Joias da poesia
contemporânea

Autoria: Abel Gomes

 

Lembrança


Ismael, Deus te abençoe,

Trazendo-te ao coração

Os júbilos do trabalho

Em luzes de redenção.

 

Nunca julgues que te esqueço.

No altar de minhas lembranças,

Vives sempre nas saudades

Do meu jardim de esperanças.

 

Ah, meu querido, o sepulcro

Não passa de mero umbral

Que se dirige ao país

Da vida espiritual.

 

Embora a beleza augusta

Da morada que me abriga,

Sinto falta da ternura

De tua bondade amiga.

 

A morte que nos transforma,

Que alivia a nossa dor,

Não aniquila a saudade

Nem apaga o nosso amor.

 

Quando Jesus me permite,

Relembro, sempre ao teu lado,

Nossas flores de outro tempo,

Nossas lutas do passado.

 

Nas bênçãos de teu trabalho,

À luz da meditação,

Recebo-te os pensamentos

E dou-te o meu coração.

 

Como vês, as nossas cartas,

Nossa velha convivência,

Continuam sempre ativas

Em santa correspondência.

 

Não sofras, nem desanimes

Nos serviços da verdade.

Deus ampara os teus labores

De paz e fraternidade.

 

Recorda que o Cristo amado

É o sol que nos ilumina.

E lembra que estamos unidos

No lar da união divina. (*)


(*) Segundo consta do original, o soneto foi psicografado em sessão pública no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo-MG, e dirigido a Ismael Gomes Braga, presente na ocasião. Abel Gomes foi tio de Ismael na última existência.


Do livro Palavras sublimes, poema psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier.


 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita