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por Wellington Balbo

 

De Ramon de La Sagra às EQMs: a previsão de Kardec que a ciência está concretizando


Costumo conversar com alguns amigos acerca do comodismo de nossos olhos e ouvidos. Eles são complacentes com nossas ideias já formadas e gostam do conforto, do sofá e do cafezinho fresco, passado na hora, que os convida a ficar mais um pouco em seu recanto, sem grandes compromissos com o aprofundamento que algumas ideias merecem.

Podemos resumir isso como a busca incessante pelo viés de confirmação. Meu olhar é um selecionador; meus ouvidos, idem. Só buscam para o seu íntimo aquilo que satisfaz o pensamento já feito — de certo modo preguiçoso —, que se compraz com mais do mesmo.

Contudo, a preguiça é um pecado capital que cobra caríssimo esse ritual de conforto dos olhos e ouvidos, que só veem e escutam aquilo que o cérebro permitiu. Nada de caminhos novos: vão no automático, poupam tempo sem se dar conta de que se trata de uma economia irreal, intentando manter-se ilesos quanto a mudanças e quebra de paradigmas filosóficos.

Porém, o preço é alto e chama-se estagnação. O responsável por virar esse jogo é o Espírito, ser pensante, que bem pode incomodar-se com seu marasmo intelectivo e fornecer aos ouvidos, olhos e cérebro material mais elástico para suas elaborações no campo do conhecimento.

E é nesse deserto de ideias que, lamentavelmente, residem alguns ditos homens de sabedoria, cujo traço característico é usar de sofismas para combater a tese da imortalidade da alma. Esses fecham os olhos às mais claras evidências de que o Espírito é imortal, agarram-se à matéria como única e última verdade e não percebem o quanto seus olhos e ouvidos estão acomodados com o que a dita ciência oficial ofereceu até hoje.

Por outro lado, pode-se dizer que existem os que se incomodam com uma visão superficial e rompem barreiras. Poderíamos ficar aqui um bom tempo a citar quem foi além. Elejo, contudo, alguém que confabulou com Allan Kardec no século XIX: o pesquisador Ramon de La Sagra.

Céptico convicto a princípio, Sagra fez pesquisas com o clorofórmio e os estados de inconsciência, o que o levou a constatar a independência da alma em relação ao corpo físico, rompendo definitivamente com o comodismo materialista de sua época.

Sagra foi um dos responsáveis por fazer a ponte entre a ciência formal e a espírita e, por esta razão, Allan Kardec celebrou seu trabalho nas páginas da Revista Espírita.

Kardec compreendia que as pesquisas científicas levariam, inevitavelmente, ao desenvolvimento do espiritualismo.

Acertou em cheio. 

Hoje, com a evolução da medicina, muitos pesquisadores conseguem, por exemplo, perceber as Experiências de Quase Morte (EQM) e as vivências fora do corpo que, diga-se, têm origem na emancipação da alma e, naturalmente, quebram o paradigma materialista.

O vocabulário utilizado por esses pesquisadores, no entanto, é o da ciência formal, pois ainda há um certo preconceito em assumir uma nomenclatura, digamos assim, espiritualista ou espírita. Utilizam o termo "consciência" em vez de "espírito", ou "consciência local e não local", para melhor compreenderem o fenômeno de distinção entre o corpo físico e a alma.

Entendemos, todavia, que existem avanços notáveis nas pesquisas acerca desses temas da alma. A previsão de Kardec de que, cedo ou tarde, os estudos da ciência formal encontrarão o espírito, sua realidade e existência, certamente será concretizada.

Aliás, isso já está ocorrendo. As grandes modificações, que derrubam antigos alicerces, não vêm senão com o tempo. Embora possamos impulsionar essa transição, o tempo continua sendo o principal responsável por produzir o amadurecimento das pessoas e, consequentemente, a aceitação dessas verdades.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita