Um minuto
com Chico Xavier

por Regina Stella Spagnuolo

   

Chico Xavier passou a vida consolando famílias que haviam perdido pessoas queridas. O que poucos imaginam é que um cachorro foi responsável por uma das maiores lições espirituais que ele recebeu.

Existe uma história envolvendo Chico Xavier que chegou a causar estranheza até mesmo entre alguns espíritas. Afinal, por que um homem que tinha plena convicção da sobrevivência da alma sofreu tanto com a morte de um cachorro?

Adelino da Silveira descreve a relação de Chico Xavier com os animais não como um simples traço de excentricidade ou um apego sentimental, mas como uma expressão concreta de sua ética e de sua visão de mundo. Para o médium, orientado por Emmanuel, os cães não eram objetos de estimação, mas almas ou princípios inteligentes em processo de evolução, dignos da mesma compaixão e do mesmo respeito dispensados aos seres humanos.

Dois cães, em especial, ilustram essa convivência: Lorde e Boneca. A presença deles revelava o lado mais humano, sensível e vulnerável de Chico Xavier, contribuindo para desfazer a imagem quase intocável que muitos admiradores criaram em torno dele.

Sua rotina era reconhecidamente exaustiva. Dividia o tempo entre o trabalho burocrático e as longas madrugadas dedicadas à psicografia. Ainda assim, jamais descuidava dos animais que viviam sob sua responsabilidade.

Quando Lorde envelheceu, tornou-se cego, surdo e perdeu grande parte da mobilidade, passando a exigir cuidados permanentes. Em vez de transferir essa tarefa a outras pessoas ou alegar falta de tempo, Chico assumiu pessoalmente todos os cuidados. Levava o cão ao colo para tomar banho de sol, limpava-lhe as feridas e, nos últimos dias de vida, alimentava-o diretamente na boca. Era um cuidado sem sentimentalismo exagerado, voltado unicamente para aliviar-lhe o sofrimento.

Quando a morte finalmente levou seus cães, a reação de Chico causou surpresa e até desconforto em alguns seguidores mais rigorosos. O homem que consolava mães enlutadas com a certeza da imortalidade da alma chorou profundamente, vivendo um luto sincero e doloroso.

Para aqueles que julgavam inadequado um líder espiritual sofrer tão intensamente pela morte de um animal, Chico respondia com um princípio muito simples: o verdadeiro afeto não faz distinção entre espécies. A dor da separação demonstrava que o conhecimento da vida espiritual não elimina o sofrimento humano diante da ausência de quem se ama. A vivência espiritual exige sinceridade emocional, não a supressão dos sentimentos.

Segundo relata Adelino da Silveira, a superação desse luto ocorreu graças a uma orientação de Emmanuel. O benfeitor espiritual explicou que a alma ou princípio inteligente que anima os animais sobrevive à morte do corpo e recebe amparo de equipes espirituais dedicadas ao cuidado da fauna.

Mais tarde, Chico teve a oportunidade de ver, por meio da clarividência, o cão já restabelecido e saudável no plano espiritual. Meses depois, um novo filhote chegou à sua casa. Observando que o animal apresentava maneirismos, hábitos e comportamentos muito semelhantes aos do cão desencarnado, Chico compreendeu que aquela alma ou princípio inteligente havia retornado para prosseguir sua caminhada evolutiva.

Mais do que emocionar, essa narrativa procura mostrar que a responsabilidade moral, o respeito e a continuidade da vida alcançam todas as formas de existência.


Do livro 
Chico, de Francisco, de Adelino da Silveira.

 

 

     
     

O Consolador
 Revista Semanal de Divulgação Espírita