Cinco-marias

por Eugênia Pickina

 

Ensine seu filho a persistir


Não desanimes. Persiste mais um tanto. Não cultives pessimismo. Centraliza-te no bem a fazer. Esquece as sugestões do medo destrutivo. Segue adiante, mesmo varando a sombra dos próprios erros
. Emmanuel


Vida com equilíbrio depende de persistência. E ser persistente é uma habilidade que deve ser incentivada e desenvolvida desde que somos pequenos.

Exemplos e atividades práticas ajudam a criança a testar e treinar, de inúmeras formas, o valor da persistência: tarefas escolares, compromissos domésticos como arrumar a cama ou guardar os brinquedos todos os dias.  A contação cotidiana da boa história na hora de dormir, o hábito da oração.

É a regularidade que constrói o hábito, que dá fortaleza à persistência. Insistir os pais com as tarefas rotineiras, os bons comportamentos, as atitudes elegantes e responsáveis.

Fator chave para o aprendizado e o incorporar de habilidades e recursos, a persistência facilita a autorregulação emocional e ainda nos torna tolerantes à frustração, menos ingratos e dispersos também…

As tarefas escolares, por exemplo, muitas vezes oferecem pequenos desafios às crianças. Cumpri-las com habitualidade educa a criança a não se render facilmente frente a obstáculos, uma forma excelente de desenvolver persistência e autoconfiança.

Quando matriculei minha filha no conservatório para aprender a tocar violão (ela tinha 9 anos), muitas vezes eu a levei para a aula irritada ou chorando. Queria desistir por preguiça, medo, cansaço, nenhum motivo consistente. Mas fui firme e continuei insistindo, impedindo-a de desistir, levando-a a contragosto. Nosso combinado exigia que ela aprendesse a tocar o instrumento com elegância e autonomia. Ela deixou o conservatório após quatro anos de formação. Hoje ela toca violão e guitarra e reconhece que só consegue fazê-lo porque foi persistente e resistiu aos impulsos de abandonar as aulas sem cumprir com nosso acordo. Promessas precisam ser cumpridas…

Na vida adulta, pessoas persistentes são mais resilientes, mais tolerantes à frustração e ao erro. Veem o desafio como uma oportunidade para o próprio crescimento.

Ora. Aprendemos a dirigir, dirigindo, ou seja, na insistência. Queimamos muito bolo no forno, antes que um saia a contento. Sem persistir ficamos muito vulneráveis, pouco disciplinados, mais sujeitos a uma vida interior empobrecida…

Vale muito ensinar persistência aos nossos filhos. E insistir com eles com a bondade, honestidade, responsabilidade, espírito de ajuda…

E, na infância, a persistência é incorporada pelos nossos filhos do mesmo modo que os ensinamos a escovar os dentes, arrumar a cama, dizer “obrigado”, ler bons livros, agradecer a comida, a roupa lavada… Repetir, repetir…

Somos nossos hábitos, e eles são construídos por meio da insistência, isto é,  persistência, portanto.



 
 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita