Delicadeza também faz parte da tarefa de educar
Eu
gosto de delicadeza.
Seja nos gestos, nas palavras, nas ações, no jeito de
olhar, no dia adia e até no que não é dito com palavras,
mas fica no ar...
Manuel Bandeira
Muita gente cresce sem ter noção clara sobre o cuidado
com o próprio bem-estar. Porque não é só fazer exercício
físico, comer bem ou respeitar o descanso, mas também
aprender a pensar bem, regular as emoções e se
relacionar de forma gentil e civilizada.
Na
infância, temos a oportunidade de aprender bons
exemplos, incorporar maneiras gentis de convivência,
abrir-nos a formas inteligentes de lidar com emoções,
frustrações, medo. Diversos cenários são oferecidos à
criança para que, dirigida pelos próprios pais e um
entorno responsável, consiga pouco a pouco conhecer seus
recursos internos, tomar ciência sobre suas fragilidades
e dificuldades.
Mario Quintana, o poeta gaúcho, tem muita razão quando
afirma: “Cada pessoa pensa como pode...” Pois bem, a
depender de nossa educação e desenvolvimento, poderemos,
quando adultos, ter uma relação mais lúcida sobre nosso
universo íntimo e, com isso, acessar valores e
estratégias mais eficientes para nos relacionarmos (bem)
com nossos desejos, emoções, logrando realizar boas
ações.
Há
muitos adultos que não sabem reconhecer se estão
tristes, irritados ou desmotivados. Têm dificuldade de
conter a fúria ou dominar uma forma de falar rude, mesmo
sendo instruídos.
Cordialidade, gentileza, autocontrole, moderação, tudo
isso é aprendido em casa, no cotidiano, através de
modelos firmes de conduta, de muita repetição e
interação.
Se
somos tratados em casa com transparência, respeito,
temperança, teremos mais facilidade de nos guiar desse
jeito vida afora, conscientes de nossa necessidade
contínua de melhora.
Este mundo (ainda) áspero que nos envolve, e do qual
fazemos parte, exige cada vez mais de nós o entendimento
de que a bondade é essencial à vida de relação.
Particularmente, confio que a delicadeza é remédio. Com
insistência, procurei educar minhas filhas conscientes
da necessidade de se relacionarem com respeito e
gentileza, pois isso facilita a compreensão e motiva o
bem-estar comum, bem como a independer do ambiente.
Brutalidade e intemperança nos arrastam facilmente para
campos minados, nos mantêm cativos e atrasados. Por
isso, desde cedo, podemos alimentar conversas mansas com
nossas crianças, desfiando uma educação dedicada aos
princípios da bondade, da beleza, da gentileza… E por
um mundo melhor e mais dirigido por Espíritos bons…