Tema:
Coragem, oração
A menina do farol
Dora era uma menina que morava com seu pai num farol
rodeado pelo mar, sobre rochedos muito altos. O pai
trabalhava no farol e, todas as noites, acendia a
lâmpada, guiando os marinheiros na escuridão.

Dora sempre observava seu pai. Gostava de contemplar
aqueles raios de luz que saíam do farol e iam muito
longe, clareando a água do mar, como se fosse noite de
Lua cheia.
Um
dia, papai falou:
—
Filhinha, vou à cidade fazer compras. Voltarei à tarde.
E o
pai, despedindo-se de Dora, entrou no barco e começou a
remar em direção à cidade.
Dorinha ficou na praia, brincando com a areia, por muito
tempo ainda, até que o sol deixou de brilhar e nuvens
escuras vieram rapidamente para cobrir o céu.
Não
tardou e começou a cair uma pesada chuva. Dora correu
para casa e ficou perto da janela, olhando a chuva cada
vez mais forte. O mar estava agitado, e as ondas batiam
furiosas no rochedo.
Dorinha procurou, por muito tempo, ver, ao longe, o
botezinho frágil do pai, mas nada enxergava. Sentia
algum receio, mas sabia que era preciso ter coragem. Já
era noite, e a tempestade estava terrível. Impossível
papai voltar naquele botezinho tão frágil! A lâmpada do
farol não tinha sido acesa. Que poderia acontecer com os
marinheiros naquela noite escura, num mar tão agitado?
“Preciso acender a lâmpada”, pensou Dora.
Mas
não seria fácil! A escada estava tão escura! Então,
Dorinha lembrou-se de um versinho que o pai lhe
ensinara:
“Quando eu tenho medo, logo eu digo assim: Deus é meu
amigo, Deus cuida de mim.”
Então, em voz alta, Dorinha disse:
—
Deus é meu amigo! Deus cuida de mim e dos marinheiros
também! Deus vai me ajudar!
E,
enchendo-se de coragem, subiu a escada mesmo no escuro.
Lá em cima, procurou fazer como o pai, mas era muito
pequena para alcançar a lâmpada! Parou um pouco para
pensar.
Decidiu descer e buscar um banquinho. Como foi difícil
subir novamente pela escada, carregando o banquinho!
Quase desanimou. Mas lembrou-se dos marinheiros no mar e
de que Deus a estava ajudando.
Então, novamente, encheu-se de coragem. E, depois de
muitas dificuldades, conseguiu e sorriu satisfeita ao
ver a luz brilhante sobre o mar.
—
Obrigada, Pai do Céu, muito obrigada! O Senhor cuida
mesmo da gente!
Dorinha ficou olhando pela janela a chuva que ainda caía
forte, quando notou que uma cerração muito espessa
descia sobre o mar, encobrindo quase totalmente a luz da
lâmpada.
Mais uma vez ficou preocupada e sentiu que teria que
fazer mais do que apenas acender a luz do farol. Assim,
ela repetiu novamente em voz alta, como se estivesse
rezando:
—
Quando eu tenho medo, logo eu digo assim: Deus é meu
amigo, Deus cuida de mim.
E,
sentindo-se corajosa, disse mais uma vez:
—
Deus é meu amigo! Deus cuida de mim e dos marinheiros
também! Deus vai me ajudar!
Rapidamente, ela se lembrou de que, nessas ocasiões, seu
pai tocava o grande sino. Os marinheiros podiam ouvi-lo,
mesmo que estivessem bem longe.
Dora foi até o sino. A corda era muito grossa para suas
mãos pequeninas, e o sino, muito pesado. Mas ela sabia
que precisava conseguir tocá-lo; por isso, nem pensou
que não conseguiria. Ela se esforçou e puxou a corda
várias vezes, com toda a sua força, até que o sino
começou a tocar.
Contente por estar conseguindo, ela continuou tocando
por bastante tempo.
Ela
tocou o máximo que pôde, até ir ficando cansada.
Dorinha ficou tão cansada que precisou parar para
descansar um pouco. Acomodou-se no chão, ali mesmo,
perto do sino e, sem perceber, dormiu, exausta.
Quando o pai de Dorinha voltou aflito para casa e
ansioso, foi procurar sua filhinha querida. Entrou
correndo, subiu as escadas e encontrou Dorinha dormindo
tranquila, com a corda do sino na mão. A lâmpada ainda
brilhava!
Ele
ficou orgulhoso, pois percebeu que ela havia acendido a
luz e tocado o sino o máximo que pôde. Contente, abraçou
a filhinha e disse, sorrindo:
—
Graças a Deus! Graças a Deus!
(Adaptação da história do livro
Conte Mais, vol. 2.)