De Ramon de La Sagra às EQMs: a previsão
de Kardec que a ciência está concretizando
Costumo conversar com alguns amigos acerca do comodismo
de nossos olhos e ouvidos. Eles são complacentes com
nossas ideias já formadas e gostam do conforto, do sofá
e do cafezinho fresco, passado na hora, que os convida a
ficar mais um pouco em seu recanto, sem grandes
compromissos com o aprofundamento que algumas ideias
merecem.
Podemos resumir isso como a busca incessante pelo viés
de confirmação. Meu olhar é um selecionador; meus
ouvidos, idem. Só buscam para o seu íntimo aquilo que
satisfaz o pensamento já feito — de certo modo
preguiçoso —, que se compraz com mais do mesmo.
Contudo, a preguiça é um pecado capital que cobra
caríssimo esse ritual de conforto dos olhos e ouvidos,
que só veem e escutam aquilo que o cérebro permitiu.
Nada de caminhos novos: vão no automático, poupam tempo
sem se dar conta de que se trata de uma economia irreal,
intentando manter-se ilesos quanto a mudanças e quebra
de paradigmas filosóficos.
Porém, o preço é alto e chama-se estagnação. O
responsável por virar esse jogo é o Espírito, ser
pensante, que bem pode incomodar-se com seu marasmo
intelectivo e fornecer aos ouvidos, olhos e cérebro
material mais elástico para suas elaborações no campo do
conhecimento.
E é nesse deserto de ideias que, lamentavelmente,
residem alguns ditos homens de sabedoria, cujo traço
característico é usar de sofismas para combater a tese
da imortalidade da alma. Esses fecham os olhos às mais
claras evidências de que o Espírito é imortal,
agarram-se à matéria como única e última verdade e não
percebem o quanto seus olhos e ouvidos estão acomodados
com o que a dita ciência oficial ofereceu até hoje.
Por outro lado, pode-se dizer que existem os que se
incomodam com uma visão superficial e rompem barreiras.
Poderíamos ficar aqui um bom tempo a citar quem foi
além. Elejo, contudo, alguém que confabulou com Allan
Kardec no século XIX: o pesquisador Ramon de La Sagra.
Céptico convicto a princípio, Sagra fez pesquisas com o
clorofórmio e os estados de inconsciência, o que o levou
a constatar a independência da alma em relação ao corpo
físico, rompendo definitivamente com o comodismo
materialista de sua época.
Sagra foi um dos responsáveis por fazer a ponte entre a
ciência formal e a espírita e, por esta razão, Allan
Kardec celebrou seu trabalho nas páginas da Revista
Espírita.
Kardec compreendia que as pesquisas científicas
levariam, inevitavelmente, ao desenvolvimento do
espiritualismo.
Acertou em cheio.
Hoje, com a evolução da medicina, muitos pesquisadores
conseguem, por exemplo, perceber as Experiências de
Quase Morte (EQM) e as vivências fora do corpo que,
diga-se, têm origem na emancipação da alma e,
naturalmente, quebram o paradigma materialista.
O vocabulário utilizado por esses pesquisadores, no
entanto, é o da ciência formal, pois ainda há um certo
preconceito em assumir uma nomenclatura, digamos assim,
espiritualista ou espírita. Utilizam o termo
"consciência" em vez de "espírito", ou "consciência
local e não local", para melhor compreenderem o fenômeno
de distinção entre o corpo físico e a alma.
Entendemos, todavia, que existem avanços notáveis nas
pesquisas acerca desses temas da alma. A previsão de
Kardec de que, cedo ou tarde, os estudos da ciência
formal encontrarão o espírito, sua realidade e
existência, certamente será concretizada.
Aliás, isso já está ocorrendo. As grandes modificações,
que derrubam antigos alicerces, não vêm senão com o
tempo. Embora possamos impulsionar essa transição, o
tempo continua sendo o principal responsável por
produzir o amadurecimento das pessoas e,
consequentemente, a aceitação dessas verdades.
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