Entrevista

por Orson Peter Carrara

Sensibilidade nas capas dos livros: experiência e foco
no belo orientam diretrizes


Natural de Campinas (SP), onde também reside, Maria Carolina Gobbi (foto) é artista plástica e vincula-se ao Centro Espírita Allan Kardec, na mesma cidade, onde atua como voluntária. Com sua sensibilidade artística e boa experiência em outros trabalhos, inclusive de marketing visual, tem sido a autora das capas dos livros lançados pela Editora Allan Kardec, em um trabalho de grande beleza estética e visual. Conversamos com ela sobre essa vivência. Acompanhe.


Como conheceu o Espiritismo?

Meu envolvimento com o Espiritismo deu-se através de um primeiro contato com O Livro dos Espíritos e, já na sequência, com o convite de uma amiga muito próxima para conhecer os cursos do CEAK – Centro Espírita Allan Kardec de Campinas, onde fiz os cursos básicos e outros, e me envolvi no trabalho voluntário.

O que mais se destaca para você nesse conhecimento?

A fé raciocinada, demonstrando que a crença em algo espiritual não deve ser baseada na aceitação cega de dogmas ou mistérios, mas, sim, na compreensão lógica, no questionamento e na análise crítica.

Como surgiu o envolvimento com a Editora Allan Kardec?

Pelo convite da atual diretora da Editora, Maristela Bosso, para a elaboração da arte da capa da obra Problemas Humanos – Análises Espíritas, de Vagner da Silva, amigo de longa data do CEAK, onde trabalhamos e estudamos juntos.

Eu já havia realizado inúmeros trabalhos no CEAK relacionados às artes visuais, como, por exemplo, a pintura de murais para uma das creches, unidades de atendimento do CEAK, e, durante muitos anos, colaborado como voluntária na Assessoria de Comunicação do CEAK, desenvolvendo material de marketing e de divulgação da Doutrina como designer gráfica. Foi, então, um caminho natural, por estar sempre com minhas atividades, dentro do Centro, voltadas para a área das artes visuais.

E como foi esse desenvolvimento para atuar como capista de livros? Comente essa experiência.

Dentro da minha linha de trabalho, sempre busquei, em todas as áreas em que atuei como artista visual, utilizar-me de formas, cores e referências à natureza, na intenção de exaltar a beleza da criação de Deus. Então surge a oportunidade de aplicar minha arte a serviço do Espiritismo em uma Editora Espírita.

Desenvolvi diversos projetos, criando pinturas específicas para ilustrar capas, como, por exemplo, para a Coleção Estudos e Cursos, de Therezinha Oliveira, composta de sete livros. Em outros projetos, como no livro Deus sabe! Sensibilidade e Harmonia, de Orson Peter Carrara, desenvolvo a arte com imagens fotográficas juntamente com outros elementos gráficos.

E como surge uma capa? O que mais a inspira no conteúdo de uma obra para o desenvolvimento de uma capa?

Inicialmente, procuro me familiarizar com o tema e busco captar, da melhor forma possível, a atmosfera que o autor e a obra desejam despertar no público. Algumas vezes, a própria Editora me fornece diretrizes, como cores predominantes, ou sugere elementos. Outras vezes, é-me dada total liberdade de criação, sem referências pré-concebidas.

Procuro traduzir em imagem a essência do conteúdo de cada obra. Esse processo pode demandar um tempo extenso de trabalho. O principal, sem dúvida, é a obra literária; contudo, a capa deve despertar o interesse e encantar o leitor.

E depois de pronta e aprovada, e mesmo vendo o livro já impresso, qual a sensação?

É uma realização imensa sentir que posso colaborar para trazer ao mundo alguma fagulha de beleza, de delicadeza e, de alguma forma, dar uma pequena colaboração, instigando nas pessoas o interesse por um livro, fonte de conhecimento e crescimento espiritual.

Algo mais que gostaria de acrescentar?

Sempre busco a representação da beleza da natureza na minha linguagem visual para, através das imagens, compor uma atmosfera de paz e beleza que fale ao coração das pessoas.

Suas palavras finais.

Servir ao Espiritismo é um propósito que traz sentido à minha existência. Desejo que a minha arte, aplicada neste contexto, possa colaborar para despertar nos leitores uma forma de trilhar o caminho das sutilezas, da imaterialidade, da essência do espírito, da leveza do ser e da beleza da vida.

 

Nota do entrevistador: Sugerimos uma visita ao Instagram da entrevistada: @carolinagobbipinturas.

 
 

 

     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita