havia acendido a luz e tocado o sino o máximo que pôde. Contente, abraçou a filhinha e disse, sorrindo:

— Graças a Deus! Graças a Deus!


(Adaptação da história do livro Conte Mais, vol. 2.)

 


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O Consolador
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