As existências passadas influenciam a
nossa forma de pensar e agir?
Estamos submetidos a impulsos inconscientes oriundos das
experiências vividas em reencarnações anteriores
influenciando não só os nossos pensamentos, bem como
nossos atos do presente, podendo também ser facilmente
percebidos e superexcitados por constantes estímulos
externos oriundos, por exemplo, de Espíritos
desencarnados.
Estas tendências antigas se manifestam, pois toda a
nossa bagagem de experiências passadas está registrada
no perispírito, não se perdeu e não se perde e, entre
várias referências sobre esta realidade destacamos esta:
[O perispírito] É, enfim, o guardião fiel, o acervo
imperecível do nosso passado. Em sua substância
incorruptível, fixaram-se as leis do nosso
desenvolvimento, tornando-o, por excelência, o
conservador de nossa personalidade, por isso que
nele é que reside a memória.1 (Grifo
nosso)
Todos os padrões negativos elaborados em vidas
pregressas, ainda não plenamente substituídos por novos
conceitos mais elevados, nos acompanharão até que
tenhamos feito este trabalho de superação ou sublimação
de nosso passado. É a conhecida sombra oriunda da
vivência de antigas práticas afastadas dos postulados
divinos, demandando um trabalho cuidadoso para superá-la
intitulado de: reforma íntima, um desafio e tanto.
De igual modo, todas as nossas conquistas morais,
parciais virtudes desenvolvidas, são, da mesma forma,
naturalmente revividas e exercitadas, sendo este o
verdadeiro e único tesouro que podemos acumular, além
dos avanços na área intelectual. Estas duas aquisições
não podem ser retiradas do Espírito uma vez
consolidadas, e jamais retroagem ou se perdem: Graças a
Deus! Permanecem com o Espírito de existência em
existência, até serem trocadas por outras melhores por
conta de nossos esforços em avançar moralmente e
intelectualmente.
Quando atingirmos a perfeição relativa, não haverá mais
troca de aquisições, pois teremos atingido o ápice do
processo evolutivo.
Nesta especial fase, a título de exemplo, não se pode
ser mais paciente do que já se é, muito menos aumentar o
patamar de misericórdia que já foi consolidado em nosso
caráter e personalidade, acontecendo o mesmo em relação
a todas as outras virtudes. Aprenderemos a amar de
verdade, e o amor abrange todas as virtudes conhecidas.
Por outro lado, o nível de inteligência alcançado também
não será mais superado, pois não haverá mais nada a
desenvolver nesta particular área.
A propósito, estas duas afirmações encontram,
eventualmente, certa resistência por parte de alguns
estudiosos, contudo, não há como ser de outra forma,
pois:
O número das encarnações é o mesmo para todos os
Espíritos?
“Não; aquele que caminha depressa, se poupa a muitas
provas. Todavia, essas encarnações sucessivas são sempre
muito numerosas, porque o progresso é quase infinito.”2 (Grifo
nosso)
Caso fosse infinito, passaríamos a ser deuses.
Neste patamar de evolução, o passado não influenciará
mais os nossos pensamentos e atos, como agora o faz,
pois saberemos exatamente como fazer e o que pensar, sob
as ordens diretas do Criador.
Há uma mensagem muita
elucidativa intitulada “Muitos de nós dentro de nós” e,
apenas este título, já fornece uma indicação desta
realidade. Em resumo, o texto informa que o nosso
passado, construído pelas nossas diversas existências
anteriores, se mantém vivo no presente tentando
expressar-se do mesmo modo conforme agimos e pensávamos
nestas outras existências, em termos de hábitos,
costumes, vícios, virtudes...Podemos ver um exemplo
simples ao observar as nossas reações instintivas a uma
situação de desconforto, perigo imediato ou mesmo de
disputa de ideias, em suma, um conflito qualquer no
cotidiano. Às vezes reagimos de modo singular,
destemperados, contrário mesmo ao que no momento
acreditamos que somos ou pensamos, e nos surpreendemos
com as nossas ações inusitadas. Em muitos casos, estas
atitudes inesperadas, estas explosões na conduta, nada
mais são do que o transbordamento destas antigas
destemperadas personalidades elaboradas nas existências
precedentes. Personalidades estas que, por força de
comportamentos continuados, estabeleceram padrões de
procedimento, e agora, não totalmente superadas ou
substituídas, insistem em tentar apresentarem-se ou
repetirem-se, tais quais eram. Na realidade somos apenas
um Espírito, e estamos neste momento vivenciando apenas
esta existência, a presente, em apenas um corpo
material, mas com imensa bagagem de padrões de atos e
pensamentos consolidados de diversas outras jornadas,
construídas através de milhares de anos.3
Sendo assim, esforcemo-nos por conhecermo-nos melhor,
como sugeriu o Pai da Filosofia - Sócrates -, sempre
buscando realizar observações sobre nós mesmos,
estudando e refletindo para melhor conduzir a nossa
jornada evolutiva, escolhendo os melhores caminhos para
conservar o que de bom construímos e, simultaneamente,
controlando, ou mesmo eliminando, certos traços de
personalidade e caráter que nos desagradam, pois estão
fora dos padrões crísticos do fazer ao próximo aquilo
que gostaríamos que nos fosse feito.
Como se pode concluir, a resposta à pergunta-título é: E
muito!
Referências:
1 Delanne,
Gabriel. A evolução anímica. Tradução M. Quintão.
Rio de Janeiro: FEB. cap. I – A vida. Resumo. pág. 57.
2 KARDEC,
Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução Evandro
Noleto Bezerra. 4. ed. 13. imp. Brasília, DF: FEB, 2023.
q. 169.
3 VIEIRA,
Waldo. Técnica de Viver. Pelo Espírito Kelvin Van
Dine. 4 ed. Uberaba: CEC, 1981. Mensagem 22.