Tema: Disciplina
A Formiga Lina
A
primavera havia chegado, e Lina, assim como as outras
formiguinhas, estava ansiosa pelo primeiro passeio que
fariam fora do formigueiro. As formigas mais velhas
haviam trazido folhas, flores e frutinhas de suas
expedições, e a imaginação das jovens corria solta, na
expectativa de conhecer a natureza ao redor.
—
Vamos, vamos, formiguinhas! Todas juntas para
começarmos! — chamou a formiga instrutora.

Lina e as outras se agruparam na entrada do formigueiro,
muito atentas.
—
Vocês vão sair hoje para fazer nossa trilha principal.
Ela é comprida, mas também larga e segura. O caminho
está bem marcado, pois muitas formigas passam por esse
trecho todos os dias. Vocês deverão andar em fila, uma
atrás da outra. Não saiam da trilha nem parem por muito
tempo, para não ficarem para trás. Entenderam?
—
Sim, senhora! — responderam as formiguinhas, animadas.
—
Percorreremos apenas um trecho da trilha, para
reconhecimento — continuou a instrutora. — Não se
preocupem se não encontrarem comida. Nossos objetivos
hoje são conhecer o terreno, aprender a reconhecer as
sinalizações e voltar ao formigueiro antes do pôr do
sol. Ouviram?
—
Sim, senhora!
—
Então, vamos!
Todas as formiguinhas correram empolgadas para fora do
formigueiro, mas logo formaram uma fila e entraram na
trilha. Ficaram admiradas com a grama, as folhas secas e
os diferentes cheiros ao redor.
—
Que maravilha! — disse Lina. — A grama é tão verde...
Tudo é bonito aqui fora!
Lina estava encantada, observando as plantas de
diferentes cores e texturas. Os cheiros também chamavam
sua atenção, pois as formigas são muito boas em
senti-los.
—
Que cheiro delicioso! Do que será? Deve ser de alguma
fruta! Mal posso esperar para encontrar uma. Já estou
sentindo o cheiro... Deve estar perto! — disse ela.
Lina parou e voltou-se para a grama alta.
Ela
sabia que não deveria sair da trilha, mas a vontade de
encontrar uma fruta era muito tentadora. Sem conseguir
deixar aquela ideia de lado e seguir seu caminho com as
outras, pensou:
—
Se eu atravessar a grama em linha reta, será fácil
voltar para a trilha. Não vou muito longe. É só
encontrar a fruta e voltar.
Lina deu alguns passos, e a grama se fechou atrás dela.
Sentiu medo de ficar sozinha, mas, quando já ia desistir
e voltar, o vento soprou, trazendo ainda mais forte o
cheiro doce da fruta.
—
Deve estar bem perto. Se, na minha primeira expedição,
eu voltar para o formigueiro com uma fruta madura e
deliciosa, farei o maior sucesso! — pensou a
formiguinha, vaidosa.
Encorajada por esse pensamento, Lina esqueceu o medo e
também as recomendações da instrutora. Continuou andando
pelo gramado em busca da fruta desejada.
Ela
sabia que era arriscado e que não deveria fazer aquilo.
Mas não deu ouvidos à sua consciência e, como resultado
de sua imprudência, infelizmente se perdeu.
Depois de andar bastante, percebeu que provavelmente não
conseguiria encontrar a fruta. Já era fim da tarde, e
ela estava cansada. Logo chegariam a escuridão e o frio
da noite.
Lina começou a sentir medo. Quis voltar, mas não sabia
como.
Desesperada, a formiguinha começou a chorar e a gritar,
pedindo ajuda. Ninguém, porém, podia escutá-la ou, muito
menos, ajudá-la.
Ela
se lembrou do formigueiro e sentiu saudades. Sem saber o
que mais fazer, começou a rezar, pedindo a Deus que a
ajudasse.
Lina olhou para o céu, como se quisesse conversar com
Deus, e disse, com humildade:
—
Ajude-me, meu Deus! Quero voltar para casa. Por favor,
cuide de mim!
Foi
então que, olhando para cima, Lina avistou a copa de uma
grande árvore. Seu formigueiro ficava embaixo dela.
Ao
reconhecer a árvore, Lina encheu-se de alegria. Era
naquela direção que deveria seguir.
Caminhou bastante, o mais rápido que conseguia, sempre
na direção da grande árvore. Estava exausta, mas, pelo
menos, já tinha um caminho certo a seguir, e isso lhe
dava motivação para continuar.
Quando finalmente chegou ao formigueiro, foi uma alegria
geral. Todos estavam muito preocupados com ela.
Lina precisou de muitos cuidados e de algum tempo para
se recuperar.
Felizmente, apesar do grande susto, tudo terminou bem, e
ela ficou saudável novamente. O fato foi comentado por
todo o formigueiro e serviu de lição não só para Lina,
mas também para as outras formiguinhas.
Lina
nunca mais quis sair da trilha ou descumprir as regras
do formigueiro, pois compreendeu que elas existiam, na
verdade, para o seu próprio bem.
Adaptação de texto de Lívia
Seneda.