Para além da matéria
O médico e psicanalista Roosevelt Cassorla, em sua obra Estudos
sobre o Suicídio: Psicanálise e Saúde Mental, aborda
o suicídio inconsciente, o que me fez recordar os livros
de André Luiz, psicografados por Chico Xavier.
O conceito trazido pelo médico — embora sob uma análise
puramente materialista — deixa claro que o problema do
suicídio vai muito além dos fatos objetivos e da
intenção deliberada de consumar o ato.
Kardec, de forma inspirada, compreendeu um ponto de
encontro em todos os casos de suicídio: a insatisfação,
o desgosto ou a infelicidade vivenciados pelo sujeito.
Cassorla traz dois casos em que a perda da vontade de
viver e o desgosto produziram o ato extremo.
Atualmente, vivemos tempos em que as dívidas ocasionadas
pelas apostas têm produzido essas sessões de desespero
cujo desfecho é dramático.
Pode-se proibir apostas, drogas e tudo mais que degrada
a dignidade humana; contudo, o problema é mais profundo
do que essas supostas causas, pois há, neste ponto, uma
autêntica inversão entre causa e efeito.
Apostas ou drogas não são, nem de longe, as causas
primárias, mas sim o efeito.
Por trás dessa busca pelo prazer imediato e pela
adrenalina proporcionada pelos jogos e substâncias,
existem questões muito mais intrincadas trazidas pela
alma e que, naturalmente, não remontam a apenas uma
única existência.
Os analistas, sérios estudiosos dessa temática das dores
e dos dilemas humanos, muitas vezes esbarram na cultura
materialista, que funciona como óculos embaçados para
analisar a amplitude de vivências e experiências que o
espírito traz.
É neste campo que o Espiritismo pode dar sua nobre e
valiosa contribuição, pois avança exatamente onde os
materialistas param.
Faltam peças para fechar o quebra-cabeça e entender as
razões pelas quais alguém atenta contra si mesmo.
Talvez este termo — atentar contra si mesmo — nem seja o
mais adequado, pois o norte real do indivíduo é banir
uma dor insuportável, e não exatamente aniquilar-se.
Abre-se, então, uma pergunta: se a dor é brutal, onde
encontraremos o elixir que aliviará a alma?
Essa é a resposta de "1 milhão de dólares" que o
Espiritismo responde: as causas das dores podem estar
para além desta existência.
Dois caminhos surgem: o da única existência e o das
múltiplas existências. A opção pelo caminho da única
existência entende que os desafios estão calcados nas
experiências vividas pelo sujeito em seus poucos anos de
vida na Terra. A abordagem, portanto, é mais pobre, não
contempla as inúmeras faces das múltiplas existências,
os traumas que existem e que podem estar gravados, sim,
no inconsciente, mas que remontam séculos, talvez
milênios e necessitam desse olhar do espírito imortal
para uma compreensão mais extensa e, consequentemente,
um manejo mais adequado.
O Espiritismo possui essas chaves e jamais pretenderá
excluir as ciências convencionais advogando para si a
plena razão.
Quando Kardec diz que o Espiritismo caminhará com a
ciência, é exatamente sobre isso: andar junto com as
práticas farmacológicas e terapêuticas mais avançadas
para produzir um bom resultado, tornando a existência do
espírito mais proveitosa enquanto ele estiver por este
mundo.
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