Deus não é um espectador passivo da obra
que criou
Qual a visão que nós, espíritas, temos de Deus? Intervém
o Criador diretamente nos fatos e acontecimentos da
vida?
A ideia que o Espiritismo nos apresenta sobre Deus — a
inteligência suprema do Universo e causa primária de
todas as coisas — é a de um Criador que jamais esteve
inativo.
Por essa razão, o Espiritismo pode ser classificado como
uma doutrina teísta, e não deísta. Como se sabe, o
deísmo admite a existência de Deus, mas o concebe
destituído de atributos morais e intelectuais e,
conforme a interpretação adotada, admite que Ele possa
ou não ter influído na criação do Universo.
A concepção espírita, em perfeita sintonia com os
ensinamentos de Jesus, é diversa: Deus não apenas criou
o Universo, mas dele participa continuamente,
governando-o por meio de suas leis e da ação dos
Espíritos que executam seus desígnios.
Essa é também a imagem de Deus que encontramos nos
Evangelhos. Em diversas ocasiões, Jesus afirmou sua
inteira submissão à vontade do Pai e deixou claro que
Deus permanece em constante atividade. Entre muitas
passagens, destacamos estas:
"Meu Pai trabalha até ao presente e eu também trabalho."
(João, 5:16)
"Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Não busco
a minha vontade, mas a vontade d'Aquele que me enviou."
(João, 5:30)
"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não
passarão. Pelo que respeita ao dia e à hora, ninguém o
sabe, nem os anjos que estão no céu, nem mesmo o Filho,
mas somente o Pai." (Marcos, 13:31)
Essas e muitas outras passagens evangélicas mostram que
Jesus jamais apresentou Deus como um Criador distante ou
alheio à obra que realizou. Ao contrário, revelou-o como
um Pai presente, atuante e soberano.
A mesma concepção encontra amplo respaldo em O Livro
dos Espíritos, obra fundamental da Codificação
Espírita. Nela aprendemos que Deus dirige
permanentemente a Criação, utilizando, para isso, a
colaboração dos Espíritos que já alcançaram elevado grau
de evolução.
Entre as inúmeras referências da obra, merecem destaque
as seguintes:
"Há uma coisa, todavia, que a razão vos deve indicar: é
que Deus, modelo de amor e caridade, nunca esteve
inativo. Por mais distante que logreis figurar o início
de sua ação, podereis concebê-lo ocioso, um momento que
seja?" (L.E., 21)
"... os Espíritos são uma das potências da natureza e os
instrumentos de que Deus se serve para execução de seus
desígnios providenciais." (L.E., 87)
"Eles (os Espíritos puros) são os mensageiros e os
ministros de Deus, cujas ordens executam para manutenção
da harmonia universal. Comandam a todos os Espíritos que
lhes são inferiores, auxiliam-nos na obra de seu
aperfeiçoamento e lhes designam as suas missões." (L.E.,
113)
"Pode-se orar aos bons Espíritos, como sendo os
mensageiros de Deus e os executores de suas vontades. O
poder deles, porém, está em relação com a superioridade
que tenham alcançado e dimana sempre do Senhor de todas
as coisas, sem cuja permissão nada se faz. Eis por que
as preces que se lhes dirigem só são eficazes, se bem
aceitas por Deus." (L.E., 666)
Esses e muitos outros ensinamentos da Codificação
mostram que Deus exerce sua ação sobre o Universo por
intermédio das leis que instituiu e da atuação dos
Espíritos que lhe servem de mensageiros e ministros.
Quanto à ação providencial de Deus em nossa vida,
recomendamos a quem nos lê a leitura do texto A
Providência Divina, publicado na edição 13 da
revista O Consolador. Para acessá-lo, clique em LINK
1
Também examinamos aspectos da participação divina na
obra da Criação no editorial A Teoria do Design
Inteligente e o Espiritismo, publicado na edição 248
d’O Consolador, que o leitor pode acessar
clicando em LINK
2
Como ali foi dito, tudo leva a crer que os chamados
processos evolutivos contaram — e continuam contando —
com a intervenção de inteligências extracorpóreas. Essa
ideia foi afirmada expressamente por Emmanuel em A Caminho
da Luz, obra psicografada por Chico Xavier em 1938,
muitos anos antes de a moderna corrente do Design
Inteligente ganhar notoriedade ao defender a existência
de um projetista inteligente como explicação para a
extraordinária complexidade e harmonia da Criação.
Resta, porém, responder objetivamente à pergunta
formulada no início deste artigo: intervém Deus
diretamente nos fatos e acontecimentos da vida?
Segundo o entendimento espírita, Deus não governa o
Universo por meio de intervenções arbitrárias ou pela
suspensão das leis que Ele próprio estabeleceu. Sua ação
se exerce de forma permanente e perfeita por intermédio
dessas leis, da Providência Divina e da atuação dos
Espíritos incumbidos de executar seus desígnios. Nada
ocorre fora de sua soberana vontade ou sem que sua
infinita sabedoria o permita.
Isso não significa que Deus permaneça distante de suas
criaturas. Ao contrário, sua presença manifesta-se
incessantemente no funcionamento harmonioso da Criação,
na justiça de suas leis, na misericórdia que oferece
novas oportunidades de progresso e na assistência
espiritual que jamais falta àqueles que sinceramente
procuram o bem.
Compreende-se, assim, que Deus não é um espectador
passivo da obra que criou, nem um governante que atue
apenas por intervenções ocasionais. É o Pai de infinita
sabedoria e amor, presente em toda a Criação,
dirigindo-a sem cessar por meio de leis perfeitas e da
ação dos Espíritos que lhe servem de ministros e
mensageiros.