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Afastando as más influências e os maus
pensamentos de Espíritos inferiores
Esta reflexão apoia-se em esclarecer a respeito da
atuação dos Espíritos em nossas vidas e como afastar as
más influências e os maus pensamentos que os Espíritos
inferiores nos sugestionam.
Os mundos visível e invisível reagem incessantemente um
sobre o outro, cujas relações e comunicações podem ser
ocultas, espontâneas ou provocadas.
Os Espíritos influenciam em nossos pensamentos e atos
muito mais do que imaginamos, pois vivemos em sintonia
com os que nos rodeiam. Somos alvos da atenção de
benfeitores e amigos espirituais como também daqueles a
quem prejudicamos com atos de maior ou menor gravidade,
nesta ou em existências anteriores, e que nos procuram
para cobrar a dívida que com eles contraímos.
A influência dos Espíritos tem origem na transmissão do
pensamento e todos os seres, encarnados e desencarnados,
estão mergulhados no fluido cósmico universal que ocupa
todo o espaço. O fluido cósmico universal é veículo do
pensamento, que recebe a impulsão da vontade do
Espírito, estendendo-se ao infinito.
Os Espíritos atuam sobre a matéria por meio do
perispírito, produzindo diferentes efeitos físicos, tais
como: ruídos e movimentação de objetos; pela transmissão
do pensamento; pela visão; pela audição; pela palavra;
pelo tato; pela escrita; pelo desenho; pela música, etc.
Eles usam todos os meios de comunicação disponíveis.
Dirigido o pensamento para um ser qualquer, na Terra ou
no espaço, de encarnado para desencarnado, ou
vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece entre um
e outro, transmitindo o pensamento. Dessa maneira, os
Espíritos exercem as suas influências nos acontecimentos
da vida, por meio da transmissão de pensamento e pela
ação direta no mundo material, tudo dentro das leis da
Natureza.
A influência dos Espíritos em nossos pensamentos é de
tal intensidade que, ordinariamente, são eles que nos
dirigem. Por isso, é preciso saber identificar a
natureza dessa influência, a fim de que não atendamos
aos maus conselhos de Espíritos imperfeitos.
Em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, na
questão 460, sobre os pensamentos que nos são próprios e
os que são sugeridos, os Espíritos Superiores respondem
que “Vossa alma é um Espírito que pensa. Não ignorais
que, frequentemente, muitos pensamentos vos acodem a um
tempo sobre o mesmo assunto e, não raro, contrários uns
aos outros. Pois bem! No conjunto deles, estão sempre de
mistura os vossos com os nossos. Daí a incerteza em que
vos vedes. É que tendes em vós duas ideias a se
combaterem”.
Por esses esclarecimentos, os nossos pensamentos
misturam-se com os que são sugeridos pelos Espíritos,
muitas vezes contrários uns aos outros, daí a
dificuldade para se combater as más influências e os
maus pensamentos.
Nesse sentido, Kardec prossegue na questão 461,
perguntado como distinguir os pensamentos próprios dos
que são sugeridos? A resposta é: “Quando um
pensamento vos é sugerido, tendes a impressão de que
alguém vos fala. Geralmente, os pensamentos próprios são
os que acodem em primeiro lugar. Afinal, não vos é de
grande interesse estabelecer essa distinção. Muitas
vezes, é útil que não saibais fazê-la. Não a fazendo,
obra o homem com mais liberdade. Se se decide pelo bem,
é voluntariamente que o pratica; se toma o mau caminho,
maior será a sua responsabilidade”.
Sabendo que tanto os Espíritos bons como os maus podem
nos sugerir pensamentos, Kardec, na questão 464,
pergunta como distinguir se um pensamento sugerido
procede de bom ou mau Espírito? Os Espíritos Superiores
recomendam estudar o caso, alertando que os bons
Espíritos só para o bem aconselham, cabendo a nós
discernir.
Os Espíritos imperfeitos são instrumentos para colocar
em prova a fé e a constância dos homens na prática do
bem, pois como Espíritos temos que progredir a caminho
da perfeição, daí a necessidade de passarmos pelas
provas do mal para chegar ao bem.
A nossa missão consiste em colocarmos no bom caminho,
perseverando e resistindo às tentações. As más
influências atuam em nós, por atração, quando desejamos
o mal, em que os Espíritos inferiores correm a nos
auxiliar no mal. Eles atuam somente quando queiramos o
mal. Outros também nos cercarão, esforçando-se para nos
influenciar para o bem, restabelecendo o equilíbrio da
balança e deixando-nos senhor dos nossos atos. Deus
confia à nossa consciência a escolha do caminho que
devamos seguir e a liberdade de ceder a uma ou outra das
influências contrárias que se exercem sobre nós.
Cabe a nós neutralizar a influência dos Espíritos
imperfeitos, praticando o bem e colocando a nossa
confiança em Deus, repelindo, assim, as ações dos
Espíritos inferiores que desejam ter sobre nós. Devemos
nos prevenir das sugestões desses Espíritos que procuram
nos influenciar com maus pensamentos, que sopram a
discórdia e insuflam as más paixões.
Na questão 467, Kardec indaga se pode o homem eximir-se
da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao
mal. A resposta é que “Pode, visto que tais Espíritos
só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou
aos que, pelos seus pensamentos, os atraem”. Por
conseguinte, como imãs atraímos ou repelimos as
influências dos maus Espíritos, afastando-se os maus
pensamentos com bons pensamentos.
Acrescentam os Espíritos Superiores, na questão 468,
que “Quando nada conseguem, abandonam o campo.
Entretanto, ficam à espreita de um momento propício,
como o gato que tocaia o rato”. Por isso, orai e
vigiai: “Essa a razão por que Jesus, na oração
dominical, vos ensinou a dizer: Senhor! Não nos deixes
cair em tentação, mas livra-nos do mal”.
É preciso aprender a disciplinar os pensamentos, a fim
de atrairmos os bons Espíritos que nos auxiliarão a
percorrer o bom caminho, tornando-o menos árido e pleno
de realizações espirituais.
“As comunicações que recebemos dos Espíritos podem ser
boas ou más, justas ou falsas, profundas ou levianas,
conforme a natureza dos seres que se manifestam. Os que
dão provas de sabedoria e erudição são Espíritos
adiantados que já progrediram; os que se mostram
ignorantes e maus são Espíritos ainda atrasados, mas que
haverão de progredir com o passar do tempo. Os Espíritos
só podem responder sobre aquilo que sabem, segundo o seu
estado de adiantamento, e, mesmo assim, dentro dos
limites do que lhes é permitido dizer-nos, porque há
coisas que eles não podem revelar, por não ser ainda
dado ao homem conhecer todas as coisas”. (Allan
Kardec. O
que é o Espiritismo)
“Da diversidade de qualidades e aptidões dos Espíritos,
resulta que não basta nos dirigirmos a um Espírito
qualquer para obtermos uma resposta segura a toda
questão; porque, acerca de muitas coisas, ele não nos
pode dar mais que a sua opinião pessoal, que pode ser
justa ou errônea”.
“É por isso que João, o Evangelista, diz: ‘Não creais em
todos os Espíritos, mas examinai: ‘Não creiais em todos
os Espíritos, mas examinai se eles são de Deus’. A
experiência demonstra a sabedoria desse conselho. Há
imprudência e leviandade em aceitar sem exame tudo o que
vem dos Espíritos; por isso, é absolutamente necessário
conhecermos o caráter daqueles que estão em relação
conosco”. (Allan
Kardec. O
que é o Espiritismo)
Por esses esclarecimentos e ensinamentos, devemos ter a
devida cautela, pois seremos imprudentes e levianos se
aceitarmos sem qualquer exame as comunicações do mundo
espiritual. Temos que reconhecer a qualidade dos
Espíritos por sua linguagem, em que a “dos Espíritos
verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre,
lógica e isenta de contradições; nela se respira a
sabedoria, a benevolência, a modéstia e a mais pura
moral; ela é concisa e despida de redundâncias. Na dos
Espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos, o vácuo
das ideias é quase sempre preenchido pela abundância de
palavras”. (Allan Kardec. O
que é o Espiritismo)
Quanto às revelações espíritas, temos que: “Uma só
garantia séria existe para o ensino dos Espíritos: a
concordância que haja entre as revelações que eles façam
espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns
estranhos uns aos outros e em vários lugares”. (Allan
Kardec: O
Evangelho Segundo do Espiritismo)
“Essa coletividade concordante da opinião dos Espíritos,
passada aos demais pelo critério da lógica, é que
constitui a força da Doutrina Espírita e lhe assegura a
perpetuidade”. (Allan
Kardec: A gênese. Introdução)
“Como há homens de todos os graus de saber e ignorância,
de bondade e malvadez, dá-se o mesmo com os Espíritos.
(...) Essa diversidade nas qualidades dos Espíritos é um
dos pontos mais importantes a considerar, por explicar a
natureza boa ou má das comunicações que se recebem; é em
distingui-las que devemos empregar todo o nosso
cuidado”. (Allan
Kardec. O
que é o Espiritismo)
Por tudo isso, precisamos aprender a afastar as más
influências e os maus pensamentos de Espíritos
inferiores, estudando os casos, distinguindo se um
pensamento sugerido procede de bom ou mau Espírito e,
nas revelações espíritas, utilizar o controle universal
de Allan Kardec em que se tem a garantia pela
concordância entre as revelações espontâneas de diversos
Espíritos por grande número de médiuns, estranhos uns
aos outros, e em vários lugares.
Não é fácil perceber as más influências de Espíritos
inferiores, pois em alguns casos elas podem ser de
natureza complexa e os prejuízos mais acentuados.
Contudo, pode-se evitar esse problema mantendo um padrão
vibratório elevado, cultivando bons e elevados
pensamentos, repelindo as más influências. Devemos nos
guardar de atender às sugestões dos Espíritos que nos
suscitam maus pensamentos. Cultive bons pensamentos.
Procure evocar os bons Espíritos que fazem todo o bem
que lhes é possível e se sentem ditosos com as nossas
alegrias. Dirija apelo fervoroso ao seu anjo bom, assim
como aos bons Espíritos que lhe são simpáticos,
pedindo-lhes que o assistam. Os bons Espíritos têm mais
poder do que os maus, e a vontade deles basta para
afastar estes últimos.
Cansar a paciência dos Espíritos inferiores,
mostrando-se mais paciente que eles e convencendo-os que
perdem tempo, que acabarão por se retirar.
A maior prevenção está na prática do bem, da caridade,
do perdão, da indulgência e na confiança em Deus.
Dependendo do caso, busque a ajuda de terceiros ou o
auxílio de um Centro Espírita.
Assim, aprenda a se proteger das más influências e das
ações dos Espíritos inferiores, pois você, como imã, é
capaz de afastá-los, principalmente pelo estabelecimento
de pensamentos positivos e por meio de boas condutas
morais, apoiando-se pela prece.
A prece é um dos meios mais poderosos de que se dispõe
para demover os propósitos de Espíritos malfeitores e
obsessores. A prece é uma lâmpada acesa no coração,
clareando os escaninhos da alma. Reze do fundo do
coração, com vontade e muita fé, pois a prece é uma
invocação em que entramos em comunicação, pelo
pensamento, com o ser a quem se dirige.
A ação da prece é a transmissão do pensamento e a
vontade lhe dá direção. Pela prece, o fluido magnético
pode manipular medicações balsâmicas, produzir prodígios
de amor fecundo e estabelecer uma sublime ligação com o
Céu.
Bibliografia:
KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto
Bezerra. A gênese. 2ª Edição. Brasília/DF:
Federação Espírita Brasileira, 2013.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon
Ribeiro. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 1ª
Edição. Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira,
2019.
KARDEC, Allan; tradução de Guillon
Ribeiro. O Livro dos Espíritos. 1ª Edição.
Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2019.
KARDEC, Allan; tradução de Evandro Noleto
Bezerra. O que é o Espiritismo. 2ª Edição.
Brasília/DF: Federação Espírita Brasileira, 2017.
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