Espiritismo
para crianças

por Marcela Prada

 

Tema: Disciplina


A Formiga Lina


A primavera havia chegado, e Lina, assim como as outras formiguinhas, estava ansiosa pelo primeiro passeio que fariam fora do formigueiro. As formigas mais velhas haviam trazido folhas, flores e frutinhas de suas expedições, e a imaginação das jovens corria solta, na expectativa de conhecer a natureza ao redor.

— Vamos, vamos, formiguinhas! Todas juntas para começarmos! — chamou a formiga instrutora.

Lina e as outras se agruparam na entrada do formigueiro, muito atentas.

— Vocês vão sair hoje para fazer nossa trilha principal. Ela é comprida, mas também larga e segura. O caminho está bem marcado, pois muitas formigas passam por esse trecho todos os dias. Vocês deverão andar em fila, uma atrás da outra. Não saiam da trilha nem parem por muito tempo, para não ficarem para trás. Entenderam?

— Sim, senhora! — responderam as formiguinhas, animadas.

— Percorreremos apenas um trecho da trilha, para reconhecimento — continuou a instrutora. — Não se preocupem se não encontrarem comida. Nossos objetivos hoje são conhecer o terreno, aprender a reconhecer as sinalizações e voltar ao formigueiro antes do pôr do sol. Ouviram?

— Sim, senhora!

— Então, vamos!

Todas as formiguinhas correram empolgadas para fora do formigueiro, mas logo formaram uma fila e entraram na trilha. Ficaram admiradas com a grama, as folhas secas e os diferentes cheiros ao redor.

— Que maravilha! — disse Lina. — A grama é tão verde... Tudo é bonito aqui fora!

Lina estava encantada, observando as plantas de diferentes cores e texturas. Os cheiros também chamavam sua atenção, pois as formigas são muito boas em senti-los.

— Que cheiro delicioso! Do que será? Deve ser de alguma fruta! Mal posso esperar para encontrar uma. Já estou sentindo o cheiro... Deve estar perto! — disse ela.

Lina parou e voltou-se para a grama alta.

Ela sabia que não deveria sair da trilha, mas a vontade de encontrar uma fruta era muito tentadora. Sem conseguir deixar aquela ideia de lado e seguir seu caminho com as outras, pensou:

— Se eu atravessar a grama em linha reta, será fácil voltar para a trilha. Não vou muito longe. É só encontrar a fruta e voltar.

Lina deu alguns passos, e a grama se fechou atrás dela. Sentiu medo de ficar sozinha, mas, quando já ia desistir e voltar, o vento soprou, trazendo ainda mais forte o cheiro doce da fruta.

— Deve estar bem perto. Se, na minha primeira expedição, eu voltar para o formigueiro com uma fruta madura e deliciosa, farei o maior sucesso! — pensou a formiguinha, vaidosa.

Encorajada por esse pensamento, Lina esqueceu o medo e também as recomendações da instrutora. Continuou andando pelo gramado em busca da fruta desejada.

Ela sabia que era arriscado e que não deveria fazer aquilo. Mas não deu ouvidos à sua consciência e, como resultado de sua imprudência, infelizmente se perdeu.

Depois de andar bastante, percebeu que provavelmente não conseguiria encontrar a fruta. Já era fim da tarde, e ela estava cansada. Logo chegariam a escuridão e o frio da noite.

Lina começou a sentir medo. Quis voltar, mas não sabia como.

Desesperada, a formiguinha começou a chorar e a gritar, pedindo ajuda. Ninguém, porém, podia escutá-la ou, muito menos, ajudá-la.

Ela se lembrou do formigueiro e sentiu saudades. Sem saber o que mais fazer, começou a rezar, pedindo a Deus que a ajudasse.

Lina olhou para o céu, como se quisesse conversar com Deus, e disse, com humildade:

— Ajude-me, meu Deus! Quero voltar para casa. Por favor, cuide de mim!

Foi então que, olhando para cima, Lina avistou a copa de uma grande árvore. Seu formigueiro ficava embaixo dela.

Ao reconhecer a árvore, Lina encheu-se de alegria. Era naquela direção que deveria seguir.

Caminhou bastante, o mais rápido que conseguia, sempre na direção da grande árvore. Estava exausta, mas, pelo menos, já tinha um caminho certo a seguir, e isso lhe dava motivação para continuar.

Quando finalmente chegou ao formigueiro, foi uma alegria geral. Todos estavam muito preocupados com ela.

Lina precisou de muitos cuidados e de algum tempo para se recuperar.

Felizmente, apesar do grande susto, tudo terminou bem, e ela ficou saudável novamente. O fato foi comentado por todo o formigueiro e serviu de lição não só para Lina, mas também para as outras formiguinhas.

Lina nunca mais quis sair da trilha ou descumprir as regras do formigueiro, pois compreendeu que elas existiam, na verdade, para o seu próprio bem.


Adaptação de texto de Lívia Seneda.

 


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O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita