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por Rogério Miguez

 

As existências passadas influenciam a nossa forma de pensar e agir?


Estamos submetidos a impulsos inconscientes oriundos das experiências vividas em reencarnações anteriores influenciando não só os nossos pensamentos, bem como nossos atos do presente, podendo também ser facilmente percebidos e superexcitados por constantes estímulos externos oriundos, por exemplo, de Espíritos desencarnados.

Estas tendências antigas se manifestam, pois toda a nossa bagagem de experiências passadas está registrada no perispírito, não se perdeu e não se perde e, entre várias referências sobre esta realidade destacamos esta:

[O perispírito] É, enfim, o guardião fiel, o acervo imperecível do nosso passado. Em sua substância incorruptível, fixaram-se as leis do nosso desenvolvimento, tornando-o, por excelência, o conservador de nossa personalidade, por isso que nele é que reside a memória.1 (Grifo nosso)

Todos os padrões negativos elaborados em vidas pregressas, ainda não plenamente substituídos por novos conceitos mais elevados, nos acompanharão até que tenhamos feito este trabalho de superação ou sublimação de nosso passado. É a conhecida sombra oriunda da vivência de antigas práticas afastadas dos postulados divinos, demandando um trabalho cuidadoso para superá-la intitulado de: reforma íntima, um desafio e tanto.

De igual modo, todas as nossas conquistas morais, parciais virtudes desenvolvidas, são, da mesma forma, naturalmente revividas e exercitadas, sendo este o verdadeiro e único tesouro que podemos acumular, além dos avanços na área intelectual. Estas duas aquisições não podem ser retiradas do Espírito uma vez consolidadas, e jamais retroagem ou se perdem: Graças a Deus! Permanecem com o Espírito de existência em existência, até serem trocadas por outras melhores por conta de nossos esforços em avançar moralmente e intelectualmente.

Quando atingirmos a perfeição relativa, não haverá mais troca de aquisições, pois teremos atingido o ápice do processo evolutivo.

Nesta especial fase, a título de exemplo, não se pode ser mais paciente do que já se é, muito menos aumentar o patamar de misericórdia que já foi consolidado em nosso caráter e personalidade, acontecendo o mesmo em relação a todas as outras virtudes. Aprenderemos a amar de verdade, e o amor abrange todas as virtudes conhecidas.

Por outro lado, o nível de inteligência alcançado também não será mais superado, pois não haverá mais nada a desenvolver nesta particular área.

A propósito, estas duas afirmações encontram, eventualmente, certa resistência por parte de alguns estudiosos, contudo, não há como ser de outra forma, pois:

O número das encarnações é o mesmo para todos os Espíritos?

“Não; aquele que caminha depressa, se poupa a muitas provas. Todavia, essas encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porque o progresso é quase infinito.”2 (Grifo nosso)

Caso fosse infinito, passaríamos a ser deuses.

Neste patamar de evolução, o passado não influenciará mais os nossos pensamentos e atos, como agora o faz, pois saberemos exatamente como fazer e o que pensar, sob as ordens diretas do Criador.

Há uma mensagem muita elucidativa intitulada “Muitos de nós dentro de nós” e, apenas este título, já fornece uma indicação desta realidade. Em resumo, o texto informa que o nosso passado, construído pelas nossas diversas existências anteriores, se mantém vivo no presente tentando expressar-se do mesmo modo conforme agimos e pensávamos nestas outras existências, em termos de hábitos, costumes, vícios, virtudes...Podemos ver um exemplo simples ao observar as nossas reações instintivas a uma situação de desconforto, perigo imediato ou mesmo de disputa de ideias, em suma, um conflito qualquer no cotidiano. Às vezes reagimos de modo singular, destemperados, contrário mesmo ao que no momento acreditamos que somos ou pensamos, e nos surpreendemos com as nossas ações inusitadas. Em muitos casos, estas atitudes inesperadas, estas explosões na conduta, nada mais são do que o transbordamento destas antigas destemperadas personalidades elaboradas nas existências precedentes. Personalidades estas que, por força de comportamentos continuados, estabeleceram padrões de procedimento, e agora, não totalmente superadas ou substituídas, insistem em tentar apresentarem-se ou repetirem-se, tais quais eram. Na realidade somos apenas um Espírito, e estamos neste momento vivenciando apenas esta existência, a presente, em apenas um corpo material, mas com imensa bagagem de padrões de atos e pensamentos consolidados de diversas outras jornadas, construídas através de milhares de anos.3

Sendo assim, esforcemo-nos por conhecermo-nos melhor, como sugeriu o Pai da Filosofia -  Sócrates -, sempre buscando realizar observações sobre nós mesmos, estudando e refletindo para melhor conduzir a nossa jornada evolutiva, escolhendo os melhores caminhos para conservar o que de bom construímos e, simultaneamente, controlando, ou mesmo eliminando, certos traços de personalidade e caráter que nos desagradam, pois estão fora dos padrões crísticos do fazer ao próximo aquilo que gostaríamos que nos fosse feito.

Como se pode concluir, a resposta à pergunta-título é: E muito!

 

Referências:

1 Delanne, Gabriel. A evolução anímica. Tradução M. Quintão. Rio de Janeiro: FEB. cap. I – A vida. Resumo. pág. 57.

2 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 13. imp. Brasília, DF: FEB, 2023. q. 169.

3 VIEIRA, Waldo. Técnica de Viver. Pelo Espírito Kelvin Van Dine. 4 ed. Uberaba: CEC, 1981. Mensagem 22.
  
    

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita