
A investigação científica de Gabriel
Delanne
Gabriel Delanne (1857-1926) foi uma das figuras mais
proeminentes do Espiritismo após o desencarne de Allan
Kardec, destacando-se por sua abordagem científica na
investigação dos fenômenos espíritas.
Seu pai, Alexandre Delanne, era amigo próximo de Allan
Kardec, e sua mãe, Marie-Alexandrine Didelot Delanne,
atuou como médium colaboradora nas atividades da
codificação espírita.
Sua formação escolar, sua preparação para a vida
profissional, sua vida celibatária – tudo se alinhou
para lhe dar condições de cumprir suas tarefas como
estudioso e divulgador do Espiritismo.
Em 1882, ajudou a fundar a União Espírita Francesa. Três
anos mais tarde lançou o seu primeiro livro: O
espiritismo perante a ciência. Muitos outros livros
foram publicados, ao mesmo tempo em que se dedicou a
escrever para revistas espíritas, como fundador e
colaborador.
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Em 1897, publica A alma é imortal, considerada a
sua obra mais robusta, a qual analisaremos aqui. (*)
Delanne se propõe a algo ousado para a época: demonstrar
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experimentalmente, e não apenas filosoficamente,
que a alma sobrevive à morte do corpo físico. |
Para isso,
percorre um vasto terreno, começando por um panorama
histórico das crenças sobre a alma nas grandes
civilizações antigas – a Índia, o Egito, a China, a
Pérsia, a Grécia e os primeiros cristãos –, mostrando
que a intuição da imortalidade acompanha a humanidade
desde sempre.
Em seguida, recorre ao estudo do magnetismo e às
experiências mediúnicas documentadas por pesquisadores
de seu tempo para reunir, como ele mesmo afirma, provas
autênticas da existência do perispírito. São relatos de
videntes, sonâmbulos, médiuns e estudiosos que convergem
para uma mesma conclusão. A trilha aberta pela escolha
deste objeto de investigação, em particular, atraiu
outros pesquisadores e, no futuro, é possível que seja
retomada.
Outro ponto importante, levantado por Delanne, é o
debate em torno da conservação da individualidade da
alma após o desencarne.
A alma é imortal mantém-se como obra de consulta,
fundamental ao estudo dos fenômenos psíquicos,
mediúnicos e anímicos, conforme estudados e tão bem
descritos ao final do século 19.
A imortalidade não foi, para Delanne, mera questão de
fé, mas uma verdade a ser estudada e demonstrada
conforme os recursos que a ciência provê. Ele soube
aproximar a ciência da religião, certo de que ambas
devem caminhar unidas para uma compreensão lógica do
universo e dos seus habitantes: os espíritos.
(*) A obra A alma é imortal foi
estudada metódica e sequencialmente, dividida em 27
partes, nas edições 82 a 108 desta revista, que o leitor
pode acessar sem custo nenhum. Eis o link que remete à
1ª Parte, publicada em 16/11/2008: Clássicos
do Espiritismo
Abel Sidney é escritor, educador,
colaborador da causa espírita em Porto Velho e trabalha
no Centro Espírita Irmão Jacob. Autor de Lições de um
suicida: um estudo do clássico Memórias de um suicida (Allan
Kardec) e coautor de O mistério da cabana (FEB).
Esta matéria foi
publicada originalmente no jornal Correio Fraterno,
de São Bernardo do Campo (SP).